Brasil: austeridade, dívida e comércio

Michael Roberts|

O Brasil é parte da nova crise comercial e cambiária. O real brasileiro também acusou o golpe. De 2014 para cá, o seu valor em comparação ao dólar foi reduzido pela metade, retrocedendo até o seu mínimo histórico desde a Grande Recessão de 2008-09: de R$4 para US$ 1.

Acabo de voltar do Brasil, onde estive na reunião anual da Sociedade de Economia Política (SEP) da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro, e nas faculdades de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP). 

Durante eu realizava essa viagem, as divisas dos principais países emergentes se afundavam em comparação ao dólar. As medidas do presidente Trump de “aumentar a aposta” com respeito às taxas comerciais contra todos – e as contramedidas que tomadas a partir disso, por parte da China e da União Europeia – afetarão sobretudo essas economias, e suas exportações. Ao mesmo tempo, a Reserva Federal dos Estados Unidos elevou ainda mais a sua taxa de juros política. Com o tempo, essas medidas incrementarão o custo do serviço da dívida em dólares para essas economias emergentes.

Assim, a crise de dívida dos mercados emergentes está cada vez mais próxima. A Argentina já teve que pedir ajuda ao FMI, e obteve um empréstimo de $ 50 bilhões de dólares – e, ainda assim, o seu mercado de valores caiu quase 10% em um só dia, esta semana. O rand sul-africano também mostrou uma queda ao nível mais baixo nos últimos dois anos.

O Brasil é parte desta nova crise comercial e cambiária. O real brasileiro também acusou o golpe. De 2014 para cá, o seu valor em comparação ao dólar foi reduzido pela metade, retrocedendo até o seu mínimo histórico desde a Grande Recessão de 2008-09: de R$4 para US$1.

E com o desemprego se mantendo perto dos níveis máximos:

O país se prepara para as eleições presidenciais de outubro. O principal candidato segundo as pesquisas é o ex-presidente Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Mas ele está preso, condenado por corrução. É pouco provável que sua candidatura possa ser confirmada pela Justiça Eleitoral, portanto, o resultado dessas eleições passa a ser incerto. Ademais, 50% dos brasileiros dizem que não pretendem votar (apesar de ser obrigatório), o que é um indício do desprestígio da política e dos políticos diante da maioria dos brasileiros, provavelmente devido aos casos de corrução e as dúvidas sobre a perspectiva de que o Brasil conseguirá sair da depressão econômica que sofre desde o fim do auge dos preços das matérias primas, em 2010.

A Grande Recessão de 2008-09 golpeou a sua economia, como a de todo o mundo, mas quando os preços das principais exportações brasileiras (alimentos e energia) se derrubaram, a economia local entrou em uma profunda depressão, que aumentou ainda mais no período entre 2015 e 2016. A leve recuperação posterior também se estagnou.

A atual administração, do presidente Michel Temer, chegou ao poder através de um golpe constitucional dirigido pelos partidos de direita no Congresso, que levaram à destituição da presidenta Dilma Rousseff. Desde o começo da sua gestão, Temer tem buscado impor políticas neoliberais clássicas: austeridade, cortes drásticos nos serviços públicos, redução do emprego no setor público e menor investimento público. Mas a prioridade de Temer tem sido massacrar a previdência estatal. A crise e o alto nível de dívida pública tem que ser pagos pelos cidadãos brasileiros. Não é de se estranhar que o índice de popularidade de Temer tenha caído a um mínimo histórico de somente 4%. Entretanto, o argumento é que o déficit do setor público (na atualidade, ao redor de 8% do PIB) e a dívida devem ser controlados, para recuperar a “confiança” das empresas e dos investidores estrangeiros.

O Brasil tem a maior proporção de dívida pública das economias emergentes (dados do FMI):

Mas a causa do elevado déficit orçamentário e da dívida não é o gasto “excessivo” do governo em matéria de pensões, etc. Pelo contrário, são as incessantes e contínuas crises no setor capitalista, e o baixo nível de arrecadação. Porque no Brasil os ricos não pagam impostos altos, e ainda por cima sonegam grande parte dos que deveriam pagar, enquanto a maioria da população paga impostos sobre o consumo, que são muito regressivos. Os mais pobres observam uma porcentagem mais alta de impostos incidindo sobre a sua renda que os mais ricos.

A crise foi causada pelo colapso do setor capitalista no Brasil, e o custo está sendo empurrado para o setor público e para os brasileiros, através das medidas de austeridade. Os resultados da crise e da austeridade eram evidentes na minha última visita ao Brasil: nas ruas degradadas das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, nos altos níveis de delinquência, e também nos comentários das pessoas, como os que assistiram aos eventos onde participei, citando o congelamento dos gastos em educação e saúde.

Não foi uma surpresa que a SEP me pedisse para falar sobre o impacto da austeridade a nível mundial.  “A austeridade, o investimento e os benefícios” foi o título da minha conferência, que defendeu dois pontos: em primeiro lugar, que a austeridade não foi a causa da depressão ou da Grande Recessão no capitalismo global. Pelo contrário, o gasto público crescia na maioria dos países antes da crise. Basta ver o gráfico da evolução do gasto público nas economias emergentes (cálculos meus):

Porém, o mais importante que eu queria demonstrar é que, embora os brasileiros devam resistir e reverter as políticas de austeridade com todas as suas forças, para proteger os serviços públicos e o Estado de bem-estar, não será simplesmente aumentando o gasto público, como afirmam os keynesianos, que o país irá resolver o problema das crises e auges capitalistas.

Em minha apresentação, eu mostrei ambos os argumentos teóricos e evidências empíricas para concluir que a mera impulsão do gasto público não terá o suficiente efeito “multiplicador” sobre o crescimento, a renda e o emprego, enquanto o modo de produção capitalista seja dominante. A produção capitalista só se reativará com um aumento da rentabilidade e dos benefícios em geral, e a forma de sair da crise do capitalismo é a partir das recessões e da “austeridade” – às custas dos trabalhadores. Demonstrei que o impacto de um aumento da rentabilidade no crescimento dentro do modelo capitalista – o que eu e meu colega Guglielmo Carchedi chamamos de multiplicador marxista – é muito maior que o aumento do gasto público (o multiplicador keynesiano). Assim, a política de austeridade não só é uma irracionalidade ideológica pró-mercado, como afirmam os keynesianos, como também tem sua racionalidade num contexto de baixa rentabilidade para o setor capitalista dominante.

Como demonstrei nas conferências realizadas em universidades do Rio e de São Paulo, a Longa Depressão continua, e agora parece estar entrando numa nova fase. Em primeiro lugar, devido ao crescente risco de uma guerra comercial entre os Estados Unidos de Donald Trump e o resto do mundo. Em segundo lugar, pelo aumento do custo da dívida e a erosão da estabilidade empresarial, sobretudo entre as economias emergentes, como o Brasil. O calendário de pagamentos da dívida contraída com os estrangeiros alcançará seu ápice no próximo ano, quando os custos de serviço e “reestruturação” da dívida serão mais altos.

E, como já havia sido demonstrado, o Brasil tem os mais altos custos de serviço de dívida de todas as grandes economias emergentes:

A economia mundial vem experimentando uma ligeira recuperação – dentro da Longa Depressão – após a quase recessão de 2016. Pero parece que, em 2018, o crescimento a nível mundial alcançará seu ponto máximo, e os baixos níveis subjacentes de rentabilidade e investimento reaparecerão, junto com uma nova crise da dívida no setor empresarial não financeiro, o que significará novos riscos. Veremos o que acontece.

*Michael Roberts é um conhecido economista marxista britânico, que trabalhou por 30 anos na City londrina como analista económico, e publica textos no seu blog The Next Recession

O México diante da 4ª Revolução Industrial (portugés y español)

Napoleón Gómez Urrutia|

‘Indústria 4.0’, nome que se deu para a 4ª Revolução Industrial, tem o potencial de transformar o mundo como o conhecemos atualmente.

A indústria da transformação está experimentando uma revolução da tecnologia e a digitalização da produção. Os riscos da redução da força de trabalho devido à robótica avançada e a substituição dos trabalhadores são óbvios, e mais ainda nos países mais pobres, que ainda não foram beneficiados pelo crescimento do emprego nas atividades industriais.

Durante as reuniões posteriores ao Segundo Congresso da Industria ALL Global Union, foram tomadas diversas decisões política para estabelecer uma estratégia global para enfrentar esses importantes e novos desafios. Embora essas transcendentais mudanças possam trazer grandes benefícios para o setor do trabalho, as comunidades e as sociedades com melhores níveis de vida não aceitarão essa transformação sem os necessários programas de uma transição justa para os trabalhadores afetados. 

A “Indústria 4.0”, nome que se deu para a 4ª Revolução Industrial, tem o potencial de transformar o mundo como o conhecemos atualmente. Nesta nova etapa de modernização global é fundamental estabelecer simultaneamente uma política diferente de justiça social.

A produção de manufaturas no mundo vem se mantendo em um estado de constantes mudanças tecnológicas desde o final do Século XIX. O importante é que esses processos de digitalização avançada e de outros aspectos que formam parte da 4ª Revolução Industrial são amplamente discutidos pelas empresas e pelos governos, como uma muito significativa transformação da atividade manufatureira. Os instrumentos para continuar avançando neste meio vão desde o apoio aos clientes com uma rede de Internet adequada, até o serviço indireto aos provedores e à robótica avançada na própria indústria de fabricação de maquinária e equipamentos.

Na atualidade, existe uma iniciativa promovida pela maior organização sindical do mundo, a IndustriALL Global Union, da qual os mineiros do México somos parte do comitê executivo internacional, que estabelece quais mudanças tecnológicas devem cuidar e proteger, além de capacitar os trabalhadores para que possam viver com maior justiça social. Hoje, 28 países se aliaram a esta proposta, os quais representam 75% do produto bruto global e aproximadamente 85% da produção industrial.

O alto nível de digitalização e de integração que existe atualmente conduz à elaboração de um plano de preparação intensa nesta matéria para os próximos anos. Dos 33% de robotização dos países que existem atualmente a nível global, poderíamos passar a 39% no próximo ano, e a 72% nos cinco anos seguintes. Dentro dessa escala, o México se encontra em um nível próximo à metade, e com uma tendência acelerada a crescer, especialmente em alguns setores da indústria, como a automotriz, a linha branca, a mineração e outras mais que têm uma elevada participação no mesmo processo modernizador da nova tecnologia.

Resultado de imagen para cuarta revolución industrialPara as empresas, o sucesso da digitalização representará durante o mesmo período um lucro adicional de 2,7% por ano e uma redução nos custos de 3,2% anual. Obviamente, as consequências da Indústria 4.0 dependerão de vários indicadores. Ela também afetará muitas regiões de forma desigual. Em algumas zonas, o efeito mais provável é o aumento das desigualdades existentes dentro dos países, e também entre os continentes. Segundo um estudo da Universidade de Oxford, 47% dos trabalhadores da América do Norte estão sob alto risco de perderem seus empregos e serem substituídos pelos avanços da tecnologia. No caso dos países em desenvolvimento, segundo o Banco Mundial, dois terços de todos os empregos são suscetíveis à automatização e à inteligência artificial.

O impacto potencial da Indústria 4.0 nos mercados de trabalho será dramático se não se efetuam uma série de mudanças e se cumprem certas condições, como a de contar com um programa efetivo de capacitação, educação e treinamento. As mudanças devem ser não só para os trabalhadores mas também para os governos e as sociedades, que desde já enfrentam a escassez de mão de obra qualificada.

O México não pode fugir dessa realidade, e o novo governo da República terá que enfrentar os desafios da modernização, a automatização e os avanços tecnológico que se não forem controlados adequadamente, aumentarão as condições de desigualdade e de exploração do trabalho.

Napoleón Gómez Urrutia é economista mexicano, naturalizado canadense, foi secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Mineiros Metalúrgicos e Similares da República Mexicana

-EN ESPAÑOL

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México frente a la Cuarta Revolución Industrial

Napoleón Gómez Urrutia| La industria de la transformación está experimentando una revolución de la tecnología y la digitalización de la producción. Los riesgos de la reducción de la fuerza de trabajo debidos a la robótica avanzada y la sustitución de los trabajadores son obvios, y más aún en los países más pobres que todavía no se han beneficiado del crecimiento del empleo en las actividades industriales.

Efectos de la evasión y elusión fiscal de las multinacionales: diseño financiero a medida de la fuga

Los países periféricos resultan ser los principales damnificados por la fuga de capitales en provecho de los países centrales, que dominan las más importantes plazas offshore. Sobre qué se puede hacer para frenar este sistema, ofrecemos dos opiniones desde Argentina: De la periferia al centro, de Magdalena Rua, y La oportunidad ecuatoriana, de Adrián Falco.

De la periferia al centro

Magdalena Rua |Los países periféricos y, entre ellos, los de América Latina resultan ser los principales damnificados por la fuga de capitales en provecho de los países centrales, que dominan las más importantes plazas financieras offshore (dentro de sus fronteras y en otros territorios bajo su influencia). Estos últimos, al garantizar condiciones de secreto y confidencialidad, sistemas tributarios preferenciales para no residentes y estructuras opacas que encubren la identidad de los beneficiarios, se desempeñan como eficientes refugios fiscales y financieros, razón por la cual se convierten en los destinos de la riqueza offshore global.

En el caso de América Latina, un informe de The Boston Consulting Group de 2011, indica que los activos externos de sus residentes se distribuyen en un 29 por ciento a Suiza, un 28 por ciento a Estados Unidos, el 29 por ciento al Caribe y Panamá y un 7 por ciento que va al Reino Unido y sus dependencias como Guernesey, Jersey e Irlanda. Las estimaciones del año 2015 de la misma consultora confirman esa tendencia. No es casualidad que esas sean las jurisdicciones donde se concentra la mayor porción de la actividad de “private banking” (banca de la privacidad) a nivel internacional, que se encarga de administrar los activos financieros offshore de las empresas multinacionales y los ricos del mundo.fuga a paraiso fiscal

En Argentina, la fuga de divisas se presenta como un fenómeno de carácter estructural, persistente desde 1970, asociado al comportamiento de los grupos económicos locales y multinacionales, que buscan maximizar sus ganancias, evitando el pago de impuestos, y localizar sus activos financieros en guaridas fiscales, fuera del alcance de las autoridades locales. Se observa que, a lo largo del tiempo, se mantiene un piso mínimo constante de salida de divisas independientemente de la estabilidad económica y política del país. Si bien los flujos se agudizan en momentos de crisis, también se registran niveles elevados en épocas de estabilidad política y crecimiento económico.

Entre los efectos negativos que provoca, la fuga de divisas reduce el nivel de inversión interna, es decir, aquella que requieren los países de la periferia para alcanzar un mayor grado de desarrollo económico. En este sentido, América Latina se mantiene a la espera de inversiones extranjeras, en lugar de retener este cúmulo de ahorro doméstico que escapa hacia centros financieros offshore y luego retorna bajo la forma de deuda externa. Los niveles tan significativos de fuga de capitales durante el último año en Argentina han sido financiados mediante una política de indiscriminado endeudamiento externo, que tendrá sus consecuencias en el mediano plazo.

A su vez, la fuga de divisas disminuye la recaudación tributaria, por hallarse acompañada, generalmente, de evasión o elusión fiscal. En este aspecto, se destaca una estimación de Alex Cobham y Petr Janský (2017), que arroja una pérdida de impuestos para Argentina de 21.400 millones de dólares en el año 2013, debido al desvío de ganancias de las empresas multinacionales, lo que representa una pérdida anual del 4,42 por ciento del PIB.

En oposición al enfoque dominante, la mayor parte de los flujos financieros ilícitos (es decir, las salidas ilícitas de divisas) no tiene su origen en la corrupción política u en otras actividades ilícitas, sino que estos fondos son generados en mayor medida mediante actividades lícitas (comerciales), pero son transferidos y/o utilizados de manera ilícita. Así, de un informe de Raymond Baker de Global Financial Integrity (2005) se desprende que solamente el 5 por ciento de los flujos ilícitos de los países en desarrollo corresponde a corrupción gubernamental, mientras que un 64 por ciento proviene de maniobras comerciales elusivas de las grandes empresas, y el restante 31 por ciento se origina en actividades criminales (tales como narcotráfico, trata de personas, etc.). En 2014, la misma ONG estimó que, entre 2003 y 2012, el 78 por ciento de los flujos financieros ilícitos de los países en desarrollo fueron originados en la manipulación de facturación comercial.banquero-en-fuga

Como contracara del daño provocado a los países de la periferia, aumenta la riqueza de las empresas multinacionales y de las personas de alto patrimonio, que gozan de la opacidad y confidencialidad del sistema, como así también de los países centrales, que obtienen mayores ingresos a través de la gestión de los activos financieros offshore.

* Contadora pública Universidad de Buenos Aires, maestranda en Economía Política en Flacso, docente FCE-UBA, investigadora.

La oportunidad ecuatoriana

Adrián Falco| Desde hace tiempo, las organizaciones sociales de la región latinoamericana que trabajamos en temáticas vinculadas con el financiamiento para el desarrollo, entendemos que existen, en principio, dos formas de analizar el presupuesto público. La primera forma de análisis y tal vez la más importante tiene que ver con cómo se recauda el dinero que lo financia y la segunda aunque no de menor relevancia es cómo se distribuye ese presupuesto.  En el primer orden de análisis tienen un papel clave los impuestos cobrados a las empresas multinacionales. Aunque en ambos casos las multinacionales tienen un rol central aunque poco regulado.

Se mueven con tal sutileza jurídica y política que es difícil ejercer ese necesario control amplio y preciso sobre su accionar. Utilizan los recursos que controlan (sistema judicial, sistema político, medios de comunicación) para cimentar su hegemonía empresarial y operar de acuerdo a sus necesidades e intereses. Su razón de ser y su necesidad de obtención de ganancias por encima de la tasa promedio las coloca en situación de hacer lo mínimo que la Ley demanda sobre aspectos regulatorios.

fuga de-capitalesEstá claro que para un país en desarrollo es difícil encarar una lucha global sobre regulación, frente a un sujeto global, desde un espacio reducido como su propio territorio. Es por eso que el planteo de regulación y control de las actividades financieras en donde el tema de “tax” es muy importante necesita de un actor social global articulado, democrático y legitimado políticamente.

América Latina tiene un problema de orden sistémico: El dinero que se escapa de la región sin tributar impuestos. Investigadores y organizaciones coinciden en que a nivel global 7,6 billones de dólares se esconden en las llamadas guaridas fiscales para no pagar impuestos. Según la organización Oxfam esto podría acabar con la pobreza en países como Bolivia, Colombia, Ecuador, El Salvador y Perú, si se cobrara una fracción de ese dinero en concepto de impuestos. Ecuador, por ejemplo, pierde anualmente entre 300 y 400 millones de dólares a raíz de la evasión fiscal.

La solución, al parecer, está en manos del G-77. Al asumir la presidencia Ecuador retomo una idea que las organizaciones sociales venimos construyendo desde hace tiempo y que necesitamos materializar; La creación de un cuerpo intergubernamental en la ONU que regule la actividad financiera a nivel global.

Este nuevo organismo sería una respuesta institucional y por supuesto democrática a las propuestas OCDE (Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos). Este auténtico “club de los ricos” no es representativo para los países latinoamericanos y muchas de sus propuestas están demostrando fragilidad en muchos aspectos.

Es muy importante otorgarle coherencia a este sistema caótico de acuerdos bilaterales que benefician la elusión fiscal. Estos acuerdos se redactan bajo presión de las multinacionales generando una fuerte competencia entre países por ofrecer mejores condiciones al capital. Esto deja en evidencia la fragilidad jurídica de los países al enfrentarse a la maquinaria jurídico-económica de los grandes grupos concentrados que residen en lo que el economista Jorge Gaggero denomina “la comunidad anglosajona”, esta suerte de “asociación ilícita” entre el Estado de Delaware y la City de Londres junto con su red de guaridas offshore.lavado

Sobre los aspectos centrales en los que este cuerpo intergubernamental debería poner sus esfuerzos se cuentan: El intercambio de información tributaria entre países para permitir realizar un monitoreo de las actividades de multinacionales vinculadas; El registro global y publico de beneficiaros finales, es decir, saber quiénes son los verdaderos dueños de las multinacionales; Ejercer un control  sobre los “facilitadores” que hacen posible estas artimañas evasivas y elusivas; Unificación de listas de paraísos fiscales incluyendo, claro está, a la City de Londres y Delaware; Encarar propuestas de reformas fiscales globales para terminar con las exenciones impositivas; Terminar con el secretismo bancario para liquidar la perjudicial red de guaridas fiscales.

¿Qué destino tendrá la propuesta en el G-77? Depende de mucha negociación y consenso. Por ahora  es una gran posibilidad de trabajo de articulación entre gobierno y sociedad civil para replantear una nueva arquitectura financiera global.

* Coordinador en la Fundación SES y miembro de la Red de Justicia Fiscal de América Latina y el Caribe.

Ruy Mauro Marini| Las razones del neodesarrollismo

Ruy Mauro Marini |

Las desventuras de la dialéctica de la dependencia es un trabajo escrito por José Serra y Fernando Henrique Cardoso, con el objetivo de criticar mis planteamientos sobre el  capitalismo dependiente, en particular el brasileño.

El título del trabajo, como lo señalan sus autores, se inspira en el de un libro de Maurice Merleau-Ponty, publicado a principios de la década pasada, que ponía “la corona de espinas” en “la cabeza de quienes, bien o mal, buscaban adaptar la herencia clásica a las experiencias de la construcción del socialismo y , en el afán de justificar lo injustificable, distorcían sus ideas”. En realidad, se trataba de un ataque a Jean-Paul Sartre, a raíz de su acercamiento al Partido Comunista. Aunque Sartre no se molestó em darle una respuesta a Merleau-Ponty –quien ganara notoriedad al pretender conferir rango filosófico al anticomunismo de Arthur Koestler– éste recebió la que merecía, por la mano de Simone de Beauvoir.

Tras señalar que el trabajo se escribió en enero de 1978, cuando prestaban servicios en una instituición norteamericana, y agradecer los comentarios de otros intelectuales brasileños, -en especial del Centro Brasileño de Análisis y Planeamiento, (CEBRAP) creado por Cardoso-, los autores explican la finalidad del mismo. Este pretende “poner trancas que cierren las falsas salidas” en el análisis de la realidad, para lo que se abocará a la crítica de mi “ambiciosa teoría” sobre el capitalismo dependiente, con la intención de lograr “la destrucción eventual de algunos o aun de todos los principales supuestos” de la misma. Para ello, se divide en cuatro capítulos: “Desarrollo nacional y estancamiento económico”, “El intercambio que no es bien igual”, “El subimperialismo y las tinieblas” y “la ‘teoria’ de la superexplotación del trabajo (o la plusvalía que nunca es relativa)”, que se acompañan de un “cuasi epílogo”. Los dos primeros tratan de algunas cuestiones generales, los dos últimos versan sobre el desarrollo capitalista reciente en Brasil.

En su conjunto, constituye un texto desaliñado y truculento, que deforma casi siempre mis planteamientos para poder criticarlos, manipula los datos que utiliza (o no utiliza) y que brilla por la falta de rigor, la torpeza e incluso el descuido en el manejo de hechos y conceptos. El lector lo entenderá mejor si toma en cuenta que va dirigido fundamentalmente a la joven generación brasileña, que conoce poco o casi nada de lo que he escrito. Esto es lo que lleva a los autores no sólo a “exponer” mi pensamiento, sino también a permitirse adaptarlo libremente a los fines que se han propuesto. Seguramente, habrían procedido de otra manera, si se dirigieran a un público más familiarizado con las tesis en cuestión.

En las concideraciones que, sobre dicho texto, presentaremos a continuación, utilizaremos el original en portugués. Nos esforzaremos, siempre que ello no violente demasiado la lógica de la exposición, en seguir el orden temático allí adoptado, manteniéndonos dentro de su enfoque, es decir, predominantemente económico. Advertimos al lector de que, por tratarse de la respuesta  a una crítica específica, limitaremos a lo esencial nuestra argumentación, sin pretender retomar planteamientos que hemos hecho, en otras oportunidades, sobre el capitalismo dependiente latinoamericano y brasileño; en este sentido no se contempla aquí la totalidad, y ni siquiera los elementos principales, de lo que hemos expuesto en otros textos.

I

Las Desventuras empiezan con un paso desafortunado. Constatando que mis planteamientos tienen como eje la cuestión del socialismo en América Latina, buscan enmarcarlos en la tesis sustentada por sectores intelectuales de la década pasada, respecto a la inevitabilidad del estancamiento económico en la región. Incurren, con ello, en un doble equívoco: no es cierto que yo suscribiera entonces esa tesis (como tampoco la suscribo hoy) ni ésa se relacionaba directamente con el tema del socialismo. De pasada, confunden estancamiento y crisis, (“La aurora revolucionaria tendría como incubadora el acicate del estancamiento y la crisis”, p.3) sin compreender que, para un marxista, las crisis corresponden a saltos del capitalismo hacia su destrucción, pero no se confunden con el estancamiento; todo lo contrario, resultan de la acumulación capitalista misma, es decir, del desarrollo capitalista.

La “prueba” de mi adhesión a la tesis del estancamiento latinoamericano se presenta en p.1, tras lo que parece ser una autocrítica implícita de Cardoso por haberla compartido, en los tiempos en que preocupaban los problemas del “subcapitalismo”, y se cifra en esta cita de un texto mío:

“Todo está en lograr una organización de la producción que permita el pleno aprovechamiento del excedente creado, vale decir que aumente la capacidad de empleo y producción dentro del sistema, elevando los niveles de salario y de consumo. Como esto no es posible en el marco del sistema capitalista, no queda al pueblo brasileño sino un camino: el ejercicio de una política obrera, de lucha por el socialismo.”[1]

A primera vista, el texto citado parece dar razón a las Desventuras. Pero ¿que és lo que está en…”? ¿En qué contexto se hizo la afirmación? Veamos:

“…(el) desarrollo económico… no puede ser logrado, como pretende la ‘burguesía nacional’, obstaculizando la incorporación del progreso tecnológico extranjero y estructurando la economía con base en unidades de baja capacidad productiva. Para las grandes masas del pueblo, el problema está, inversamente, en una organización económica que no sólo admita la incorpoación del progreso técnico y la concentración de las unidades productivas, sino que las aceleren, sin que ello implique agravar la explotación del trabajo en el marco nacional y subordinar definitivamente la economía brasileña al imperialismo”.[2] (A partir de aquí, sigue el trozo citado por las Desventuras).

Como se dará cuenta el lector, allí no se trataba para nada de estancamiento: se polemizaba con una posición política que –ante el carácter monopólico y la decidida integración al imperialismo que caracterizaban a la economía brasileña– levantaba un proyecto pequeño burgués, estrechamente nacionalista y antimonopólico, y se sostenía que la lucha (no la agitación de un modelo abstracto) contra el gran capital nacional y extranjero sólo podría ser una lucha dirigida por la clase obrera y que tendiera al socialismo. Para mayor abundamiento, señalemos que dicho pasaje pertenece a la sección del libro intitulada “La dialéctica del desarrollo capitalista en Brasil”, en la cual se analizan las luchas de clases que desembocaron en el golpe militar de 1964 y la forma subimperialista que asume entonces dicho desarrollo.  “El capitalismo brasileño –se decía, un poco más atrás– se ha orientado así hacia un desarrollo monstruoso, etcétera”.[3]

La crisis de pensamiento latinoamericano en los 60
La segunda clase de equívocos a que dan lugar las Desventuras está en suponer que se puede establecer, en general, una ligazón entre la tesis del “estancamiento” y la ideología socialista de la década pasada, en Latinoamérica. Es cierto que los autores se corrigen más adelante, ejemplificando con algunas citas de Helio Jaguaribe. Pero a) no sólo queda la impresión general de que las luchas por el socialismo, que se libraron entonces, estuvieron guiadas por la idea de la imposibilidad del desarrollo capitalista, sino que b) se oscurece el carácter real de la crisis que sacudió el pensamiento latinoamericano, a mediados de la década.

El primer error hace caso omiso de las luchas de clases desatadas en el continente, desde los años cincuentas, que, alcanzando su primer punto culminante con la Revolución cubana de 1959, se continúa hasta hoy. El segundo no da cuenta del verdadero carácter de la crisis experimentada por las ciencias sociales latinoamericanas, en los sesentas, ni de las corrientes entonces surgidas (que se tiende a englobar, incorrectamente, bajo la designación genérica de “estudios sobre la dependencia”).

El golpe militar brasileño de 1964 tuvo, para la década pasada, una importancia similar al golpe chileno de 1973, en la actual. Representó, como señalé entonces, el fracaso de una política: el reformismo, bajo su forma populista y nacionalista, y de una clase: la burguesía nacional.[4]

Los partidos comunistas, que habían apostado en esta carta, atribuyeron los  sucesos contrarevolucionarios de Brasila a una trama diabólica del imperialismo norteamericano. Los intelectuales que, ligados al stablishment (sea directamente en el gobierno de Joao Goulart, sea en instituiciones internacionales como la CEPAL), habían pregonado la ideología del desarrollo capitalista autónomo (generando así, desde el lado patronal, una táctica que coincidía con la del PC) manifestaron perplejidad e impotencia.

Un buen ejemplo de ello es el caso de Celso Furtado, ex funcionario de la CEPAL  del gobierno de Goulart, quien, en su calidad de principal teórico del “estancamiento”, proclamó el cierre definitivo de la industrialización y el regreso de Brasil a la condición de exportador de bienes primarios.[5] En un texto más agudo, pero igualmente desesperado, el cepalino Anibal Pinto, sin adherir a la tesis del “estancamiento”, constató que el pretendido desarrollo autónomo no había conducido sino a la monopolización de la economía por el gran capital nacional y extrajero y propuso una política dirigida por el Estado, de apoyo a la media y pequeña burguesía, aun a costa de que esto implicara frenar el desarrollo del sector “moderno” (monopólico), es decir, obstaculizar objetivamente las tendencias del desarrollo capitalista.[6]

Ahora bien: esa crisis del pensamiento desarrollista no tenía porqué afectar a la joven intelectualidad brasileña, que militaba en las filas de la izquierda revolucionaria, surgida al margen del PC, a principios de la década. El eje de los planteamientos de esa izquierda era la crítica a la estrategia de ese partido, que postulaba la colaboración de clases entre la burguesía nacional y el proletariado, en pro de una revolución democrático-burguesa, antiimperialista y antifeudal. En el curso de su desarrollo, la izquierda revolucionaria había roto con el nacional desarrollismo burgués, ruptura que dio lugar a una nueva elaboración teórica, que se vierte en una literatura estrictamente partidaria. Esto sólo comienza a modificarse, dando lugar a trabajos de carácter más personal, cuando la violenta depuración de las universidades, medios de comunicación y del propio aparato del Estado, por las fuerzas golpistas, empieza a expulsar del país a muchos de los intelectuales de esa izquierda.

Coincidiendo con ello, la crítica del desarrollismo ganó un carácter más amplio. Intelectuales no militantes, como Andre Gunder Frank y el mismo Cardoso, basándose en los planteamientos teóricos de la izquierda revolucionaria, se lanzaron también a la discusión sobre las tesis cepalinas y funcionalistas. Aportaron así elementos a la construcción de una nueva teoría explicativa de la realidad latinoamericana, aunque algunos de ellos contribuyeron a conferir un carácter académico a un debate que, en sus orígenes, era primariamente político, limitando con ello la radicalidad de la crítica. Es, en particular, el caso de Cardoso, en su trabajo en colaboración con Faletto, no sólo por los compromisos conceptuales y de lenguaje que mantiene con el desarrollismo, como han señalado otros, sino sobre todo por la absoluta ausencia de una teoría del imperialismo, que se observa en dicho texto.[7] Conviene señalar que nada, en esa clase de textos, lleva a identificar el “cambio social” con la revolución socialista.

Es a ese distinto origen de las nuevas corrientes intelectuales, que se gestaron en la década de 1960, así como al tipo de compromiso que ellos asumieron, que se debe la profunda división que se registra hoy entre los que, bien o mal, trabajaron de la misma manera la elaboración de un nuevo marco de conocimiento de nuestras sociedades.

Intercambio desigual y superexplotación: algunas precisiones
El aparato siguiente de las Desventuras se refiere indiscriminadamente a cuestiones que tienen que ver con el intercambio desigual y con la superexplotación del trabajo. El propósito de mis “críticos” es demostrar que el intercambio desigual, tal como yo lo analizo, no es tal ni conduce a que los países dependientes reaccionen contra él recurriendo a la superexplotación del trabajo (aunque la causa primaria de ésta no resida allí, como lo he indicado).[8] Veremos, más adelante, cómo se las arreglan para hacer esa demostración, procediendo primero a algunas rectificaciones.

En p. 16, se trata de probar que es absurdo mi razonamiento en el sentido de que las exportaciones latinoamericanas de alimentos, al reducir el valor del capital variable y aumentar por conseguiente la composición de valor del capital, agravan la tendencia a la baja de la cuota de ganancia, en los países capitalistas avanzados. Para este fin, y valiéndose incluso de las matemáticas, las Desventuras demuestran que, al bajar el capital variable, crecen la masa y la cuota de plusvalía, así como, por consiguiente, de ganancia. Lo que es obvio.

Agregan nuestros “críticos”: “No sería lógico suponer, por otro lado, que porque disminuye V, gracias a las exportaciones latinoamericanas de alimentos, C tendría que subir” (p. 16, subrayado de los autores). No, no sería en absoluto lógico suponer que, porque baja el capital variable, por la causa señalada, el capital constante debe aumentar.

 

Sin embargo, mis desventurados “críticos”, el punto de que parto es rigurosamente el opuesto: el de que la exportación latinoamericana de alimentos se realiza en función de la revolución industrial europea y coadyuva (no determina de manera exclusiva) la baja del capital variable, necesaria para que la elevación de la productividad, sobre la base del aumento del capital constante, no presionara hacia abajo la cuota de ganancia (DD, p. 26). Como indiqué en el texto, esto corresponde a la inserción dinámica de América Latina en la división mundial del trabajo, impuesta por la gran industria, que permitió a los países avanzados concentrarse en la producción de materias primas industriales. El Quijote combatía contra molinos de viento, que creía ser gigantes; mís “críticos” tienen más el espíritu de Sancho: edifican sus propios molinos, para enfrentarlos sin tener que apelar a la valentía.

En la distorsión de mis planteamientos, las Desventuras no utilizan sólo el método de la inversión, sino también el de la adición. Así, consideran que yo supongo que la producción latinoamericana para la exportación aumentó “en condiciones necesarias de productividad decreciente (o estancada)”, suposición que no se encuentra en ninguo de mis textos. Lo único que sostengo es que, en condiciones de intercambio marcadas por una neta superioridad tecnológica de los países avanzados, las economías dependientes debieron echar mano de un mecanismo de compensación que, permitiendo el aumento de la masa de valor y plusvalía realizada, así como de su cuota, contrarrestara al menos parcialmente las pérdidas de plusvalía a que tenían que sujetarse; ese mecanismo fue la superexplotación del trabajo.[9]

Ésta explica el fuerte desarrollo de la economía exportadora latinoamericana, pese al intercambio desigual. Es de suponerse que mis “críticos” no pretendan que, ante la transferencia de valor que éste implicaba, las economías latinoamericanas pudieran reaccionar mediante la elevación de su nivel tecnológico a un ritmo igual al que lo hacían los países avanzados. Ello no implica ni mucho menos que su productividad se haya estancado o decredido, sino que fue siempre a la zaga. Tampoco hay que derivar de lo dicho lo que no se ha dicho: la superexplotación del trabajo es acicateada por el intercambio desigual, pero no se deriva de él, sino de la fibre de ganancia que crea el mercado mundial, y se basa fundamentalmente en la formación de una sobrepoblación relativa. Pero, una vez en marcha un proceso económico sobre la base de la superexplotación, se echa a andar un mecanismo monstruoso, cuya perversidad, lejos de mitigarse, es acentuada al recurrir la economía dependiente al aumento de la productividad, mediante el desarrollo tecnológico.[10]

De todos modos, mis “críticos” se preocupan aquí menos de la cuestión de la superexplotación, que de mis planteamientos respecto al intercambio desigual. Desde este punto de vista, lo primero que llama la atención es que, aunque vayan a “criticar” lo que he dicho sobre el tema, hacen la curiosa advertencia de que no contemplarán el problema de la transferencia de valor a través del comercio exterior  (p. 16). La razón básica que dan para ello es que “no habiendo movilidad de la fuerza de trabajo, es difícil estabelecerse, en escala internacional, el concepto de tiempo de trabajo socialmente necesario, el cual, a su vez, es crucial como requisito para la operación de la ley del valor”. (p. 16)

Detengámonos un poco en este párrafo. La movilidad de la fuerza de trabajo no influye para nada en el concepto de tiempo de trabajo socialmente necesario, a escala nacional o internacional. Seguramente, mis “críticos” quieren decir que afecta su determinación, su medición. Pero tampoco es así: a nivel nacional o internacional, el tiempo de trabajo socialmente necesario no se determina por la circulación de la fuerza de trabajo, sino que es exclusivamente función del desarrollo de las fuerzas productivas, del grado de destreza, productividad e intensidad media de la fuerza de trabajo en la producción.

Lo único que cabe a la circulación es comparar los tiempos de trabajo socialmente necesario para la producción de las mercancías, es decir, comparar los valores de éstas; sobre esta base, se determina el precio comercial de cada una, es decir, se establece entre ellas una relación de precios, que, por mucho que varíe por acción de la oferta y/o la demanda,  gira en torno a la comparación de los valores.

La circulación o no circulación de la fuerza de trabajo no tiene, pues, nada que ver con la vigencia de la ley del valor. El único efecto que puede derivarse de la movilidad internacional de mano de obra se refiere a los precios de produción, al favorecer, en ese plano, la formación de la ganancia media.

¿Podría la circulación internacional de la fuerza de trabajo afectar el tiempo de trabajo socialmente necesario y, pues, la determinación del valor? Desde luego que sí, cuando permita el flujo de fuerza de trabajo con calificación; de nada serviría a un país importar un operador de tractores si lo condena a trabajar con una hoz. Pero, aunque la fuerza de trabajo calificada se inserte positivamente en un proceso de producción, ello no modifica el papel de la circulación de mercancías, que seguirá imperturbablemente comparando valores que han variado por cambios en el plano de la producción, tal como lo haría si estos valores no hubieran variado.

En cualquier hipótesis, la comparación de valores se expresa en una relación de precios, que, más o menos influidos por la circulación, siguen referidos al valor. Si mis desventurados “críticos” contaran con conocimientos elementales sobre la relación valor-precio no necesitarían descubrir triunfalmente que “los dos intercambios no son bien iguales”, o sea, lo obvio: que el valor no es lo mismo que el precio. Pero tampoco se escandalizarían de que los índices de precios puedan ser tomados como indicadores de valores, sobre todo para períodos largos (en que las variaciones de la circulación tienden a neutralizarse), y de que, por ende, al analizar el intercambio desigual es lícito y necesario recurrir al examen de la evolución de los precios relativos o, lo que es lo mismo, los términos de intercambio.

El no contar con esos conocimientos elementales lleva a los autores de las Desventuras a afirmaciones sorprendentes. Es así como, al discutir el efecto de las variaciones de precios en la cuota de ganancia de países con distinto grado de desarrollo, sostienen que, al aumentar los precios de los productos de los países de mayor desarrollo, dicha cuota no tendría porqué reducirse en el país de desarrollo inferior, pues “la importación de productos manufaturados continuaría realizándose por el mismo precio por unidad de producto industrializado.

Lo que ocurre de hecho no es el encarecimiento absoluto de los productos industriales, sino la mantención de su precio de venta, pese a la reducción de su valor unitario” (p. 17, subrayados de los autores). Como vemos, mis “críticos” suponen que los movimientos de precios no implican movimientos de valor; de tal manera que, al mantenerse el precio de mercado por encima del valor, esto no implicaría una transferencia de valor por parte de aquel que lo adquiriera, dando en cambio una mercancía cuyo precio se mantuviera a la par con su valor. Llegamos, pues, a un punto en que no sólo los intercambios no son “bien iguales”, sino que son ¡absolutamente diferentes!

El parráfo que sigue, en p. 17, no merece mayor atención: si se está diciendo que, al aumentar la productividad y reducirse el valor unitario de la mercancía, ello no afecta la cuota de ganancia, si la reducción del valor unitario se compensa con el aumento de la masa de valor producida, acorde con la inversión adicional que propició la elevación de la productividad, se está descubriendo el huevo de Colón y no habrá quien quiera decir lo contrario. Pero esto nada tiene que ver con la superexplotación del trabajo.

Esta implica que, sin variación del valor unitario, aumente la masa de valor producido y/o apropiado por el capitalista, ambos casos implicando aumento de la cuota de plusvalia. El aumento del valor apropiado, sin aumento de la masa de valor producido, corresponde a la reducción del salario sin una reducción equivalente del tiempo de trabajo necesario para que el obrero reponga el valor del mismo; el aumento de la masa de valor producido y apropiado resulta del aumento de la masa de trabajo rendido por el obrero, vía prolongación de la jornada de trabajo o intensificación del trabajo.

En su concepto, la superexplotación se expresa pues en el incremento de la cuota de plusvalía sobre la base de una masa mayor de plusvalía y un valor unitario constante; la única excepción, que la acerca al aumento de la explotación sobre la base de una mayor productividad del trabajo, adiviene del aumento de intensidad, el cual, si se generaliza a toda la rama de producción y se estabiliza a un nivel superior, conduce a la reducción del tiempo de trabajo socialmente necesario para producir la mercancía y, pues, a la reducción de su valor unitario.

Hasta ahora, nos hemos limitado a examinar los intentos de las Desventuras por criticar, en el plano teórico, mis planteamientos respecto al intercambio desigual y la superexplotación del trabajo, intentos que se frustran por el hecho de que estas son incapaces de plantear correctamente la relación entre valor y preioo, además de confundir sistemáticamente cuota de ganancia con cuota de plusvalía. Pero, en dado momento, las Desventuras cambian el enfoque para preocuparse de las implicaciones de la superexplotación en el desarrollo histórico del capitalismo mundial.

En este sentido, además de arrumbar en pie de página algunos datos sobre el comercio  exterior inglés, levantan una serie de cuestiones: la determinación del valor de la fueza de trabajo en Inglaterra (¿por qué se supone que los obreros ingleses no comían carne?); la composición y destino de las exportaciones latinoamericanas (¿por qué se supone que Inglaterra no importaba trigo desde América Latina?); las formas de explotación en países como Argentina y Uruguay (¿por qué el no tener los “peores niveles de vida” implica que no haya superexplotación del trabajo?). Como se ve, demasiados problemas para que los tratemos ligeramente. Nos limitaremos, pues, a señalar la metodología que debe seguir una investigación rigurosa sobre el problema planteado por las Desventuras, la cual comprende los siguientes pasos:

a) definir si, como plantea Marx, el comercio exterior, al abaratar el capital constante y/o el capital variable, incide en la composición del valor del capital y, por ende, en la cuota de ganancia;

b) explicar porqué los países avanzados han recurrido, para este fin, a las importaciones desde países atrasados (donde es menor la productividad del trabajo y, en consecuencia, es mayor la masa de trabajo incorporada a las mercancías, vale decir, su valor), así como los mecanismos que permitieron que éstos pudieran vender barato lo que, en principio, producían caro;

c) analizar la composición y el destino de las exportaciones de América Latina, así como la evolución de los precios relativos de su intercambio con los países avanzados;

d) tomar en cunta que, pese a la importancia de Inglaterra, América Latina no se integra propiamente a este país, sino al mercado mundial, y que otros mercados que no el inglés tuvieron importancia decisiva en la integración de países latinoamericanos, como el norteamericano para Chile, en cierto período, o Brasil; el alemán para Colombia; etcétera y

e) ponderar adecuadamente la contribución de las exportaciones latinoamericanas al mercado mundial, considerando a las transferencias de valor circulares, o indirectas, que implican que un valor cedido por Brasil e Estados Unidos, por ejemplo, pudiera ser apropiado finalmente por Inglaterra, gracias a sus transacciones con este país.[11]

Marxismo y sociologismo
Consideremos, finalmente, la cuestión de fondo que plantean las Desventuras, en este apartado. En efecto, pese a sus lucubraciones económicas, éstas no niegan “la diferencial de salarios en perjuicio de los trabajadores de la periferia” (p. 15), aunque el enredo que hacen con la cuota de ganancia y de plusvalía les impida plantearse seriamente la cuestión de si ello representa o no una superexplotación de esos trabajadores; tampoco niegan la existencia del intercambio desigual (p. 20), aunque tampoco puedan llegar a una conclusión definitiva sobre el mismo, debido a su confusión entre valor y precio, así como entre producción y circulación.

Pero sus desafortunadas incursiones en materia económica son, en cierto sentido, marginales respecto a la tesis que sustentan: la de que el “fundamento dinámico” de esos fenómenos es la lucha de clases (p. 15) o lo “básico” es “la dinámica que se deriva de la lucha entre las clases” (p. 20). Nos encontramos, pues, de nuevo, con el enfoque sociologista del ya mencionado trabajo de Cardoso y Faletto, que ha ganado nuevos bríos en América Latina con la difusión de las tesis de la escuela althusseriana y los coletazos del maoísmo.

Ahora bien: cualquier marxista sabe, con Marx y Engels, que la historia de la humanidad es la historia de la lucha de clases y, con Lenin, que la lucha de clases es el único terreno en que un marxista se mueve con firmeza. Sin embargo, esto no quiere decir que la lucha de clases se explique  por sí misma o, si se quiere, que sea el deux ex machina que permite explicarlo todo. Más bien, para un marxista, la tarea reside siempre en el plano del análisis abstracto como en el del concreto, en conocer qué es lo que explica la lucha de clases y esto remite, necesariamente, al examen de las condiciones materiales en que ella se da. Esas condiciones  -que se captan mediante conceptos y se rigen por leyes y tendencias objetivas– generan contradicciones, que no son ni mucho menos “parámetros económicos” que “el juego político hace moverse en una o otra dirección” (p.20). La lucha de clases es  la síntesis de las condiciones en que los hombres hacen su existencia y se encuentra, por esto mismo, regida por leyes que determinan su desarrollo. Es por lo que la relación entre teoría y práctica constituye el eje de la dialéctica marxista.

Al sostener que la historia es la historia de la lucha de clases, Marx no se limitó a describir la lucha de clases: se esforzó por distinguir los modos de producción que contituyen su fundamento y dedicó toda su vida al estudio de las leyes del modo de producción capitalista, para armar al proletariado –teórica, ideológica e políticamente– en su lucha de clase contra la burguesía.

Construyó un aparato conceptual para explicar la lucha de clases que se ejerce en ese modo de producción; así, por ejemplo, el concepto de valor de la fuerza de trabajo es la clave para el análisis de la lucha de clases entre obreros y capitalistas, en el plano económico, los primeros peleando por un salario que respete ese valor, los segundos entendiendo que “la gratitud del obrero es un límite en sentido matemático, que nunca puede alcanzarse, aunque sí pueda rondarse”;[12] pero ese concepto no sirve para explicar la lucha de clases en una sociedad esclavista ni tampoco en una sociedad feudal, a las que sólo se puede aplicar por extensión, ya que es una categoría típica de un modo de producción basado en el trabajador asalariado libre. Al esclavo no se le ocurrirá reclamar al esclavista el pago del valor de su fuerza de trabajo, por el simple hecho de que ésta  no se paga  y, en cierto sentido,  no reviste para él un valor, así como su trabajo le parece como un trabajo que realiza parcialmente para sí;[13] reclama simplemente el derecho a disponer de su persona, lucha por su liberdad.

Prosigamos: es precisamente porque, en cada época de la humanidad, la lucha de clases se rige por leyes específicas que se hace necesario construir el instrumental teórico que nos permita explicar su desarrollo. Según el nivel de análisis, más abstracto o más concreto, el énfasis se desplaza hacia la manera cómo las leyes generales se realizan a través de la lucha de clases o hacia el modo cómo la lucha de clases actúa sobre la realización de esas leyes. Un marxista sabe que una y otra manera de enfocar el problema no es más que eso: enfoques impuestos por el nivel del análisis y es porque la lucha de clases es la expresión de contradicciones que se rigen por leyes específicas que es tan necesario no contentarse jamás con la descripción de la forma aparencial de la lucha de clases, sino más bien armarse de conceptos rigurosos que permitan iluminar sus determinaciones profundas.

Sin embargo, por elevado que sea el nivel de abstracción, el anásis marxista está siempre informado por la lucha de clases y remite necesariamente a ella. En ningún momento, el análisis marxista se detendrá en la descripción neutral de un hecho, por más ajeno que parezca ser a la acción de los hombres, ni perderá de vista sus implicaciones por las relaciones que, sobre la base de ese hecho, éstos establecen entre sí, relaciones que, en una sociedad de clases, se expresan siempre en la lucha de clases. Y es esto lo que lo distingue de los análisis no marxistas, por más que éstos, ante la incapacidad de explicar una realidad social dada, recurran al “ábrete sésamo” de la lucha de clases, el cual, en este caso, no abre, sino que cierra la puerta al tesoro del conocimiento.

Así, un marxista no se contenta con decir que “los aumentos de productividad en la producción de M (máquinas textiles, por ejemplo) son rápidos –dado que el progreso técnico tiende a penetrar y difundirse con mayor vigor y amplitud en las acividades industriales– y no se traducen en reducción proporcional significativa del precio unitario de M”, mientras que “los aumentos de productividad en la producción de P (café, por ejemplo) son más lentos –dada la naturaleza de las actividades primarias– y tienden a reflejarse en reducciones proporcionales de los precios” (Desventuras, p. 9, exponiendo tesis de la CEPAL).

Los aumentos de productvidad en la industria son rápidos porque el progreso técnico se difunde con mayor vigor en las actividades industriales, son lentos en la producción primaria dada la naturaleza de las actividades primarias: se trata de descripciones ya ni siquiera neutrales, sino tautológicas. Nada de eso nos explica la dinámica del progreso técnico en las diferentes esferas de la producción. Para hacerlo, un marxista toma la relación entre  trabajo vivo y trabajo muerto y la aplica a la producción de materias primas y alimentos, así como a la producción manufacturera, y constata que, en la primera,  prima el trabajo vivo, la acción directa del hombre sobre la naturaleza, mientras que, en la segunda,  se amplía la parte que cabe al trabajo muerto (materias primas y instrumentos de trabajo).[14]

Esto le permite entender la tendencia de la economía dependiente, productora de materias primas y alimentos, a reposar más en la explotación del trabajo como tal y, en la medida en que tiene en ésta “su fuente inmediata de nueva acumulación”,[15] hacer que la acumulación dependa en mayor grado de la explotación de la fuerza física del trabajador, mediante a incorporación de más fuerza de trabajo a la producción (lo cual puede implicar el aumento del número de trabajadores, lo que, a circusntancias iguales, aumenta la masa de valor sin alterar la cuota de plusvalía, o la prolongación de la jornada de trabajo y/o la intensificación del trabajo, lo que hace variar positivamente una y otra).

Pero sigamos examinando las tesis que reivindican las Desventuras: decir que los aumentos de productividad en la industria “no se traducen en reducciones de precios”, mientras que eso sí pasa en la agricultura, no sólo no explica nada, sino que  es falso. Si queremos saber cómo el aumento de la productividad actúa sobre los precios internacionales, es necesario tener presente que “en el mercado mundial, el trabajo nacional más productivo se considera al mismo tiempo como más intensivo, siempre y cuando que la nación más productiva no se vea obligada, por la concurrencia, a rebajar el precio de venta de sus mercancías hasta el límite de su valor”.[16]

En otras palabras: aunque la productividad reduzca el valor unitario de la mercancía, ésta puede venderse en el mercado mundial  por encima de su valor, si la concurrencia no actúa en sentido contrario. “La jornada más intensiva de trabajo de una nación se traduce en una expresión monetaria más alta que la jornada menos intensiva de otro país”.[17] Es esta la razón fundamental por la cual las relaciones entre las economías capitalistas avanzadas y dependientes, al expresar relaciones de intercambio entre sistemas productivos con distintos niveles tecnológicos y, por ende, con distintas intensidades medias de trabajo, llevan normalmente a que se operen transferencias de valor vía precios, es decir, que se realice un intercambio desigual que corresponde, a la vez, al deterioro de los términos de intercambio en perjuicio de las últimas. Y es por esto, también, que éstas tienen que recurrir, como medida de conpensación, a aumentar la magnitud extensiva e intensiva del trabajo que explotan, o sea, a los métodos de superexplotación del trabajo referidos a la producción.

Los autores de las Desventuras se darán cuenta, ahora, que hacer reverencias a la lucha de clases no es la panacea para los problemas del conocimiento (menos aún cuando ésta es olvidada en la primera ocasión que se presenta, en favor de proposiciones tautológicas que la excluyen) y que las cuestiones que los preocupan en este apartado se rigen por leyes económicas objetivas, que la CEPAL nunca fue capaz de formular. El enfoque sociologista, por atractivo que parezca, no nos permitirá jamás saber porqué la clase obrera de los países capitalistas avanzados ha podido librar su lucha de clase con mejores resultados que la de las economías capitalistas dependientes. Para entenderlo, hay que tomar en cuenta “la presión sorda de las condiciones económicas”, como diría Marx.

II
Los apartados III y IV de las Desventuras se refieren a lo que constituye el objeto central del trabajo: refutar algunos de mis planteamientos sobre el caráter y las tendencias del desarrollo capitalista reciente en Brasil. Aquí, se abandona el ya reducido decoro que la “crítica” había conservado, en las partes precedentes: la truculencia se acentúa y los falseamientos no se limitan ya a la interpretación distorsionada de mis textos, sino que sencillamente los mutilan o alteran. Unos cuantos ejemplos serán suficientes.

En p. 28, las Desventuras citan: “se asiste en toda América Latina a la resurrección de la vieja economía primario-exportadora” (subrayado por los autores), remitiendo a DD, p. 75, donde se lee: “se asiste en toda América Latina a la resurrección de la vieja economía exportadora”. En p. 41, lo que se repite en p. 44, citan: “se cierra cualquier posibilidad de estímulo a la inversión” en el sector de bienes-salarios; la frase dice: “se cierra cualquier posibilidad de estímulo a la inversión tecnológica” en dicho setor (DD, p. 43; mis “críticos” subrayan cualquier, la palabra-clave en la frase es estímulo). En la p. 27, tras remetirse a un pasaje referente a la relación entre la realización de la producción industrial y las remuneraciones de los trabajadores (DD, p. 64), señalan que, para “rectificar o al menos precisar mejor”, el análisis, yo añadí un párrafo que toman de p. 72; en realidad, la primera cita se refiere a un determinado período (la industrialización hasta la década de 1940) y la segunda a otro (la que, con nuevo carácter, se desarrolla en los cincuentas y sesentas), estando dicho corte histórico claramente especificado en el texto (subtítulo: “El nuevo anillo de la espiral”, DD, p. 66).

En p. 40, citan: “el aumento de la productividad conducida por la técnica no puede traducirse en ganancias” (en el sector de producción suntuaria); el párrafo dice: “…toda vez que no representan bienes que intervengan en el consumo de los trabajadores, el aumento de productividad inducido por la técnica en esas ramas de producción no ha podido traducirse en mayores ganancias a través de la elevación de la cuota de plusvalía, sino tan sólo mediante el aumento de la masa de valor realizado” (DD, p.72).[18]

En p. 38, nota 40, las Desventuras se refieren a un pasaje en que explico que el aumento de la productividad, al reducir el valor individual de las mercancías, afecta negativamente a la plusvalía, calificándolo de absurdo. Veamos el contexto de la afirmación. El extracto de las Desventuras es tomado de un extenso razonamiento sobre el efecto de la productividad del trabajo como tal y su empleo como método de producción de plusvalía por el capital, donde señalo que, dada esa característica de la productividad (la reducción del valor individual de la mercancía), la cuota de plusvalía sólo no se afecta negativamente si el capital logra extraer más trabajo (es decir, una mayor cauntidad de mercancías y, pues, una masa acrescentada de valor).

Esto implica necesariamente mantener la jornada de trabajo (pese a que la productividade reduce el tiempo de producción de la mercancía) y/o aumentar la intensificación del trabajo (pese a que la productividad reduce el esfuerzo físico necesario para la producción de la mercancía); en consecuencia, “lo que aparece, en el plano de la producción, como una disminución del tiempo de producción se convierte, desde el punto de vista del capital, en aumento de la producción exigida al trabajador (DD, pp. 95-96, subrayado en el original).[19]

Observemos que ese razonamiento se hizo precisamente en el contexto de una crítica a Cardoso, quien, en polémica conmigo, opuso tajantemente el aumento de la plusvalía relativa (Cardoso quería referirse a la productividad del trabajo) al incremento de la explotación de la fuerza física del trabajador, admitiendo implícitamente que “el capitalismo, a medida que se aproxima de su modelo puro, se convierte en un sistema cada vez menos explotativo y logra reunir las condicciones para solucionar indefinidamente sus contradicciones internas” (DD, p.98). Las Desventuras no hacen más que confirmar que yo tenía razón al atribuir a Cardoso esa visión idílica y apologética del capitalismo.

Este penoso recuento podría prolongarse, pero la muestra basta para que se juzgue el grado de honestidad y de seriedad de mis “críticos’. Vayamos, pues, a lo que las Desventuras pretenden demostrar, en esos dos apartados: que el esquema de realización de la economía subimperialista brasileña, tal como lo he planteado, es falso y que ésta no supone la superexplotación de los trabajadores. Recordemos brevemente que, de acuerdo con mi planteamiento, dicho esquema de realización reposa en el mercado externo, el consumo interno suntuario y la demanda estatal.[20] La tesis de mis “críticos” es la de que tanto el mercado externo como el Estado han actuado en el sentido de absorber demanda y que, aunque no nieguen el desarrollo del consumo suntuario, se debe hablar más bien de expansión del mercado interno en general, el grado de explotación de los trabajadores no siendo, a su modo de ver, un obstáculo para que éstos hayan contribuido a dicha expansión.

Señalamos, inicialmente, la manera equivocada como las Desventuras plantean la discusión: su preocupación es la demanda interna, la mía es la demanda global que exige la producción capitalista brasileña. Adicionalmente, la suposición de que yo afirmo que los trabajadores no participan del mercado interno es una caricatura, establecida con base en los procedimientos que reseñé anteriormente. Lo que sostengo es, simplemente, que la superexplotación, al restringir el consumo popular, no lo convierte en factor dinámico de realización y lleva a que las ramas orientadas al consumo popular “tiendan al estancamiento e incluso a la regresión”. (DD, p. 73) o se expandan con base en el mercado mundial: “La exportación de manufacturas, tanto de bienes esenciales como de productos suntuarios, se convierte, entonces, en la tabla de salvación de una economía incapaz de superar los factores disruptivos que la afligen” (DD, p. 75).

Observemos que, al hablar de estancamiento y regresión, no tengo en mente el monto absoluto de la producción, sino  tasas de crecimiento (cfr. DD, p. 73 y 74); no descarto, pues, lo que sería ridículo, que las ramas que producen para el consumo popular sigan creciendo y mucho menos supongo –como las Desventuras dicen que “insinúo” (sic)– que el capitalismo dependiente se encuentre “al borde del colapso debido a la progresiva elevación de los precios de bienes-salários” (p. 41-42). Mi tesis central, sobre la que insisto en todos mis textos, es otra: el capitalismo dependiente, basado en la superexplotación del trabajo, divorcia el aparato productivo de las necesidades de consumo de las masas, agravando así una tendencia general del modo de producción capitalista; elllo se expresa, a nivel de la diversificación del aparato productivo, en el crecimiento monstruoso de la producción suntuaria, respecto al sector de producción de bienes necesarios, y, por ende, en la distorsión equivalente que regista el sector de producción de bienes de capital.

El Estado como factor de realización

Aclarado esto, vayamos a la argumentación de las Desventuras respecto a su propia tesis sobre la realización de mercancías en el capitalismo brasileño. Aunque no sea el mejor, sigamos el orden de esa argumentación, empezando con el Estado y preocupándonos, inicialmente, con su papel como promotor de demanda en general; luego, trataremos la pretendida identidad que, según mis “críticos”, yo establecería entre gasto público y gastos militares.

Lo primero que llama la atención, en el razonamiento de las Desventuras, no es ya tanto su falta de rigor, como su torpeza o mala fe. Así, analizando los gastos generales del gobierno como porcentaje del PIB, por principales rubros (Cuadro 1), sostienen que el incremento de 1.4% del total, observado entre 1959 y 1973, podría “probablemente haberse dado antes de 1964”, para, en seguida, decir que ese incremento “se explicó primordialmente por la elevación de los gastos de transferencias… cuyo destino principal fue el financiamiento de la construcción de viviendas (vía FGTS–Fondo de Garantía de Tiempo de Servicio)”; de este modo, un incremento que “puede” haberse dado antes de 1964  es achacado a un instrumento creado en 1967… más abajo, afirman que los subsidios se redujeron (lo que, pese a ser sólo una media verdad, como veremos, no puede ser verificado por el lector, ya que el cuadro los presenta agregados a transferencias, en un item que se eleva de 5.1% a 8.9% en el período), y dan como una de las causas de esa reducción el “cambio en la política de precios de las empresas públicas”, cuidándose de no explicitar a qué empresas se refieren; la misma preocupación les hace pasar por alto el hecho aparentemente sorprendente de que se reduce también la parte del Estado en la formación de capital fijo.

Lo primero a señalar es que el análisis correcto del gasto público strictu sensu, es decir, presupuestario, no puede hacerse mediante fechas tomadas aparentemente al azar. Un estudio más cuidadoso muestra otra cosa: la elevación de la curva del gasto público a partir de 1943, llevando a que, en la década 1939-1949, este subiera de 17,8% a 19,4% respecto al PIB. En 1959, correspondía ya a un 22,8% y seguiría subiendo en la década de 1960, para alcanzar un 23,4% en 1964 y, luego, un 24,8% en 1968, pese a la severa restricción a que fue sometido, en el marco de la política antiinflacionaria del gobierno de Castelo Branco.[21] El mismo estudio presenta la cifra de 32,2% para el año 1969, la cual, tras ser aceptada por Werner Baer (uno de los autores que las Desventuras utilizan para construir su cuadro 1), es corregida por éste para 34%.[22] En todos los casos, se manejan datos oficiales.

Como se ve, el problema es un poco más complejo. Sin embargo, es efectivo que el gasto público presupuestario no presenta actualmente, en Brasil, tendencia ascendente y sufrió incluso una reducción, después de la década de 1960. La razón de su crecimiento, entre los años cuarentas y 1964, se explica por el carácter del Estado, que expresaba el compromiso de la burguesía agraria y mercantil con la burguesía industrial en su conjunto, siendo, para usar una expresión con sabor jruschoviano, un Estado de toda la burguesía. Esto lo llevaba a abusar del gasto e incurrir frecuentemente en el déficit, subsidiando de manera no discriminatoria a la burguesía y beneficiando también a la pequeña burguesía, clase de apoyo del sistema de dominación, así como de manera mucho más limitada, a la misma clase obrera. Estos beneficios empezaron a cortarse desde que con el golpe militar, se alteró la alianza de clases que sostiene al sistema de dominación, mientras, a nivel del Estado, se imponía la hegemonía del gran capital nacional y extranjero; a partir de entonces, la misma burguesía se ha visto sometida a mecanismos de subvención selectivos y discriminatorios, que juegan en favor de la fracción monopólica hegemónica.[23]

Ahora bien: en las condiciones de crisis económica, que venía desde 1962 pero que se agudiza a mediados de la década, y de hegemonía aún no consolidada del gran capital, el Estado se ha visto seguramente forzado a usar con prudencia esos mecanismos  selectivos y a mantener incluso gastos superfluos –en las nuevas condiciones de alianza de clases– para no agravar hasta el límite la política recesiva, puesta en práctica por el entonces ministro de Planeaminento, Roberto Campos.

El alza que se observa en el presupuesto, en 1969, aunque parezca desmesurada y deba ser sometida a verificación, es congruente con el filopopulismo del gobierno de Costa e Silva y a las modificaciones de la política económica, la cual, desde 1967, se hiciera más flexible para alentar la expansión. La intensa lucha de clases de ese período y el cuestionamiento a la fracción hegemónica, al interior del bloque dominante, constituyen, sin duda, factores que pueden haber provocado el aumento del gasto público. Esta situación se modifica, en el curso de 1969, con el ascenso del tercer gobierno militar, de Garrastazu Médici, el cual consagra, ya en un marco de expansión económica, la hegemonía del gran capital y consolida las tendencias que, a nivel de la acumulación como de su realización, se habían gestado en los seis años anteriores; en esas condiciones, es comprensible la contención del gasto público, en favor de las medidas discriminatorias de subvención al gran capital.[24]

Queda en evidencia que el simple manejo de datos empíricos, desprovistos de la significacion que les da la lucha de clases, como hacen las desventuras, más que faciliar, dificulta la  comprensión de las cosas –y esto sería cierto aun si esos datos se maejaran de manera estadísticamente correcta. Más grave, sin embargo, es el hecho de que, al proceder así, las Desventuras se están esforzado por escamotear aspectos fundamentales para el análisis del problema. En efecto, al analizar el papel del Estado como promotor de demanda, dejan en la sombra una cuestión de exrema importancia: las empresas estatales (paraestatales o mixtas); señalemos, de paso, que, dadas las cifras que manejan, nuestros “críticos” no incluyen en el gasto público el de lo gobiernos municipales y sus empresas, lo que deja también fuera sumas cuantiosas, como las que moviliza, por ejemplo, el municipio de São Paulo.

Veamos lo de las empresas estatales. En 1971, entre las 25 mayores firmas de Brasil, en términos de activos, diecisiete pertenecían al gobierno y acaparaban el 82% de los activos del grupo, así como el 31% de las ventas.[25] El Estado detentaba, respecto al valor de los activos de la rama, el 72% en la industria siderúrgica, el 60% en la minería de hierro, el 81% en la explotación, refino y distribuición de petróleo; tenía, además, el cuasi monopolio del transporte por ferrocarril y de las comunicaciones, y controlaba cerca del 70% del transporte marítimo.

Reemplazará los subsidios presupuestarios por subdidios que no constituyen directamente desembolsos, como los incentivos fiscales (que equivalía a cerca de la mitad de la recaudación por concepto de impuestos directos) y crediticios. Disponía del control del crédito y contaba con el mayor banco comercial del país: el Banco do Brasil (el cual, según la publicación francesa Le Nouvel Economiste, de junio de 1977, pasó a ocupar el año pasado el décimo lugar en el ranking mundial de organismos de crédito, con depósitos por 22 mil millones de dólares, un balance total de 39 mil millones y un monto de créditos concedidos del orden de 32 mil milliones de dólares), cuatro instituiciones federales de crédito y 32 bancos comerciales y de fomento.

Ignorar este conjunto de elementos, cuando se trata de evaluar el impacto del Estado en el proceso de realización de mercancías, parece realmente inconcebible. Aún más porque, a nivel del simple dato empírico, el gasto total del sector público, incluyendo las empresas estatales y excluyendo a los gobiernos municipales y sus empresas, representó el 50% del PIB, en 1969. Aun considerando que, posteriormente, la parte relativa al gasto presupuestario bajó, ocurrió lo opuesto con el de las empresas públicas, dando incluso pretexto a que, después de 1974, la burguesía de São Paulo levantara una campaña contra la “estatización de la economía”. Más importante todavía que el gasto total, es la participación del Estado en la inversión fija, que expresa el monto de demanda que el Estado y sus empresas generan para los bienes de capital: el sector público, como lo definimos antes, respondió por el 61% del total de la inversión fija en el país, ese mismo año (34% generado por el gasto presupuestario y 27% por las empresas estatales), lo que correspondió a un 10% respecto al PIB, contra un 6,5% del sector privado.

Pero las Desventuras no se han preocupado tan sólo de escamotear una dimensión esencial del análisis sobre el Estado, sino que han tratado también de confundir el problema, mezclando deliberadamente la cuestión de gasto estatal en general y la de los gastos militares del Estado. Parecería que, desde mi punto de vista, sólo a través del gasto militar el Estado podría influir sobre la realización de las mercancías. Ahora bien, mi tesis sobre el Estado subimperislita brasileño se limita a señalar que el régimen tecnocrático-militar tiende necesariamente a promover el crecimiento de ese tipo de gasto. Lo más curioso es que, tras insistir reiteradamente en la confusión entre gasto estatal y gasto militar, las Desventuras deciden no tratar el tema, alegando que “lamentablemente, no hemos podido encontrar datos estadísticos que pudieran dar una idea de su significación”. (p31)

¡Singular manera de encarar la vida! Lo que no puede expresarse a través de datos estadísticos, queda fuera de cogitación. Es cierto que el análisis puramente estadístico del problema no es facilitado por el gobierno ni por los militares, aunque parezca ser también cierto que los investigadores que, en Brasil, podrían obtenerlos no se han preocupado de ello. Sin embargo, ya en Subdesarrollo y Revolución se indicaban elementos para abordar el problema (cfr. p. 71-73). La denuncia de los acuerdos de cooperación militar con Estados Unidos, en 1977, por parte del gobierno brasileño, así como las declaraciones de distintos personeros militares respecto a la creación de un “complejo industrial-militar” han vuelto a poner el tema en evidencia, junto con informaciones de prensa sobre pasos dados hacia la efectivación de dicho “complejo”. Se conoce, incluso, su localización: la zona industrial de Belo Horizonte, así como el hecho de que empresas como la Fiat y la Krupp se hallan involucradas en el mismo.

Desde  distintos puntos de vista, se puede intentar evaluar la magnitud del problema.[26] Lo primero a considerar es que, desde el punto de vista del presupuesto público, los gastos militares han presentado incremento, habiendo su participación en el mismo aumentado de un 15.2% en 1963 a un 25% en 1965 (Fishlow). Estimados como porcentaje del PIB, dichos gastos han oscilado en torno a un 2%, salvo años excepcionales, a juzgar por los datos que proporciona el SIPRI. El IISS, aunque maneje cifras más bajas, en relación con el presupuesto público (en torno a un 10%, los últimos años) y el PIB (en torno a 1,3%). Esta última estimativa parece dudosa, una vez que, según Fishlow, sólo las remuneraciones de los militares habían correspondido, en 1965, a un 1,3% del PIB. Quedaría todavía por determinar si las remuneraciones de los militares se refieren exclusivamente a las fuerzas armadas o comprenden también los servicios de orden y seguridad.[27]

La fabricación de armamentos por establecimientos militares se encuentra, hoy, concentrada en la Industria de Material Bélico (IMBEL), de reciente creación. De acuerdo a la información de su director saliente, general Augusto de Oliveira Pereira, ésta cumplió ya su primera fase, que consistía en la absorción de los ocho establecimientos fabriles del Ejército, la segunda fase consistiendo en la contratación de acuerdos de producción con la empresa privada.[28] En realidad, esta línea de acción se inició desde 1965, al crearse el Grupo Permanente de Movilización Industrial (GPMI), siendo una de sus primeras iniciativas la producción de vehículos militares por la Volkswagen.[29]

Se crearon, posteriormente, con participación del capital privado, establecimientos del tipo de la Empresa Brasileña de Aeronáutica (EMBRAER), cuya produción de aviones tiene como principal mercado a las fuerzas armadas brasileñas. Más recientemente, se constituyó, con capital privado nacional y de la Aerospastiale francesa (conocida por integrar el grupo que fabrica el Concorde y por su abundante suministro de material bélico a países dependientes, en especial del Medio Oriente), la Helicópteros de Brasil (Helibrás), en la que la participación estatal se realiza a través del gobierno de Minas Gerais; según informaciones de prensa, se fabricarán helicópteros para uso civil y militar, destinándose una parte a la exportación.

En la línea de fabricación de cohetes, destaca la Avibrás, que produce el Sonda-I y II, y desarrolla, en colaboración con el Centro Técnico Aeroespacial de São José dos Campos, perteneciente a la Fuerza Aérea, el Sonda-III, que alcanza 500 km de altura, con el cual Alemania Federal reemplazará las importanciones de cohetes de este tipo desde Estados Unidos, Inglaterra y Canadá, de acuerdo al tratado sobre cooperación científica y tecnológica, firmado este año con Brasil. Ninguna de estas empresas se contempla, naturalmente, en el presupuesto público.

Finalmente, sobre la base de informaciones del SIPRI, es posible formarse una idea cualitativa del desarrollo de la producción bélica brasileña, como lo muestra el cuadro abajo:

Se observa la preponderancia de Europa Ocidental, es decir, de la OTAN, en el desarrollo de la industria bélica brasileña, particularmente en lo que se refiere a armamentos sofisticados. Es de notarse también que el SIPRI registra exportaciones brasileñas de aviones, tanques y vehículos blindados a Bolivia, Chile, Paraguay y Qatar; si consideramos la información de IISS, habría que agregar Uruguay, Togo y Libia. Este último país negoció, en 1977, la compra de 400 unidades de vehículos blindados (“Cascavel” y “Urutu”), a un precio estimado en 400 milones de dólares.[30] En lo que se refiere a armamento ligero, Brasil ha alcanzado ya la autosuficiencia, según han afirmado las autoridades militares, y hace tiempo realiza exportaciones en ese renglón, particularmente, a los países de América Latina.

El papel del comercio exterior en la realización

Respecto al papel de las exportaciones en el esquema de realización de mercancías de la economía brasileña, las Desventuras presentan una estimación cuantitativa, sobre la base de la relación entre el saldo de la balanza comercial (negativo desde 1967 y hasta 1976) y el gasto interno bruto (consumo individual total, inversión pública y privada, gasto estatal presupuestario  y saldo de las exportaciones e importaciones), para constatar lo obvio: que las variaciones positivas o negativas de dicho saldo se expresan directamente en variaciones positivas o negativas del gasto bruto.

A esto, aunan una curiosa manera de evaluar los datos porcentuales, a punto de considerar “insignificantes” variaciones del orden del 4,6% en mediciones macroeconómicas y poco significativas variaciones del orden del 12,5%  (las exportaciones “crecieron aceleradamente entre 1965-1975, pero explicaron sólo  un octavo del crecimiento de la DIB”, p. 33, subrayado por los autores). Finalmente, exhiben una vez más su torpeza en la manipulación de los datos, al relacionar las exportaciones con el gasto interno bruto, cuyo concepto las excluye, en la medida en que se ha establecido en fución del saldo del comercio exterior.

Recordemos lo ya dicho, en el sentido de que la cuestión no reside tanto en saber cuál es la demanda interna, sino en conocer cómo se estructura ésta y qué relación mantiene con la demanda externa, considerando a ambas como esferas especiales de la circulación global de las mercancías producidas en Brasil. Ello no supone, ni mucho menos, que, desde el lado de la oferta, no crezcan las importaciones; más bien, dicho  crecimiento no sólo es explicable sino compatible con la expansión de la economía subimperialista y de la economía capitalista mundial. En efecto, al extender el campo de la circulación, las exportaciones aseguran condiciones para el desarrollo de la acumulación;[31] en la medida en que ésta se realiza en una economía dependiente, las exportaciones implican la reproducción ampliada de la dependencia.

La economía se hace, pues, mayormente dependiente en materia de importación de mercancías, capitales y tecnología, mientras que, en sentido inverso, el flujo de mercancías, capitales y tecnología generado en el exterior se viabiliza precisamente sobre la base del crecimiento de las exportaciones brasileñas, compatibilizando pues el desarrollo de la economía subimperialista con las exigencias de la economía capitalista mundial.

Nada de ello impide que el aumento de las exportaciones corresponda a una expansión de la producción más rápida que la del consumo interno, lo que implica que la economía subimperialista deba acentuar su volcamiento hacia el exterior, so riesgo de bloquear su proceso de acumulación. Si consideramos el período posterior a 1968, por ejemplo, y descartamos los años de crisis (en los que, precisamente, esa tendencia empezó a perfilarse, permitiéndonos captarla), observamos que el PIB creció un 10% al año, declinando después de 1974, lo mismo que sucedió con el PIB manufacturero, cuyas tasas de crecimiento en la fase de prosperidad fueron de un 13% anual; mientras tanto, las exportaciones aumentaron, en el perído 1968-1976, a una tasa anual del 20% y las exportaciones de manufacturas lo hicieron a un ritmo todavía más rápido, por encima del 50%.[32] Esto lleva a que, cualquiera que sea el procedimiento estadístico adoptado (y, en esa materia, a diferencia de lo que afirman dogmáticamente las Desventuras, no hay procedimiento mejor o peor, sino más o menos adecuado a lo que se quiere demonstrar), la conclusión apunte siempre a la importancia creciente de las exportaciones totales y, en particular, de manufacturas en el esquema de realización del subimperialismo brasileño, así como, por la razón indicada, a la importancia creciente del comercio exterior en su conjunto en la dinámica económica del mismo.[33]

El que la balanza comercial arroje un saldo negativo, no afecta para nada el problema, bastando con recordar que (en proporciones mayores, dado el distinto tipo de estructura económica y la fase de integración del mercado mundial a que corresponde), el déficit del comercio exterior de los países europeos pasa de ser el 11,4% de las importaciones, en 1860, al 17,4%, en 1910, con una incidencia particularmente fuerte en Inglaterra: 23,5% en 1857-61 y 23,6% en 1909-1913.[34] Esto no quiere decir que no se pueda estimar, para este último país, que la contribuición directa de las exportaciones adicionales a la producción nacional bruta adicional, en términos de valor, haya sido del 24,1%, en el período 1857-61, a 1873-77, y del 26,7%, en el período 1893-97 a 1909-13.[35]

Si nos preocupamos de la estructura de las exportaciones, nos sorprendemos aún más con las consideraciones que sobre el tema tejen las Desventuras. Es así como estiman despreciable la contribución de las exportaciones de manufacturas al crecimiento de la circulación, por el hecho de que “explican tan sólo un tercio del crecimiento de las exportaciones totales”; es decir, el hecho de que dichas exportaciones hayan pasado del 7% del valor exportador en 1964 al 34% en 1976, aumentando a tasas anuales que llegan a veces al 60%, no les preocupa lo más mínimo. Les preocupa aún menos, cuando constatan que las exportaciones de manufacturados representan menos de un 3% del valor de la producción industrial.

La creencia popular afirma que la ignorancia es la madre de la felicidad. ¿Podrían dormir tan tranquilamente nuestros “críticos”, si se hubieran dado cuenta de que, mientras la producción industrial, en el período considerado (1965-1975),  creció a una tasa media anual de un 11%, aumentando menos de tres veces, la exportación de manufacturados lo hizo a una tasa de 15%, aumentando cuatro veces? ¿Cómo explicar esa disparidad? ¿No sería necesario, considerar al revés de cifras globales, el grado en que las exportaciones adicionales de manufacturas explican el crecimiento adicional de la demanda global de bienes industriales, así como de la producción industrial, como lo hacen autores más rigurosos?

Pero las Desventuras van más lejos. Reprochan a la exportación de manufcturados de constituirse en un 50% de bienes de origen tradicional (es decir, de consumo necesario), olvidándose de que países imperialistas de la talla de Gran Bretaña seguían ostentando, en su pauta de exportación total, una participación de un 40% para los textiles, antes de la primera guerra mundial, y que Estados Unidos entra en la fase imperialista mantienendo durante un largo período la predominancia de bienes primarios en sus exportaciones, las cuales siguen siendo en nuestros días un elemento sifnificativo de ellas.

Peor todavía, las Desventuras no se dan cuenta de que contradicen su intención de refutar mi tesis, según la cual la debilidad del mercado interno hace que el subimperialismo brasileño deba exportar bienes de consumo necesario, para asegurar el crecimiento de la producción. Ello no impide que la tendencia sea el aumento de la exportación de bienes suntuarios y de capital más que de consumo necesario, exceptuados los productos agrícolas de gran aceptación en el mercado mundial, como la soya. Así, en 1969, las ramas cuya participación en el valor de la exportación de manufacturados excedió el 6% (alimentos, química, metalúrgica, textil, material de transporte, material eléctrico y mecánica), representando un 70% del total, sólo incluyeron a dos que se pueden considerar “tradicionales” (alimentos y textil), con menos del 25% del total.[36] En 1977, en las exportaciones totales, los cuatro grupos de manufacturados que comparecen entre los diez primeros de la lista sólo incluían una que corresponde a un producto de consumo habitual, aunque “no tradicional” (café industrializado), y tres que corresponden a bienes suntuarios o de capital (material de transporte; máquinas, calderas, aparatos y instrumentos mecánicos; y máquinas y aparatos eléctricos, incluyendo repuestos).[37]

Tras intentar utilizar a las exportaciones de bienes esenciales contra mi tesis repecto a las tendencias de las exportaciones de manufacturados, las Desventuras se ocupan, después, del crecimiento de la industria de bienes de consumo necesario en sí, pretendiendo que dicho crecimiento debe tratarse en separado de las exportaciones de dichos productos. Así, por ejemplo, al referirse al tema, acotan: “Se dirá, con razón, que parte de ese dinamismo se explica por el crecimiento de las exportaciones, las cuáles, sólo para los textiles, se elevaron dos veces y media en quantum, entre 1970-1974… Pero el argumento no es éste” (p. 42, subrayado mío). Pero, mis desventurados “críticos”, ¡sí se trata precisamente de esto!

No deja de ser patético el esfuerzo de las Desventuras por confundir el asunto. Sus consideraciones sobre el aumento de la producción de bienes-salario no sólo se establecen exclusivamente en función de la demanda interna (aunque, como acabamos de indicar, saben que ese aumento tiene mucho que ver con el mercado exterior), sino que:

1) Combaten una tesis inexistente, como la de que la producción de bienes-salario no puede crecer (!);

2) Giran en torno a la cuota de ganancia, pese a que incluyen su argumentación en el apartado relativo a la superexplotación del trabajo, donde las cosas se tienen que ver desde el ángulo de la tasa de explotación y, pues, de la cuota de plusvalía;

3) Hacen afirmaciones del más extraño tenor, como las de que:

a) la industria no puede elevar su cuota de plusvalía, “debido a que los trabajadores no consumen sus productos” (p.37); la relación entre la cuota de plusvalía y la realización del producto, sólo las Desventuras lo saben; el capitalista puede realizar total o parcialmente la plusvalía contenida en la mercancía, o no realizarla en absoluto, pero esto no tiene nada que ver con la cuota de plusvalía sobre cuya base se realizó la producción de la mercancía;

b) la industria manufacturera, al reducir sus costos mediante el abaratamiento del capital constante, no haría revertir esa reducción sobre la cuota de ganancia, de manera inmediata, sino a través del tortuoso procedimiento de subsidiar vía precios a la agricultura y, a través de la baja de los precios de los bienes de susbsistencia, elevar su cuota de plusvalía para aumentar, finalmente, su cuota de ganancia (p. 38-39); aunque situaciones similares puedan producirse en el plano de las transferencias intersectoriales de valor, por imposición de la concurrencia, es más que dudoso que el capital manufacturero las propicie de buen grado;

c) la baja de la relación producto-capital en el sector de bienes-salario, durante la década de 1960, prueba “la mejora insuficiente de la calidad o del uso más eficiente del capital invertido en el sector” (p. 4344; hemos respetado el estilo de los autores, en la traducción). En realidad, la baja de dicha relación no está indicando sino la baja de la cuota de ganancia, verificada en el Brasil de los sesentas, que vivió la recesión de 1962-1967, y se ha debido, de manera inmediata, a la caída de la demanda (y, pues, a dificultades para realizar el producto), al aumento de la capacidad instalada ociosa y, hasta 1965, a la resistencia de los trabajadores ante la reducción de sus salarios (lo que no impidió que éstos bajaran).

Para completar esos comentarios sobre el “análisis” de las Desventuras respecto al sector de producción de bienes necesarios, señalamos que éstas, al constatar que ha habido inversiones en dicho sector y al creer que yo creo que esto no pude ser, se llenan de tanto júbilo, que se olvidan de analizar el hecho. En realidad, no lo pueden hacer, pues, como vimos, descartan en la explicación del fenómeno el dinamismo inducido por el mercado exterior y se niegan a admitir que el dinamismo del mercado interno se debe al consumo suntuario. Como quiera que sea, las Desventuras no se dan cuenta de que dicha inversión sigue siendo infinitamente inferior a la que se realiza en los demás sectores de la industria. Es suficiente recurrir a la información sobre los proyectos de inversión fija, aprobados por el Consejo de Desarrollo Industrial y divulgados anualmente por el Ministerio de Industria y Comercio, para comprobar que la industria de consumo corriente no comparece allí sino con un porcentaje del valor total que varía entre un mínimo de 15% y un máximo de 21%, en 1970-1975; en 1976, ese porcentaje cae a 1% y, en 1977, se eleva discretamente a un 2,7%. Obviamente, no se puede pretender que haya mucho estímulo a la inversión tecnológica en el sector.

Dos observaciones finales. Esas tesis peregrinas sobre el comportamiento del sector de bienes de consumo necesario tienen por objeto confundir el hecho de que el dinamismo del consumo individual en Brasil se debe, fundamentalmente, al consumo suntuario, sobre la base de una fracción minoritaria de la población, que participa de lo que llamé de “sociedad de consumo a la moda de la casa” (SR, p.197); tocaremos el tema en el apartado siguiente. Por otra parte, dichas tesis se presentan en el apartado intitulado “La ‘teoria’ de la superexplotación del trabajo (o la plusvalía que nunca es relativa)”, en donde, además de dicho sector, se habla mucho de la cuota de ganancia, de David Ricardo y un sinnúmero de temas, pero casi nada de la superexplotación del trabajo en Brasil; a lo sumo, tras la confusión habitual entre superexplotación y plusvalía absoluta, que refuté en otra oportunidad (DD, p.92), se citan arbitrariamente algunas cifras sobre horas trabajadas y se levantan curiosas hipótesis para explicar (ya que es imposible negar) la caída del salario real. Sin embargo, el tema es por demás importante, para que permitamos que las Desventuras intenten escamotearlo. Pasemos, pues, a su consideración.

III
Al considerar los problemas que plantea el análisis de la superexplotación del trabajo en Brasil, es indispensable empezar por el empleo. Es, en efecto, desde esa perspectiva como nos acercamos a la situación objetiva en que los obreros entablan su relación básica con el capital: la venta de su fuerza de trabajo, que condiciona las formas mediante las cuales ésta va a ser consumida productivamente, es decir, explotada. Como tendremos ocasión de ver, la consideración del empleo contribuye a aclarar lo referente no sólo al salario, sino también a los métodos de producción de plusvalía e, incluso, a la organización de la clase obrera.

La cuestión de empleo

En 1968-1972, es decir, en pleno “milagro económico”, la población actava brasileña creció a una tasa anual de 3.7% y la ocupación en todos los sectores a 3.4% (4.6% en la industria manufacturera).[38] La tasa de aumento de desempleo fe de un 11.4% al año. Ese aumento relativo implicó que, en términos absolutos, el desempleo abierto pasara de 663 mil personas a 1.022 mil, en el período.

Señalemos algunas dificultades que presentan el manejo de esas cifras. Primero, el concepto censal de población económicamente activa (PEA) es en sí mismo tautológico, una vez que se refiere a la fuerza de trabajo presente en el mercado de trabajo. Entre los grupos de personas en edad de trabajar, excluye, por ejemplo a la mujer ocupada en el hogar, que es calificada como “inactiva”, aunque constituya una parcela real del ejército industrial de reserva, como lo demuestra el hecho de que, en ese período de expansión económica, la PEA feminina creció a un 3.1% anual (incremento próximo, pues, al de la PEA masculina, que fue de 3.8%); la PEA excluye, también, a los trabajadores menores de 14 años, sobre cuya significación volveremos más adelante. Segundo, el concepto de “ocupación” es altamente impreciso: tanto se refiere a los trabajadores asalariados como a los empleadores, así como a los trabajadores por cuenta propia y sin remuneración, lo que implica encubrir una importante porción del ejército industrial de reserva bajo la forma de desempleo disfrazado. Todo ello lleva a suponer que el desempleo en Brasil, en términos relativos y absolutos, es muy superior a lo que indican las cifras del desempleo abierto.

Otras dificultades presenta el manejo de las cifras. Así, si trabajamos sobre la base de los Censos Industriales y los Anuarios Estadísticos (ambos publicados bajo la responsabilidad del Instituto Brasileño de Geografía y Estadística, IBGE), podemos establecer para la industria textil los siguientes índices del número de obreros ocupados (1965=100): 1955, 120,3 y 1960, 106,0; sin embargo, para el año 1970, el índice puede ser de 97,0 o de 122,5, según tomemos el Anuario Estadístico (1972) o el Censo Industrial de 1970, respectivamente. Ello se debe a que los Anuarios se basan en una muestra que se ha ido reduciendo (por quiebras de empresas, defunciones, migraciones, etcétera), lo que lleva a que la diferencia entre sus datos y los del Censo de 1960 sea mínima, pero sea grande considerablemente respecto a los del Censo de 1970.

Es necesario, pues, razonar cualitativamente, para sortear la dificultad: la evolución probable del empleo obrero en la industria textil parece ser la que nos presenta la serie 120.3 y 122.5, entre 1955 y 1970, o sea, reducción absoluta entre 1955 y 1965, con un posterior cambio de tendencia. El hecho de que la declinación absoluta de la ocupación obrera empiece en una fase de expansión económica, prosiga en la de recesión (aunque aumente em términos relativos)  y cambie en el marco de la recuperación de finales de los 60s, no tiene nada de excepcional; podemos ver cómo –pese a la expansión económica y del empleo, registrada en el último período [39]– una rama como la industria extractiva mineral ha reducido en términos relativos y absolutos su ocupación, la cual disminuyó en 51 mil personas, entre 1968-1972 (PNAD).

Ello se debe a que el volumen del empleo y, por ende, del desempleo, acompaña grosso modo el ciclo económico, pero depende específicamente de tres variables: la tasa de acumulación, la composición orgánica del capital y la tasa de explotación. Para contrariedad de las Desventuras, que aborrecen las leyes, la relación entre el empleo y esas variables puede expresarse en una ley, según la cual el empleo varía en razón directa a la tasa de acumulación y en razón inversa a la composición orgánica del capital y la tasa de explotación.

La relación entre las tres variables, es, a su vez, contradictoria: el aumento de la tasa de acumulación tiende a acompañarse de la elevación de la composición orgánica y a traducirse, pues, en el incremento de la tasa de explotación (independientemente de que, en condiciones normales, el incremento de la tasa de explotación sea concomitante a la elevación de los salarios); pero el aumento de la tasa de explotación (haciendo aquí abstracción de la concurrencia entre los capitalistas) actúa en el sentido de moderar o, incluso, si es demasiado fuerte, frenar la elevación de la composición orgánica. La razón de este último fenómeno reside en que, como establece Marx, el empleo de la maquinaria depende de la diferencia entre el precio de ésta y el precio de la fuerza de trabajo que ella debe suplir.

“En países desarrollados ya de antiguo –observa Marx– la aplicación de máquinas a ciertas ramas industriales provoca en otras ramas una superabundancia tal de trabajo (redundancy of labour, la llama Ricardo) que, al descender el salario por debajo del valor de la fuerza de trabajo, impide el uso de maquinaria en estas industrias, llegando, no pocas veces, a hacerlo imposible, desde el punto de vista del capital…”[40] En países de desarrollo reciente, podríamos decir nosotros, esto se da aún con más fuerza, puesto que el empleo de maquinaria incide sobre una fuerza de trabajo que se remunera ya por debajo de su valor.

En otro plano de análisis, indiquemos que es así como se explica la inversión de capital fijo relativamente baja que se observa, en Brasil, en las ramas de bienes de consumo necesario; añadamos que, en el caso de la industria textil, que veíamos arriba, la superpoblación que ella misma generó en su fase de modernización, en los cincuentas, limitó (no frenó) su impulso a la renovación tecnológica, el cual volvió a agudizerse en buena parte por las posibilidades que abrió el mercado mundial a la expansión de la rama. Destaquemos, en fin, que la dictadura militar se ha preocupado de hacer efectiva la existencia de la superpoblación obrera para el capital, facilitando y acelerando la rotatividad de la mano de obra.

El mecanismo para ésto ha sido el Fondo de Garantía de Tiempo de Servicio (FGTS), creado en 1967, que las Desventuras, curiosamente, no contemplan en sus consideraciones sobre el empleo. Sin embargo, se trata de un instrumento legal que, al suprimir prácticamente la estabilidad del trabajador en el empleo, resume lo esencial de la política económica del subimperialismo: crear mejores condiciones para la superexplotación del trabajo, al agilizar la acción del ejército industrial de reserva, y favorecer la centraización del capital, el eliminar lo que el ex ministro Roberto Campos, quien fraguó e impuso el FGTS, calificó de “pasivo laboral” (es decir, los obreros con derecho a indemnización por despido).

Comparando las dipensas llevadas a cabo en 38 ramas, en los períodos de 1963-1968 y 1970-1977, el Departamento Intersindical de Estadística y Estudios Socio Económicos (DIEESE), de São Paulo, ha constatado un significativo aumento en la rotatividad de la mano de obra, en función de la adopción del FGTS.[41] La magnitud de dicha rotatividad, para el año de 1974, puede ser captada a través del estudio realizado por la Fundación Instituto de Investigaciones Económicas, de la Universidad de São Paulo, cuyos resultados fueron divulgados recientemente por el Ministerio del Trabajo: la tasa media global de rotatividad era de 72% en la industria automotriz y de 63% en la eléctrico-electrónica y metalúrgica, todas ellas ramas “dinámicas”; como es natural, el fenómeno se acusaba en la pequeña y media empresa, ya que, en aquellas con hasta 100 empleados, la tasa de rotatividad, en esas ramas, era de 106%, 110% y 95%, respectivamente.[42] Mencionamos, ya que el problema se ha agravado a partir de 1976, al entrar en crisis el patrón de desarrollo capitalista brasileño.

Al promover la rotatividad de la mano de obra, el FGTS expande el ejército industrial de reserva bajo su forma flotante y actúa directamente sobre el nivel salarial. Como lo ha señalado el DIEESE, en el estudio mencionado, las empresas dispensan a sus trabajadores en vísperas del despido colectivo y los readmiten después, o contratan nuevos, por salarios más bajos que los que estableció el acuerdo salarial; ello lleva a que también las indemnizaciones por tiempo de servicio que percibe el trabajador sujeto al régimen del FGTS sean menores que las que se pagan a los que siguen bajo el antiguo régimen de estabilidad (cada vez menos, por imposición de los empresarios) y que hayan trabajado un período igual en la misma empresa.

El FGTS actúa, también, indirectamente sobre el nivel salarial, al desorganizar a los trabajadores. En efecto, el estudio del DIEESE muestra que, en la industria química, la tasa de sindicalización está directamente ligada al tiempo de servicio, lo que puede ser extrapolado para las otras ramas.

La caída del salario mínimo

Sobre la tasa de efectividad del ejército industrial de reserva y apelando a mecanismos coercitivos (como la política oficial de contentación salarial y la represión policíaca), la dictadura militar ha viabilizado la tendencia del capitalismo brasileño a la fijación del salario real por debajo del valor de la fuerza de trabajo. Para demonstrarlo, nos remitiremos al salario mínimo, tanto por razones teóricas como empíricas.

Antes que nada, es necesario considerar que el salario mínimo corresponde a la fuerza de trabajo simple, es decir, aquella que presenta el grado de preparación normal en la sociedad en cuestión y cuya producción demanda el tiempo de trabajo normal, expresado, por ende, el valor normal de la fuerza de trabajo; en otras palabras, la fuerza de trabajo simple corresponde a la mayoría de los trabajadores y el trabajo simple a aquel trabajo que, sin niguna calificación especial, puede ejecutar cualquier trabajador en el goce de sus facultades.[43]

Por otra parte, de acuerdo a la Consolidación de las Leyes del Trabajo (CLT), de 1943, en su artículo 76, el salario mínimo se destina a cubrir “la satisfacción de las necesidades normales y básicas del trabajador y de su família”, es decir: alimentación, habitación, vestuario, higiene y transporte; la dieta mínima mensual, que debe corresponder a un 43% del valor del salario mínimo, fue establecida por el decreto-ley n. 389, de 1938, incluyendo algunos productos básicos que siguen siendo habituales en el consumo ordinario brasileño.[44] Finalmente, según la PNAD, en 1972, el 43,3% de los empleados que son remunerados sólo en dinero percibía hasta un salario mínimo y el 32.2% percebía de 1 a 2 salarios mínimos, sumando ambos tramos el 75,5% de la población trabajadora asalariada: casi 12 millones de personas sobre un total de asalariados puros de 15,5 milliones.[45]

Establecida la validez del salario mínimo como categoría para el examen de la remuneración de la fuerza de trabajo en Brasil, lo primero que salta a la vista es que, si analizamos el Censo Demográfico de 1970 por tramos de ingreso, una proporción significativa de la población trabajadora percibe menos de un salario mínimo: el 40% del total, siendo esta la situación de un 83% de los trabajadores del sector primario, un 23% de los de la industria y un 36% de los de servicios. A esto se suma el hecho de que el salario mínimo se redujo en un índice de 139, en 1959 (1965=100), a uno de 89 en 1977, perdiendo en el período el 36% de su valor.

Esa tendencia declinante no se presenta de manera constante: aparte de los movimientos oscilatorios anuales, el salario mínimo real declinó a una tasa media anual de 6,8%, en el período 1959-1964, y de 3,6%, en el período de 1964-1976: entre 1970-1975 presentó una tasa de recuperación media anual del 0,8%, la cual bajó para el 0,6%, entre 1975-1977.[46] Lo que se desprende de allí es que, en el marco de la carrera inflacionaria iniciada en 1959, los salarios salieron perdedores, pese a la fuerte resistencia obrera; a partir de 1965, la contención salarial es impuesta por el Estado, expresando, a nivel de la política económica, la tendencia profunda de la economía; posteriormente, la escasez de mano de obra de algunos segmentos del mercado de trabajo y la retomada del movimiento sindical, entre otros factores llevan a los salarios a presentar una pequeña variación hacia arriba, inferior siempre al uno por ciento, con las precauciones con que hay que tomar esa aparente mejoría, por la razón ya señalada.

Como quiera que sea, el hecho de que un 40% de la población trabajadora perciba menos de un salario mínimo y el de que éste exprese una remuneración siempre menor por un trabajo igual (aunque, como veremos, el trabajo no es igual, sino superior) muestran que, si lo era en 1943, el salario mínimo ha dejado de ser la expresión del valor de la fuerza de trabajo. Esto se hace aún más evidente si tomamos las horas de trabajo que el obrero debe rendir para adquirir sus medios de vida: datos del DIEESE, revelan que, sólo para la adquisición de la dieta mínima que estableció la legislación, y tomando como base el salario mínimo de São Paulo (el más alto del país), el obrero rinde hoy al capitalista casi el doble del trabajo de 1959: en diciembre de ese año, el costo de esta dieta representaba 78:17 horas de trajo semanal; en diciembre de 1965; 87:20 horas; en diciembre de 1970, 103:19 horas y, en marzo de 1978, 147:14.[47]

Las tendencias contrapuestas del salario real
y del valor de la fuerza de trabajo

Como hemos visto, si consideráramos sólo el salario mínimo, tendríamos que concluir por la imposibilidad de supervivencia de los trabajadores brasileños. Independentemete de que dicha supervivencia se vuelva cada vez más precaria, debido a la declinación del salario mínimo[48], habrá que tener presente que el valor de la fuerza de trabajo no se establece sobre la base del ingreso individual, sino del ingreso familiar; la remuneración del obrero como tal nos sirve tan sólo para determinar la tasa de explotación a que se encuentra sometido.

Se ha pretendido que, gracias a la incorporación de más miembros de la familia obrera al mercado de trabajo, ésta ha logrado mantener su ingreso familiar. Esa aseveración no cuenta con fundamento empírico, si consideramos los datos disponibles: pese a que, entre 1958 y 1969, el número de miembros ocupados de la familia-tipo de la clase trabajadora de São Paulo pasó de uno para dos, el ingreso mensual real de la misma, a precios de 1958, cayó de 10,15 cruceiros para 9,20; es decir, se redujo en un 9,4%[49]. Aun si admitimos una recuperación salarial en el período posterior, el caráter modesto que ésta presentó no permite suponer que el nivel de vida de 1958 haya sido recuperado. Ahora bien: si adoptamos el supuesto (altamente dudoso, conviene observar) que dicho nivel de vida correspondía grosso mosso al valor de la fuerza de trabajo, nada nos autoriza a afirmar que, hoy, los trabajadores brasileños no estén siendo remunerados por debajo del valor de ésta.

Ello se agrava por el hecho de que la familia-tipo que estamos considerando se ha construido sobre la base de tres estratos de ingressos. El estrato bajo de la muestra cuenta con ingresos de hasta 500 cruceiros corrientes, o sea, ligeramente por encima de dos salarios mínimos de la época, mientras que la proporción de los asalariados que percebían hasta dos salarios mínimos era un 75% de los asalariados del país. En consecuencia, la familia-tipo representa un patrón superior al grueso de los trabajadores brasileños, mientras que la que corresponde al estrato bajo se encuentra cercana a éstos. Será, pues, sobre la base de este estrato que seguiremos nuestra argumentación.

Veamos el desglose de los gastos familiares del estrato bajo, comparando 1958 y 1969. El item que tiene mayor incidencia se refiere a alimentación, que representaba un 45% del total en 1969, habiendo aumentado respecto al otro año de referencia; lo mismo pasó con equipo doméstico, transporte, educación (que creció sensiblemente) y recreación; disminuyeron los gastos de habitación y vestuario. Eso está indicando una variación hacia arriba de un item fundamental en la determinación del valor mínimo (alimentación), así como variaciones en el mismo sentido de gastos que corresponden a lo que Marx llama de valor histórico-moral. Si se tiene en cuenta que la cantidad de alimentos per capta disminuye en la familia, no es aventurado suponer que, pese al aumento relativo del item en el ingreso, este haya sido sacrificado para permitir la atención de necessidades sociales,  como anota el mismo DIEESE.

Así, al caer el salario por debajo del valor de la fuerza de trabajo (o al aumentar la brecha entre ambos), observamos que el obrero no tiende simplemente a reducir la atención de sus necesidades sociales, para asegurar la de sus necesidades de subsistencia, sino que trata de obtener un difícil equilibrio, que le permita atender a las dos. Y no podría ser de otra manera. Al revés de lo que pretende el apologeta burgués, las necesidades sociales son tan fundamentales como las estrictamente físicas para la reprodución de la fuerza de trabajo, acorde a las exigencias que plantea el mercado de trabajo y el mismo desarrollo de las fuerzas productivas. El obrero debe presentar, por ejemplo, el nivel mínimo de calificación (o educación) exigido, para poder vender su fuerza de trabajo, del mismo modo como no puede prescindir del radio, e incluso de la televisión, cuando estos medios de comunicación se generalizan so pena de convertirse en un bruto, por debajo de nivel cultural de la sociedad en que debe vivir y producir.

Resumiendo: es posible afirmar que, pese al deterioro del salario real, el obrero ha visto aumentar el valor de su fuerza de trabajo, haciendo aún más dramática la brecha creciente entre dicho valor y el ingreso real que percibe. El problema que tendrá que resolver la clase obrera brasileña, en el marco del presente ascenso de sus luchas, no consiste, pues, tan sólo en recuperar el nivel de su salario real de hace veinte años. Bien al contrario, los trabajadores tendrían que lograr aumentos salariales que superen dicho nivel, para asegurar una remuneración acorde con el valor actual de su fuerza de trabajo.

Superexplotación y mercado interno

Como se ha visto, ante el aumento del valor de su fuerza de trabajo y la caída del salario mínimo, la clase obrera brasileña, para asegurar la reproducción de su fuerza de trabajo, ha sido forzada a repartir el valor de ésta entre más miembros de la familia. Con ello, el capital no sólo compra con menos dinero una masa mayor de trabajo, sino que aumenta considerablemente la tasa de explotación. El concepto legal del salario mínimo (atender a la satisfacción de las necesidades básicas del obrero y su familia), se ha convertido en una burla: la contribuición de jefe de familia al ingreso familiar total se redujo, en términos reales, del 84% que era, en 1958, al 59%, en 1969, de acuerdo al DIEESE. Hecho, por lo demás, que no deja de causar extrañeza. ¿Por qué los demás miembros de la familia trabajadora, que ingresan al mercado de trabajo, aportan al ingreso familiar una proporción menor que la del jefe de familia? Esto nos lleva a considerar las condiciones de trabajo propias a esos miembros: la mujer y los menores de edad.

De acuerdo a la CLT, rige en Brasil el principio de a igual trabajo, salario igual. Los hechos, sin embargo, van en otra dirección. Con base en una pesquisa llevada a cabo en 1972, la Fundación Instituto de Investigaciones Económicas de la Universidad de São Paulo concluyó que las mujeres reciben salarios inferiores a los del hombre en un 57%, en todas las ramas de la industria paulista.[50] Esto se confirma por el hecho de que el I Encuentro de la Mujer Metalúrgica, realizado a principios de 1978, en São Paulo, puso en la primera fila de sus reivindicaciones la equiparación de salarios masculinos y femininos, tras constatar que, en promedio, la trabajadora metalúrgica percibe una remuneración inferior a la del hombre en un 60% por el mismo tipo de trabajo.[51] Señalemos que el bajo precio de la fuerza de trabajo feminina en el mercado corresponde a un aumento del número de mujeres incorporadas a la producción; éstas pasaron, entre 1960 y 1970, del 23.6% de la fuerza de trabajo urbana a una 24.3% y, en el ámbito rural, del 37.0% al 43.4%, según los Censos.

Respecto al menor (entre 16 y 18 años), pese al criterio de igualdad que la preside, la ley ha establecido un mecanismo de escape: si se trata de un aprendiz, la empresa sólo le paga el 50% del salario mínimo en el primer año y, en el segundo y último, el  66%. Los abusos a que esto ha dado lugar han sido clamorosos. No contento con ello, el gobierno militar de Castelo Branco decidió reducir legalmente a 50% del salario mínimo la remuneración de los menores de 18 años. La fuerte oposición que esto suscitó entre los obreros logró que, hace tres años, se restableciera el principio de igualdad, que consagra la CLT.[52]

Sin embargo, desde que comenzó la crisis del actual patrón de desarrollo y ante el modesto aumento que pasaron a experimentar los salarios (menos del uno por ciento, como vimos), la dictadura ha vuelto a sus andadas. Entre las medidas que componen el plan de reconsolidación de las leyes de trabajo, elaborado por el Ministerio del Trabajo, se pretende restablecer el horario nocturno para la mujer, suprimiendo una conquista que la clase obrera conquistó en las jornadas de 1917-1918, y reducir el salario del menor al 50% del salario mínimo legal, bajo el pretexto de… ¡contener los abusos a que da lugar la legislación sobre los aprendices![53]

Es, pues, en función de la caída del salario mínimo y la explotación inmisericorde de la mujer y el menor, como se explica que –pese a que haya duplicado el número de miembros de la familia que trabajan- el ingreso familiar haya disminuido. La elevación del empleo, en la conyuntura económica post-68, que las Deventuras saludan con tanto júbilo (y que vimos, oportunamente, cómo debe ser analizada), se ha dado sobre la base del estrujamiento de la fuerza de trabajo de hombres, mujeres, jóvenes y niños, a niveles de salario que han significado enormes sacrificios para los trabajadores, en lo que se refiere a la atención de sus necesidades esenciales. Veremos, luego, que la superexplotación no se ha limitado a esta forma: la rebaja del salario por debajo del valor de la fuerza de trabajo. Por ahora, señalemos que la presión ejercida sobre los salarios ha resultado en el agravamiento de la distribución regresiva del ingreso y, por ende, pese al aumento del número de consumidores, en la contracción relativa del mercado interno, en lo que a la esfera baja se refere.

Así, con base en los Censos y en la PNAD, constatamos que el tramo inferior de la PEA (50% del total), ha visto reducirse su participación en la distribución del ingreso del 17.7%, en 1960, al 14.9%, en 1970, y al 11.8%, en 1976; igual suerte corrió el tramo inmediatamente superior (30% del total); de 27.9% pasó a 22.9% y a 21.2% en los tres años considerados.[54] Es comprensible, por tanto, que cálculos recientes para la región sur del país (que está lejos de ser la más atrasada), con base en datos oficiales de 1974, nos presentan la siguiente distribución del gasto anual familiar, por clases de salario mínimo regional: menos de un salario mínimo, 0.4%; de una a dos, 4.0%. Esos dos grupos representan, en la muestra, el 21% del total de familias y, como vimos, la incidencia mayor en la distribución del ingreso se da precisamente hasta dos salarios mínimos.[55] Pero aun si sumamos el tramo inmediatamente superior (2 a 3.5 salarios mínimos), haciendo subir la cifra al 46% de la muestra, la participación acumulada de los tres tramos en el gasto anual total no pasaría de un 15.1%.[56]

Es evidente pues, que el dinamismo del consumo individual no depende de los grupos de bajos ingresos, que comprenden a la mayoría aplastante de los trabajadores, sino del gasto suntuario que realizan los capitalistas y otros grupos  que participan de la distribución de la plusvalía. Pretender que la superexplotación del trabajo no contribuye a la restricción de la realización de mercancías, en la economía brasileña, y que ésta no se apoya básicamente en el esquema de realización característico del subimperialismo (exportaciones, consumo suntuario y demanda estatal) constituye, por tanto, una burda mixtificación.

Prolongación de la jornada e intensificación del trabajo

Examinemos ahora, brevemente, las condiciones en que, en el proceso de producción, esa fuerza de trabajo numéricamente incrementada y en escala creciente mal remunerada sufre la explotación capitalista. Con ligereza, y en su afán de embellecer al capitalismo brasileño, las Desventuras descartan la prolongación de la jornada de trabajo, sobre la base de que los datos censales, en promedio y para el conjunto de la PEA, no registran sino un incremento de 4.4%, entre 1966 y 1970, en las horas semanales trabajadas. Un análisis más riguroso tiene que partir de los mecanismos de prolongación que establece la misma legislación, así como del hecho, ampliamente denunciado por los obreros, de que los contratos de trabajo incluyen cláusulas que hacen obrigatoria la prestación de horas extraordinarias. Debe, sobre todo, tomar en cuenta las manifestaciones de sindicatos y trabajadores, respecto a la situación de la jornada de trabajo en sus empresas y ramas, provocada tanto por las horas extras como por el sistema de turnos.

Respecto a la legislación, ésta permite que la empresa recurra normalmente a dos horas extraordinarias por día, pagadas a un 20% por encima del tipo ordinario de salario (observemos que, en México, el pago de horas extraordinarias en días útiles se hace sobre la base de un 100% más y, en días de descanso, de un 150%), las cuales pueden ser acrecidas de dos horas más, por “motivo de fuerza mayor o servicios inaplazables”; igualmente, contempla la posibilidad de trabajo en días de reposo, mediante la autorización caso por caso. En el ensayo de Mattos y Carvalho, ya mencionado, se registran incontables denuncias y testimonios relativos a diversas ramas de actividad, tomados de la prensa o documentos sindicales.

Entre ellos, la declaración del presidente del Sindicato de Metalúrgicos de São Paulo, Joaquim Santos de Andrade, en el sentido de que, en esa rama, “los obreros están trabajando 12 horas por día”, añadiendo que el 97% de los metalúrgicos de São Paulo tiene el siguiente régimen semanal de trabajo: 8 horas diaras, 2 extraordinarias (máximo permitido normalmente por la ley) y más 1:36, bajo el pretexto de compensar el sábado; sin embargo, el sábado, los obreros cumplen una jornada normal de 8 horas; el total suma 66 horas semanales, al revés de las 48 horas que la ley establece, lo que significa un aumento de 40%, y no de 4.4%.

En declaración a la prensa, un obrero de la misma rama revela que, en enero de 1977, la Volkswagen brasileña trabajó en un régimen de horas extras que “equivalen a 3.300 empreos nuevos”.[57] Si consideramos la prolongación que puede resultar del sistema de turnos, tendríamos –siempre para la rama metalúrgica– la siguiente situación: como el obrero debe trabajar dos semanas en el turno diurno y dos en el nocturno, al terminar las primeras dos semanas, sale de la fábrica a las 19 horas, debiendo retornar a la misma el lunes; pero, como ha cambiado al turno nocturno, regresa a ésta a las 19 horas del domingo, con lo que el capitalista se apropia de 12 horas semanales de su tiempo de reposo. [58]

Además de esos casos ejemplificativos, se podría citar que, entre las pocas huelgas que se detectaron en Brasil, a través de la información de prensa, entre 1973 y 1977, tres se caracterizaron por la negativa de los obreros a trabajar horas extraordinarias[59], destacandose la de la Volkswagen en 1973, y que el programa de la Oposición Metalúrgica de São Paulo se refiere explícitamente a la cuestión de las horas extras, indicando que “además del desgaste físico, (el obrero) no tiene tiempo para dedicar a la familia, a la recreación y mucho menos para el estudio o para aprender una profesión, así como para pensar y prepararse para luchar por sus derechos.”[60]

Nos hemos limitado deliberadamente a la industria metalúrgica, tecnológicamente avanzada y caracterizada por el predominio de la gran industria; la situación sería infinitamente peor si tomáramos a la industria de transporte o de construcción, así como, en cualquiera rama, a la pequeña y mediana empresa. Por otra parte, nos hemos mantenido en la perspectiva del obrero individual y su jornada de trabajo. Sin embargo, se puede referir la jornada de trabajo a la familia obrera, del mismo modo como se procede con el valor de la fuerza de trabajo; dicho procedimiento se vuelve, por lo demás, indispensable si trabajamos con el concepto de precio de la fuerza de trabajo, que expresa la relación entre el valor de la misma y la duración de la jornada. Desde este punto de vista, el hecho de que la familia obrera haya multiplicado por dos el número de sus miembros que trabajan, apunta a que el capital ha logrado extender la jornada de trabajo familiar, aunque no necesariamente en la misma proporción.

Las Desventuras no mencionan para nada, entre los métodos de explotación del trabajo, el aumento de su intensidad. Se trata, en realidad de un fenómeno difícil de captarse, a nivel de datos globales. Sin embargo, el hecho mismo de que la elevación de la productividad conlleve naturalmente un aumento de la intensidad del trabajo no nos permite descartarlo, cuando verificamos que el índice del producto real per cápita se elevó de 88, en 1959 (1965=100), a 183 en 1976, más que duplicándose, por tanto. Los procedimientos para aumentar la intensdad son básicamente dos: el aumento de instrumentos de trabajo que el obrero debe manejar y el de la velocidad de las máquinas. Un trabajador de una industria textil señala, respecto a lo primero: “Antes, un tejedor era responsable de la producción de 20 máquinas, después pasó a 25 y ahora cada quien tiene la responsabilidad de 30 telares”[61]. Respecto a lo segundo, el I Congreso de la mujer metalúrgica manifestó su protesta contra el aumento constante de la velocidad de las máquinas.[62]

La exigencia de más trabajo al obrero, mediante procedimientos extensivos o intensivos, al provocar fatiga y agotamiento, resulta en el incremento de lo que Marx llamó “los partes de guerra del ejército industrial”: los accidentes de trabajo. En Brasil, estos pasaron del índice 100 en 1970 al índice de 157 en 1976. Evolucionando de 1.2 milliones a casi 2 milliones de casos, en el período; en ese contexto, el índice de muertes pasó a 156 y el de casos de invalidez permanente a 160.[63] Esos datos se refieren exclusivamente a accidentes registrados por el Instituto Nacional de Previsión Social (INPS). Las protestas que esa situación ha provocado llevaron el gobierno a tomar cartas en el asunto y, en su mensaje al Congreso de este año, el presidente de la República anunció que el número de accidentes de trabajo había disminuido de 400 mil, en 1977. Sin embargo, el líder de la oposición en el Senado, Paulo Brossard, le negó veracidad a esa afirmación, atribuyéndola a la nueva ley sobre accidentes de trabajo, que obliga a la empresa a pagar al accidentado la remuneración integral del día del accidente y los 15 siguientes. “¿Quién no sabe –indagó Brossard– que, por fuerza de esa ley reciente, y no por la pregonada prevención, el INPS se ha visto aliviado de una gran masa de accidentados y accidentes?”[64]

Ahora bien: sabemos, con Marx, que cualquier variación en la magnitud extensiva o intensiva del trabajo hace variar en el mismo sentido el valor de la fuerza de trabajo. La prolongación de la jornada y el aumento de la intensidad del trabajo acarrean un mayor gasto de fuerza física y, pues, un desgaste mayor, que, dentro de ciertos límites, incrementa la masa de medios de vida necesarios a su reposición. Los métodos de superexplotación arriba mencionados, que hacen a la esfera de la producción (anque estén condicionados por la circulación, es decir, por las condiciones en que el obrero realiza la venta de su fuerza de trabajo) implican, pues, una elevación del valor de la fuerza de trabajo, reforzando la conclusión a que habíamos llegado anteriormente. Como elemento indicativo de la ampliación de la brecha entre ese valor y el salario, es significativo el hecho ya visto de que, pese a que tiene más miembros trabajando, la familia obrera consume hoy menos alimentos per capita.

Con sus divagaciones sobre la cuota de ganancia y el comportamiento de la industria de bienes de consumo necesario, así como con sus eruditas y pintorescas digresiones sobre David Ricardo, las Desventuras no han hecho sino maniobras de diversión, destinadas a ocultar el cuadro sobrecogedor que nos presenta la superexplotación del trabajo en Brasil. Los elementos que acabamos de exponer no nos dan, a su vez, sino una pálida idea del problema, una vez que la cantidad de evidencia que al respecto nos proporciona diariamente la lucha de clases, y que se filtran a través de la prensa, nos han puesto (para darle gusto a la cultura francesa de nuestros “críticos”) en un embarras de choix. El actual ascenso de las luchas obreras no hace sino multiplicar esas evidencias, al incorporar masas cada vez más amplias de trabajadores al enfrentamiento contra el régimen brutal de superexplotación que les ha impuesto el capital.

No nos queda sino llamar la atención hacia el intento mal disfrazado de las Desventuras de achacar a la “considerable debilidad de los sindicatos y agrupamientos políticos afines” (junto al “Reaccionarismo de las fuerzas golplistas” de 1964) la superexplotación que sufren los trabajadores brasileños. Llevado a su límite, ello implicaría no sólo suponer que la superexplotación es un efecto por decirlo así casual de la lucha de clases, sobre el cual no tiene el capital responsabilidad directa, y que se acaba explicando por sí mismo (el hecho, por ejemplo, de que, según las Desventuras, los bajos salarios se han mantenido por que… ¡el excedente generado se aplicó a la construcción de viviendas!), sino también atribuir a la misma clase obrera la responsabilidad de que le estén arrancando el pellejo.

Ahora bien, los elementos que presentamos sobre la evolución de los salarios en Brasil, después de 1959, muestran que el problema de la reducción salarial se encontraba planteado antes de la contrarrevolución desatada en 1964 y más bien fue una de las razones que hizo a ésta indispensable para la burguesía. Por otra parte, ¿cómo explicar que, en países como Chile, Argentina o Uruguay, donde no se puede hablar, en los mismos términos, de debilidad de los sindicatos y la izquierda, la clase obrera haya tenido que sufrir una superexplotación similar, bajo una dictadura contrarrevolucionaria? De todos modos, las luchas actuales de los trabajadores brasileños se encargarán de mostrar hasta qué punto la superexplotación del trabajo es un elemento vital en la dinámica del capitalsimo dependiente, en la medida en que tienden de nuevo a enfrentar en una lucha a muerte a patrones y obreros, en torno a la cuestión de su mantenimiento  o su supresión.

IV

Las razones que dan Cardoso y Serra para su “empeño en la crítica” son de orden teórico y político. Se trata de “desarticular” un pensamiento “economicista”, que lleva al “voluntarismo”, para así evitar que “el análisis político se vuelva al mismo tiempo ardoroso y inerme” y asegurar que el camino al socialismo pueda depender “de acciones concretas en circunstancias especificas”. De esta manera, se podrá impedir “desastres cuya ‘corrección’ pasa muchas veces por el sacrificio, incluso físico, de sectores importantes de una generación”.

Vayamos por partes. Lo primero que hay que tener en cuenta es que, más que al Quijote, Cardosoy Serra se parecen a Sancho: no son los caballeros andantes del socialismo sino los escuderos de una burguesía insaciable y rapaz. Es eso  lo que confiere interés a las Desventuras: su carácter de texto inserto en un proceso de lucha ideológica, que el ascenso de las luchas de clase en Brasil, así como en Latinamérica, tiende a hacer más candente. Una de las cuestiones que ha sido puesta en el centro de la discusión es la del economicismo, que ha sido atacado desde diferentes perspectivas.

No cabe, en efecto, confundir a Cardoso y Serra con otros autores que se han ocupado del problema y que no serán aquí objeto de comentario, por falta de espacio. Su ataque a mi pretendido ‘reducionismo económico’ raya ya la caricatura, cuando sostienen que la economía no es sino el marco en que se ejerce la lucha política, la cual corresponde a una esfera autónoma, donde las opciones y consecuentes decisiones sólo se explican por la acción de las fuerzas mismas que allí actúan. Se rompe, de este modo, la unidad de análisis, que convierte a la política, para decirlo con Lenin, en “la expresión concentrada de la economía” y se abandona el supuesto metodológico fundamental del marxismo, que el própio Marx expuso con tanta precisión en su prólogo de 1859: “El modo de producción de la vida material determina (bedingen) el proceso de la vida social, política y espiritual en general”. Reducida a sí misma, la lucha política se ve así desprovista de toda base explicativa sólida.

Pero no es sólo la autonomía de la política que reivindican Cardoso y Serra: es también (y esto es lo que los distingue más netamente de otros que han criticado mi “economicismo”) el tomar los hechos como vienen, en su immediatez empírica, sin la “ambición” de ubicarlos en un marco explicativo, que les dé coherencia, los remita a las contradicciones generales a que responden y haga así posíble establecer previsiones respecto a su comportamiento futuro, para, sobre esta base, crear condiciones para actuar sobre ellos. Apilados unos sobre los otros, como los quieren Cardoso y Serra, sin una lógica profunda que los ordene, los hechos pueden prestarse a cualquier interpretación, sin que la clase obrera disponga de un criterio que permita referirlos a las contradicciones fundamentales que los generan. Ahora bien, identificar una contradicción, por grave que ésta sea, “no significa que el capitalismo sea imposible, pero sí la necesidad de su transformación en una forma superior; cuanto más fuerte se torna esa contradicción, más se desarrollan las condiciones objetivas de esa transformación, así como sus condiciones subjetivas, es decir, la conciencia que los trabajadores adquiren de la contradicción”.[65]

Sin embargo, el encono de Cardoso y Serra contra mi análisis económico no los lleva a la actitud suicida de rechazar la existencia de contradicciones en el modo de producción capitalista. Por lo demás, el reformismo en sus diversas variantes, ha mostrado que es posible aceptarlas sin que ello implique asumir una posición revolucionaria. No, lo que no pueden aceptar Cardoso y Serra es que se identifiquen contradicciones concretas en la sociedad latinoamericana y, en especial, brasileña. Ante ello, claman por la pureza del marxismo, queriendo reducirlas otra vez a la contradicción abstracta, o no vacilan en echar mano de analogías formales, y por esto mismo caricaturescas, para descalificar la posibilidad de que tales contradicciones concretas sean reconocidas.

Es así que, cuando Cardoso identifica mi posición con la de los naródniks, recurre a una caricatura, además de atropellar a la historia sin piedad. En su polémica con los populistas rusos, Lenin identificaba tres rasgos en los planteamientos de esa corriente: el reconocimiento del capitalismo en Rusia como decadencia, como regresión; el reconocimiento de la originalidad del régimen económico ruso, en general, y de la del campesino con su comunidad, en particular; y la omisión del vínculo existente entre la ´intelectualidad’ y las instituciones políticas y jurídicas del país, de una parte, y los intereses materiales de determinadas clases sociales, de otra.[66]

Como se ve, no hay ninguna relación entre las tesis en cuestión y lo que he planteado sobre la dependencia, la superexplotación del trabajo y el carácter del desarrollo capitalista brasileño. Es de suponerse, sin embargo, que a lo que Cardoso quiera aludir sea a lo que Lenin llamó “romanticismo económico”, lo cual, derivándose de Sismondi, se encuentra presente en el pensamiento de los populistas rusos, a través de sus planteamientos respecto a la contradicción entre producción y consumo, con la consecuente necesidad de recurrir al mercado exterior. No nos contentemos, empero, con las analogías formales y veamos qué es ese “subconsumismo”, que Cardoso denuncia en mis tesis.

Lo esencial en la posición de los populistas era el razonamiento teórico de que partían, para hacer su defensa de la pequeña producción campesina. Ese razonamiento se basaba en lo que Lenin considera el error fundamental que marcó toda la economía política, hasta Marx, y que introdujo Adam Smith: la confusión entre los conceptos de producción y renta y, por ende, la reducción del valor creado a la suma de la plusvalía y los salarios (capital variable), ignorando a los medios de producción (capital constante). Esto les impedía entender qué es la acumulación de capital y, pues, qué es el desarrollo capitalista. Es por esa razón que, en su polémica con el populismo, Lenin se preocupa básicamente de demonstrarles que, al contrario de lo que suponían, el desarrollo del capitalismo es, como lo mostrara ya Marx, el desarrollo del mercado interno. Lo que no tenía qué hacer, porque esto no lo exigía su crítica a los populistas, era analizar la forma que asume el mercado interno en la economía capitalista y la contradicción entre producción y consumo individual que allí se plantea.

Pero Lenin sí tenía que preocuparse de este problema, cuando se pretendía atacarlo, supuestamente desde el punto de vista del marxismo, con la afirmación errónea de que “la producción capitalista no adolece de ninguna contradicción entre la producción y el consumo”.[67] A esto contestaba Lenin que, siguiendo a Marx, es indispensable entender que “la contradicción entre la producción y el consumo,  propia del capitalismo, consiste en que la producción crece con enorme rapidez, la competencia le comunica una tendencia a ampliarse sin limitaciones, mientras que el consumo (individual) crece muy débilmente, si es que crece. La condición proletaria de las masas populares no ofrece al consumo individual la posibilidad de crecer rápidamente”. Y señalaba, más adelante: “…en última instancia, el consumo debe seguir a la producción, y si las fuerzas productivas se lanzan a un aumento ilimitado de la producción, mientras el consumo se restringe, como consecuencia del estado proletario de las masas populares, la contradicción se vuelve incuestionable”.[68]

Aclaremos bien las cosas. La contradicción entre producción y consumo individual surge de la naturaleza misma del capitalismo, por el hecho de que, mientras éste registra un impulso constante de acumulación, dicho impulso choca con la  desproporcionalidad existente entre los sectores de la producción y con las condiciones antagónicas de distribuición. En efecto, “dentro de la producción capitalista, la proporcionalidad de las distintas ramas de producción (aparece) como un proceso constante derivado de la desproporcionalidad,[69] mientras que las “condiciones antagónicas de distribuición… reducen el consumo de la gran masa de la sociedad a un mínimo susceptible sólo de variación dentro de límites muy estrechos”[70]. En consecuencia, como el mercado tiene que extenderse constantemente, para hacer frentre al impulso de acumulación, “la contradicción interna tiende a compensarse mediante la expansión del campo externo de la producción”.[71]

Así es como se presenta el problema de la contradicción entre la producción y el consumo individual, en la teoría marxista del capitalismo, que se presta a todo, menos a la apología del sistema. Mi análisis de la economía latinoamericana y brasileña no hace sino aplicar esa teoría a una realidad concreta, que se caracteriza por el hecho de que, a raíz de las condiciones mismas de su formación y desarrollo histórico, agrava hasta el límite las contradicciones inherentes a la producción capitalista. Es esta característica general de la economía dependiente la que la induce a extremar la desproporcionalidad entre los sectores, tanto de producción de bienes de capital respecto al de bienes de consumo, como del de bienes de consumo suntuario respecto al de bienes de consumo necesario, así como a agudizar las condiciones antagónicas de distribución, llevando a que la contradicción entre producción y consumo individual, propia de la economía capitalista en general, asuma el carácter de un divorcio progresivamente acentuado entre el aparato productivo y las necesidades de consumo de las masas.

Ahora bien: de manera subrepticia, todo el esfuerzo de las Desventuras se encauza en el sentido de borrar las diferencias entre el capitalismo en los países avanzados y el capitalismo dependiente, asimilándolos a un solo proceso: el desarrollo capitalista en la periferia y en el centro. El lector podrá buscar con lupa en el texto un indicio, por pequeño que sea, de que la discusión que se está haciendo va referida al capitalismo dependiente brasileño: encontrará sólo la idea de que hay problemas y contradicciones en el capitalismo brasileño, que no tienen otra particularidad que la de darse en un país de la “periferia”, o sea, en una nación capitalista joven, para usar una expresión altamente ideológica. La utilización misma del aparato conceptual “centro-periferia”, en reemplazo del que corresponde a la dependencia, indica un regreso al redil de la CEPAL (la cual, por esto mismo, es tan reivindicada a lo largo del texto) y a las ilusiones desarrollistas con que ésta revistió la primera emergencia de la burguesía industrial, en la post-guerra, ilusiones que, como señalamos, la vida misma destruyó. Pero hoy, los nuevos ideólogos de la burguesía brasileña están obligados a retomar esa tradición y a intentar dar crediblidad en un desarrollo capitalista brasileño al estilo norteamericano o europeo. En suma, nos encontramos ante un neo-desarrollismo, todavía vergonzante, pero que no tardará en ir perdiendo sus inhibiciones.

La tímida crítica de Cardoso a la tesis de la superexplotación, que dio inicio a esta polémica,[72] apuntaba ya en esa dirección. Pero, hoy, las cosas van más lejos. Así, en las Desventuras se pretende que “aún después de 1968 y hasta 1973… se mantuvo una política oficial de fuerte restricción salarial, quedando las mejoras eventualmente obtenidas en este terreno sujetas a las (fuerzas del mercado) y no en razón sea de la política gubernamental (que permaneció restrictiva) sea de la acción sindical  o de la protesta social, que siguieron tan o más reprimidos o inexistentes que antes” (p. 45, subrayados míos).

Algunas rectificaciones; la restricción salarial no se mantuvo hasta 1973, se mantiene hasta hoy; las “mejoras eventualmente obtenidas” no sólo han sido muy pequeñas, como demostramos anteriormente, sino que se han visto relativizadas  por la manipulación de los índices del costo de la vida; y la acción sindical y la protesta social habían ganado ya cuerpo en 1973, lo que forzó a que el actual gobierno, que asumió en 1974, no sólo tuviera que prometer una “apertura política”, sino también recurrir a la manipulación de dichos índices para mantener la política salarial. Pero no se trata sólo de rectificaciones, sino también de una pregunta: si las pretendidas “mejoras salariales” no se debieron ni al gobierno, ni a los sindicatos, ni a la “protesta social”… ¿quién responde de ellas?

No es necesario exprimirse el cerebro para encontrar la respuesta. El mismo Cardoso, en entrevista concedida a un diario mexicano, nos explica: “En una primera etapa, la violencia represiva es la condición de la acumulación futura. Pero después, en una segunda etapa, ya no lo es más. Eso explica que ahora los empresarios reclamen una relación directa con los obreros”.[73] Así, la lucha que, durante estos años, la clase obrera ha desarrollado, en el sentido de negociar directamente con las empresas y ejercer su derecho de reivindicación, queda borrada de un plumazo y se convierte en una generosa actitud de la burguesía. Del mismo modo como la lucha popular contra la dictadura es escamoteada, puesto que las “presiones” por la democratización “venían también, y esto hay que decirlo muy claramente, desde sectores de adentro del Estado”, lo que permite concluir, enérgeticamente: “Si no entendemos esto, no entenderemos los cambios en Brasil. No hay que creer que el enfrentamiento es global, entre el Estado represivo por un lado y las clases dominadas por el otro”.[74]

No nos preocupemos demasiado en refutar la pretensión de que es la burguesía quien ha concedido aumentos salariales, a contrapelo del Estado y los sindicatos, y quien lucha por una relación directa con éstos. La vida misma ha mostrado –¡y con que rapidez!– qué hay de verdad en ello: en las recientes huelgas de los obreros metalúrgicos de São Paulo, ante la lentitud del Estado en actuar, fueron los patrones quienes pidieron a gritos la represión, resistiéndose a la relación directa con los sindicatos, que los trabajadores acabaron por imponerles. Señalemos, más bien, que Cardoso se ha desvivido por construir una alternativa para la colaboración de clases entre la clase obrera y la oposición burguesa, oposición que expresa hoy una fracción del gran capital que intenta imponer su hegemonía sobre el aparato de Estado, en el marco de un régimen renovado, en el figurino que la nueva administración norteamericana ha bautizado de democracia “viable” o “gobernable” (es decir, restringida).

El planteamiento de Cardoso oculta las contradicciones que dividen hoy a la burguesía misma e intenta hacer creer en una contradicción entre la burguesía en su conjunto (capitaneada por las multinacionales) y el Estado. Este, bajo el control de los militares (o un sector de éstos) y una supuesta “burguesía de Estado” (los tecnócratas y la capa gerencial de las empresas estatales), ofrecería la posibilidad de una política nacionalista y democrática, sobre la base de una alianza con la clase obrera organizada, es decir, los sindicatos. A esto responde la preocupación de las Desventuras por la “necesidad de definir los campos de los aliados y de interferir para ampliar las brechas puestas como posibles por las contradicciones que minan la cohesión de las clases dominantes”. (p. 48).[75]

Este es el “camino al socialismo” que proponen los autores de las Desventuras: la subordinación de la clase obrera al Estado, teniendo como programa el desarrollo del subimperialismo brasileño. Como todo proyecto socialista burgués, se resume en la afirmación de que “los burgueses son burgueses en interés de la clase obrera”, como lo señalaran ya el Manifesto Comunista, y deja corto al mismo Lassalle, quien, como decía Marx, “estrechaba la mano de Bismark en nombre de los intereses del proletariado”.

Siendo una propusta política que reposa sobre bases falsas, esa alianza de la clase obrera con la “burguesía de Estado” y los militares tiene tan poca viabilidad como, en el pasado, la alianza a que se la quería conducir con la “burguesía nacional”. Pero, hasta que la historia no la cancele, los nuevos ideólogos de la burguesía cumplen con diligencia su tarea, confiantes en la autonomía de la lucha política: la de tratar de sembrar confusión y desconcierto entre la clase obrera y la izquierda, propiciando maniobras de división sobre ellas. Se empeñan, pues, en “desarticular” todo intento de crítica del capitalismo brasileño que contenga, en sus supuestos, la negación de ese engendro que es el “capitalismo de Estado nacional y democrático” que propugnan (la expresión es del cebrapiano Carlos Estavam Martins). En esa línea, las Desventuras no son sino un paso en la escalada que pretenden llevar a cabo contra el marxismo, para retirarle a la clase obrera cualquier posiblidad de dar un fundamento científico a sus luchas de clase.

Pero no basta atacar las ideas, es preciso desacreditar también el movimento social de que brotaron. Las Desventuras se permiten, pues, reinterpretar la historia de manera muy particular, presentando como un precio injustificado y un sacrificio inútil la práctica armada de la izquierda brasileña. Pretenden ocultar que, con sus errores y sus aciertos, fue así como se puso sobre el tapete, en Brasil (tal como se había hecho en Latinoamérica), de manera concreta, la cuestión del poder y el derecho de la clase obrera y sus aliados a luchar por conquistarlo. Gracias a ello, la idea del socialismo ha dejado de ser una abstracción, un ideal sin trascendencia práctica, un tema para la discusión de intelectuales, para ganar el centro de las luchas de clases y obligar incluso a la burguesía y sus ideólogos a intentar, hoy, desviarla hacia “acciones concretas en coyunturas específicas” y un socialismo que apenas encubre su carácter de clase burgués.

La vida misma se encargará de mostrar la inutilidad de esos esfurzos. Y lo hará por la lógica implacable de la lucha de clases que está ya encendiendo la lucha ideológica, al plantear sin tapujos las grandes cuestiones a discutir, y que ha producido una nueva clase obrera, más madura y más organizada, en quien se arraiga cada vez más la conciencia de que el Estado es su enemigo de clase. Hoy, el movimiento obrero brasileño exige la democracia sindical y la autonomía respecto al Estado, mientras da sus primeros pasos en la lucha política; mañana, avanzará hacia la construcción de su partido y de la alianza con las amplias masas trabajadoras de la ciudad y del campo, para hacer frente al problema del poder. Vivimos un momento en que las palabras de Lenin, en el  ¿Qué hacer?, adquiren plena validez para todos aquellos que aspiran a ver el proletariado brasileño en la vanguardia de la lucha antiimperialista y socialista en América Latina:

“La realización de esta tarea, la demolición del más poderoso baluarte no ya de la reacción europea, sino también (podemos decirlo hoy) de la reacción asiática, convertiría al proletariado ruso en la vanguardia del proletariado revolucionario internacional. Y tenemos el derecho de esperar que obtendremos este título de honor, que nuestros predecesores, los revolucionarios de la década de 70, han merecido, siempre que sepamos inspirar a nuestro movimiento, mil veces más vasto y profundo, la misma decisión abnegada y la misma energía”.

Notas

[1] Subdesarrollo y revolución, Siglo XXI, México, 1974. 5. edición aumentada, p. 104. En adelante, se designará ese texto por SR. El capítulo correspondiente se publicó, originalmente, como artículo: “La dialéctica del desarrollo capitalista en Brasil”, Cuadernos Americanos (México), CXLVI-3, mayo-junio de 1916, pp. 133-155.
[2] Ibid., p. 103-104.
[3] Ibid., p. 101 ss. Esa falta de honestidad en el uso del material criticado, que caracteriza a las Deseventuras, es aún más flagrante en la consecuencia que sacan de esa cita, en el sentido de que “ese tipo de análisis ayudó a racionalizar los argumentos por parte de la izquierda latinoamericana a lo largo de los años sesentas y comienzos de los setentas” (p. 7), añadiendo en nota que dicha racionalización puede ser encontrada en SR, en el pasaje correspondiente a “Los supuestos de la lucha armada” (p. 133-141). Las Desventuras no dicen que dicho pasaje es…? ¡una crítica a los supuestos de la práctica armada de la izquierda brasileña, de la época! Hay muchas razones por las cuáles denunciarme como partidario de la lucha armada, pero afirmar que mi toma de posisión al respecto se deriva de la tesis del “estancamiento” constituye a lo menos una asertiva desventurada.
[4] Ibid. p.57. El capítulo correspondiente apareció, como artículo, en un número de 1965 de la revista Foro Internacional (México).
[5] “Brasil: de la república oligárquica al Estado militar”, Brasil Hoy, Siglo XXI, México, 1966.
[6] “Concentración del progreso técnico y de sus frutos en el desarrollo latinoamericano”, El Trimestre Económico (México), n. 125, enero-marzo de 1965, p. 3-69. Pinto expresa su concepción (en el fondo, correcta) de una manera todavía confusa y en lenguaje cepalino, al distinguir un polo “dinámico” y otro “tradicional”, que no se caracterizaban ya por el corte entre la agricultura y industria, sino que dividían horizontalmente toda la estructura económica. Ese nuevo dualismo está presente en el trabajo de Cardoso y Faletto, Dependencia y desarrollo en América Latina,  Siglo XXI, México, 1969, y dio lugar a posteriores elaboraciones sobre temas específicos, como el de la llamada “marginalidad social.”
[7] Cardoso y Faletto manejan la relación de la economía dependiente con la economía mundial siempre en función del concepto cepalino de “setor externo”, lo que no les permite relacionar cómo las tendencias y leyes del capitalismo operan en una y otra ni cómo se articulan entre sí. Posteriormente, Cardoso trató de integrar en sus trabajos ese nivel de análisis, que ya estaba presente en las elaboraciones de la izquierda revolucionaria brasileña; vienen de allí sus conceptos de “desarrollo autónomo” y “desarrollo asociado”, tomados prestados a los de “desarrollo autónomo” y  “desarrollo integrado”, que yo utilizara en el artículo de 1965 citado, así como en el que se publicó originalmente con el título de “Brazilian Interdependence and Imperialist Integration”, Monthly Review (N. York), diciembre de 1965.
[8] Dialéctica de la dependencia, Era, México, 1973, p.24-49. En adelante, designado como DD.
[9] Cfr. DD, p. 40-41. Señalemos que el aumento del número de trabajadores, a que se refieren mis “críticos” en p. 20, pese a que fue abundantemente utilizado en América Latina, no tiene que ver con el tema de la superexplotación: a circunstancias iguales, deja invariable la cuota de plusvalia, pudiendo afectar tan sólo a la cuota de ganancia.
[10] Analizando el efecto de la prolongación de la jornada de trabajo, y su relación con el descenso del precio del trabajo, dice Marx: “… Este poder de disposición sobre una cantidad anormal de trabajo no retribuido –anormal, porque rebasa el nivel social medio– pronto se convierte en motivo de competencia, entre los propios capitalistas. Una parte del precio de la mercancía está tomada por el precio del trabajo. La parte no retribuida del precio del trabajo no necesita figurar primer paso que impulsa a dar la concurrencia. El segundo paso impuesto por ésta consiste en desglosar también del precio de venta de la mercancía una parte por lo menos de la plusvalia anormal, conseguida mediante la prolongación de la jornada de trabajo. De este modo, se va formando, primero esporádicamente y luego de un modo cada vez más estable, un precio anormalmente bajo de venta de la mercancía que, si en un principio era el fruto de los salarios raquíticos y de las jornadas excesivas, acaba por convertirse en base constante de estos fenómenos”. El capital, México, Fondo de Cultura Económica, tomo I, p. 460, subrayados míos. Esto vale para cualquier procedimiento que implique aumentar la masa de trabajo impago y explica las diferentes estructuras de precios que rigen entre países con distinto grado de desarrollo capitalista.
[11] La necesidad de considerar globalmente los movimientos del comercio internacional, puesta en evidencia por algunos autores, es enfatizada por Andre Gunder Frank en su ensayo “Desequilíbrios do comércio multilateral de mercadorias e desenvolvimento econômico regular”; véase su libro Acumulação, dependência e subdesenvolvimento, Iniciativas Editoriais, Lisboa, 1977.
[12] El capital, cit., t. I, p. 506.
[13] “En el trabajo de los esclavos, hasta la parte de la jornada en que el esclavo no hacía más que reponer el valor de lo que consumía para vivir y en que por tanto trabajaba para sí, se presentaba exteriormente como trabajo realizado para su dueño. Todo el trabajo del esclavo parecía trabajo no retribuido.” El capital, cit., t. I, p. 452.
[14] Ibid., t. I, cap. XXII.
[15] Ibid., p. 509.
[16] Ibid., p. 469-470.
[17] Ibid., p,. 439.
[18] Sobre esta base, mis “críticos” se permiten debitar al lector una engollada digresión sobre el papel del capital constante en la elevación de la cuota de ganancia, de que trata el Libro II de El Capital en su primera sección, y concluir enfáticamente: “Así, Marini reveló desconocer el papel que puede presentar el progresso técnico en la producción de mercancías que integran el capital constante y de allí en la elevación de la productividad y la cuota de ganancia”. (p. 39, subrayados míos). Cualquier lector que conozca mi texto sabe que de lo que trato allí es del capital variable, de métodos de producción de plusvalía que no tienen que ver con el aumento de la productividad y de la cuota de plusvalía.
[19] Sobre el asunto, Marx hace una observación que debiera hacer reflexionar a los autores de las Desventuras. ” ¡Y esta es la gracia de la economía apologética! Los antagonismos y las contradicciones inseparables del empleo de la  maquinaria no brotan de la maquinaria misma, sino de su empleo capitalista.  Y puesto que  la maquinaria, de por sí, acorta el tiempo de trabajo, mientras que, empleada por el capitalista, lo alarga; puesto que de suyo facilita el trabajo, mientras, aplicada al servicio del capitalismo, refuerza más todavía su intensidad… etcétera, el economista burgués declara lisa y llanamente que el examen de la maquinaria como tal demuestra de un modo preciso que todas aquellas contradicciones palpables son una simple aparencia de la realidad vulgar, porque no existen de por sí ni  por  tanto tampoco en la teoría. En vista de esto, no se molesta en quebrarse la cabeza y, encima, achaca al adversario la necesidad de no combatir el empleo capitalista de la maquinaria, sino la maquinaria misma. El capital, cit., I, p. 366-367
[20] Cfr. SR, Parte IV, en parcitular pp. 198-200. Las Desventuras citan ese texto en su versión en inglés: “Brazilian subimperialism”, Monthly Review (N. York), febrero 1972.
[21] Fernando Antonio Rezende da Silva, “A evolução das funções do governo e a expansão do setor público brasileiro”. Pesquisa e planejamento. (Rio), 2, diciembre 1971, pp. 244-247.
[22] Werner Baer, Isaac Kerstenetzky y Aníbal V. Villela, “As modificações no papel do Estado na economia brasileira”, Pesquisa e Planejamento (Rio), vol. 3, n. 4, diciembre 1973, pp. 898 y 905.
[23] Como, por ejemplo, los llamados incentivos fiscales y crediticios a las exportaciones, principalmente de manufacturados, así como a las inversiones y ampliaciones destinadas a este fin.
[24] Un análisis de la coyuntura 1964-1970 puede encontrarsse en SR, Parte III y IV.
[25] Estos datos y los que siguen sobre el papel del Estado en la economía brasileira están tomados de Baer y otros, “As modificações no papel do Estado…” Cit., salvo indicación en contrario.
[26] Acudiré, aquí, a las siguientes fuentes: Stockholm Internacional Peace Research Institute, World Armaments and Disarmament, SIPRI Yearbook 1976; The International Institute for Strategic Studies (IISS), The Military Balance 1977-1978, America’s External Relations: Brazil, México and Venezuela, Consejo de Seguridad Nacional de Estados Unidos, marzo 1977, mimeo, y Albert Fishlow, “Algumas reflexões sobre a política econômica brasileira após 1964”,  Estudos Cebrap (S. Paulo), n. 7, enero-marzo 1974.
[27] Según el IISS, los efectivos de las Fuerzas Armadas Brasileñas son, actualmente, los siguientes: Ejército 180,000 (110,000 conscriptos); Marina, 49,000 (3,000 conscriptos; incluye Fuerza Aérea Naval, Infantes de Marina y Cuerpo Auxiliar); Fuerza Aérea, 42,800; total, 271,800. A ello, hay que agregar las fuerzas de seguridad pública: 200,000  (incluye policías estatales).
[28] O Estado de São Paulo, 2-3-1978.
[29] Cfr., SR, loc. Cit.
[30] O Estado de São Paulo, 13-4-1977, e IISS.
[31] “… el comercio exterior fomenta en el interior el desarrollo de la producción capitalista….” El  capital, cit, III, p. 238.
[32] Si tomamos los datos que proporcionan las Desventuras, en el cuadro 3, el valor de las exportaciones toales se multiplicó por cinco, en el período, y el de las exportaciones manufacturas se multiplicó por quince.
[33] Véase, por ejemplo, el análisis de un equipo de expertos fuera de toda sospecha: Carlos Von Doellinger, Hugo de Castro Faria, y Leonardo Caserta Cavalcanti, A política brasileira de comércio exterior e seus efeitos, 1967-1973, IPEA/INPES, Rio de Janeiro, 1974.
[34] Paul Bairoch, Commerce extérieur el développment économique de l`Europa au XIX e siècle, Mouton, París, 1976, cuadro 25 y 26.
[35] Ibid., cuadro 61.
[36] Von Doellinger y otros, op. Cit., cuadro V. 17.
[37] Visão, 14-11-1977.
[38] Las Desventuras manejan, para el empleo manufacturero, cifras de 7% y hasta 9%, pero esta divergencia no tiene importancia para lo que se va a exponer aquí. Hemos tomado los datos sobre el empleo de la Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, cuarto trimestre de 1968 y 1972, IBGE, citados por Claudio Salm, “Evolução do mercado de trabalho, 1969-1972”. Estudos Cebrap (S. Paulo), n. 8, abril-junio 1974; siempre que no se indique otra cosa, los datos de la PNAD se extraerán de allí.
[39] La expansión del empleo, según algunos indicadres, se ha frenado a partir de 1976. Desde octubre de ese año, de acuedo al Ministerio del Trabajo, la reabsorción de la mano de obra ha sido inferior a las dispensas; en diciembre de 1976, el saldo de admisiones-dispensas indica que quedaron desempleados cerca de 23 mil trabajadores; ese saldo negativo subió a 35 mil, en diciembre de 1977. Por otra parte, según el Departamento Intersindical de Estadística y Estudios Socio Económicos (DIEESE), de São Paulo, en diciembre de 1977, el  7,5% de la PEA estaba desempleado (es decir, 3,5 millones de trabajadores sobre un total aproximado de 44 millones).
[40][Esta nota no aparece en la versión digital y tampoco en la versión impresa. N. E.]
[41] DIEESE, O Fundo de Garantia e se impacto no mercado de trabalho, São Paulo, 1978.
[42] Cit., por Folha de São Paulo, 2-4-1978.
[43] El capital, cit., I, p. 148-149.
[44] Cfr. Teresa Mattos e Mariana Carvalho, “Efeitos da superexploração sobre a classe operária”, Brasil Socialista (Lausanne), n.3, julio 1975.
[45] Estas cifras son congruentes con las que se desprenden del Censo Demográfico de 1970: si comparamos el número de trabajadores remunerados que percibían hasta un salario mínimo y el de los que percibían entre 1 y 2 salarios mínimos, tendríamos los porcentajes de 59,10% y 17,92%, sumando ambas categorías el 77%, es decir, 12,5 millones de personas sobre un total de 16 millones. La PNAD, a su vez, constata el aumento creciente de los que ganan hasta un salario mínimo: de los trabajadores que se incorporaron al grupo de asalariados puros, entre 1968-1972, el 41,6% lo hizo en ese tramo y el 25,3% en el que comprende entre 1 y 2 salarios mínimos, sumando ambos el 70% del total.
[46] Sobre la base del promedio anual real del mayor salario mínimo, datos proporcionados por la Fundación Getulio Vargas y el Ministerio del Trabajo, a precios constantes de marzo de 1978; véase O Estado de São Paulo, 29-4-78. Observamos que los datos posteriores a 1973 se ven expuestos a la inconfiabilidad que explícitamente les confirió un documento del Ministerio de Hacienda, Mario Henrique Simonsen, hecho público a fines de 1977, que revelaba que los índices del costo de la vida fijados por la Fundación Getúlio Vargas, para fines de revisión de salario mínimo, habían sido rebajados ese año, mediante manipulación fraudulenta.
[47] Mattos y Carvalho, cit.,Isto É, 29-4-1978.
[48] Tras reproducir una gráfica que ilustra la correlación existente entre los índices del salario mínimo y de la mortalidad infantil, Mattos y Carvalho acotan: “El índice de mortalidad infantil en Brasil es de 112 defunciones por cada 1000 nacimientos, sólo inferior al del Haití, en América Latina. En el estado de São Paulo, el más rico del país, el índice de mortalidad infantil llegó, en 1970, a 83,64, cuando era en 1960 de 77,17. En la ciudad de São Paulo, la más grande concentración obrera del país, los números van en franca progresión, en emulación dramática con el crecimiento de las ganancias de los capitalistas: en 1960, era de 62,94 defunciones por cada 1000 nacidos; en 1970, era de 88,28; en 1973, era de 93,0.” Op cit., p. 41.
[49] DIEESE, Família assalariada: padrão e custo de vida, São Paulo, 1974, mimeo.
[50] Mattos y Carvalho, op. cit., p. 31.
[51] Movimento, 30-1-1978.
[52] El problema de trabajo del menor no se restringe a los adolescentes entre 16 y 18 años de edad. De acuerdo a datos divulgados por el IBGE, los trabajadores menores de 14 años en la agricultura han pasado de 2,9 millones a 4,5 milliones, entre 1970 y 1975, aumentando en un 54,5% en todo el país. La participación de los menores de 14 años en el personal empleado en el sector ha evolucionado de un 16.5% a un 21.3%, en el período considerado. Crf. Folha de São Paulo, 4-12-1977.
[53] Véase Movimento, 20-3-1978.
[54] Idem., 26-6-1978.
[55] Ibidem.
[56] Observemos que, de acuerdo a los datos del IBGE, la participación de los salarios en el valor agregado de la industria manufacturera, era, en 1972, en todo el país, de un 16%.
[57] Debate Proletario (México), n. 1, enero-marzo 1978.
[58] Mattos y Carvalho, Cit., p. 33.
[59] Movimiento,  6-3-1978.
[60] Mattos y Carvalho, Cit., p.34.
[61] Ibid.
[62] Movimiento, 30-1-1978.
[63] Debate proletário, Cit., p. 34.
[64] O Estado de São Paulo, 6-4-1978.
[65] Lenin, “Respuesta al señor P. Nezhdánov”, en Sobre el problema de los mercados, Siglo XXI, México, p. 249-250.
[66] “¿A que herencia reunciamos?”, en Obras escogidas en doce tomos, Progreso, Moscú, t. I, p. 422.
[67] “Respuesta al señor Nezhdánov”, Cit., p. 245.
[68] Ibid., p. 249.
[69] El Capital, cit., t. III, p. 254.
[70] Ibid., p. 243.
[71] Ibid., p. 243.
[72] “Nota sobre el estado actual de los estudios sobre dependencia”, Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales (Santiago de Chile), n. 4, 1972; véase mi respuesta en DD, Parte II.
[73] El Gallo Ilustrado, suplemento dominical del diario El Día, n. 834, 11-6-1978.
[74] Ibid. Me limito aquí a los párrafos pertinentes; la crítica del conjunto de los planteamientos de Cardoso en dicha entrevista es harina de otro costal.
[75] Esa tesis se presenta, con la ambigüedad característica de Cardoso, en su libro Autoritarismo e Demcratização, Paz e Terra, Río de Janeiro, 1975. En un documento interno del CEBRAP, sin embargo, Cardoso la hace explícita: “… Como cada uno de los sectores del capital (estatal y multinacional) busca apoyos políticos, podrá ocurrir la proposición de futuras alianzas entre sindicatos, parte del Ejército, masa urbana y la burguesía estatal en contra de las multinacionales –que buscarán apoyo en las clases medias y en la burguesía local en contra del estatismo”. Comentários sobre el proyecto de Reichstul y Coutinho, Cit. Por Carlos Estavam Martins, Capitalismo de Estado e modelo político no Brasil, GRAAL, Río de Janeiro, 1977, p. 330.

*Fuente: Archivo de Ruy Mauro Marini. Publicado en Revista Mexicana de Sociología, número especial, Facultad de Ciencias Políticas y Sociales, UNAM, México, 1978.

12, 12-11.

Críticas y convergencias con la Teoría de la Dependencia

Claudio Katz|

En los años 70 Agustín Cueva fue el principal crítico marxista de las Teorías de la Dependencia. Objetó la tesis del desarrollo asociado, cuestionó la visión metrópoli-satélite y mantuvo intensas polémicas con Bambirra, Dos Santos y Marini. Pero a partir de confluencias políticas, en la década siguiente participó de un reencuentro teórico que modificó el abordaje del subdesarrollo.

Funcionalismo sin sujetos

Cueva sobresalió como un intelectual muy creativo. Se forjó en el ambiente localista de Ecuador, absorbió concepciones estructuralistas en Francia y maduró su novedosa mirada historiográfica en México. Compartió ciertas estrategias políticas con los partidos comunistas, pero cuestionó el dogmatismo imperante en la URSS (Prado, 1992).

Sus debates con la teoría de la dependencia comenzaron con tres objeciones al esquema de Cardoso-Faletto. Criticó, en primer término, el uso de criterios funcionalistas para explicar la historia de América Latina, señalando que el “desarrollo hacia adentro” o las “colonias de explotación” carecían de la consistencia explicativa. Retrataban peculiaridades de ciertas áreas o singularidades de los productos exportados, pero no aportaban criterios para la interpretación del subdesarrollo.

Cueva puntualizó que las ventajas o inconvenientes generados por los recursos de cada región no clarifican la lógica capitalista, ni esclarecen las aptitudes diferenciadas para la acumulación. Señaló que sólo los conceptos marxistas de fuerzas productivas, relaciones de producción y lucha de clases facilitan ese análisis (Cueva, 1976).

ec cueva agustinEl pensador ecuatoriano estimó que Cardoso soslayaba los procesos histórico-sociales en todas sus caracterizaciones. Señaló que FHC ofrecía una descripción de las ventajas del control nacional sobre los recursos (México) frente a su administración foránea (pequeños países de Centroamérica). Destacó que también retrataba las conveniencias de ciertas alianzas políticas para incentivar la industrialización (Brasil en los años 60) u obstruirla (Argentina en el mismo periodo) (Cueva, 1973:102).

Pero el teórico andino puntualizó que en ese pantallazo, los desequilibrios de la acumulación capitalista eran tan omitidos como los conflictos entre los grupos dominantes.

Cueva objetó, en segundo lugar, el razonamiento “externalista” de Cardoso. Destacó que su enfoque sustituía el análisis de cada economía latinoamericana por una simple constatación de inserciones en el mercado mundial. Señaló que la contraposición entre situaciones de enclave y control nacional de los recursos nacionales registraba conexiones externas, sin indagar la dinámica endógena del desenvolvimiento de cada país.

Estimó que la omisión de la dimensión agraria ilustraba ese desconocimiento de los procesos internos. Destacó especialmente la ausencia de referencias a los conflictos entre campesinos y latifundistas, que determinaron los principales desenlaces progresivos (México) o regresivos (Perú, Colombia) de la historia regional. Observó que en muchas circunstancias esos procesos fueron más determinante del subdesarrollo que las exacciones externas.

En tercer lugar, Cueva advirtió la total ausencia de sujetos populares en la radiografía expuesta por Cardoso. Remarcó que presentaba al pueblo como un acompañante pasivo de las alianzas tejidas por las burocracias con las clases dominantes.

El teórico ecuatoriano señaló que FHC sólo reconocía cierta gravitación de la clase media, ignorando por completo a los obreros, campesinos o desposeídos. Estimó que ese desconocimiento obstruía cualquier análisis de lo acontecido en un continente convulsionado por rebeliones y resistencias populares (Cueva, 1976).

Con esta temprana percepción del funcionalismo, el externalismo y la omisión de las confrontaciones de clases, Cueva puso de relieve defectos en la obra de Cardoso, que los teóricos marxistas de la dependencia resaltaron con mayor tardanza (Katz, 2016).

Exogenismo mecánico

Cueva objetó también la visión externalista del esquema metrópoli-satélite y la interpretación del subdesarrollo como un resultado exclusivo de la inserción subordinada en el mercado mundial (Cueva, 1979a: 7-11).

Cuestionó el énfasis unilateral de Frank en los desequilibrios exógenos, señalando que América Latina no era dependiente por su integración en el mercado mundial, sino por la obstrucción interna a su desarrollo. Observó que el predominio de rentas improductivas generadas por la primacía de las haciendas, plantaciones y latifundios bloqueó más la acumulación de capital, que las succiones coloniales o imperiales .

André Gunder Frank
André Gunder Frank

El pensador ecuatoriano atribuyó los errores de Frank a su asimilación acrítica de los enfoques de la CEPAL, exclusivamente centrados en el deterioro de los términos de intercambio. Señaló que esa mirada indujo a generalizaciones excesivas y a suponer que todas las sociedades latinoamericanas están cortadas por un mismo patrón.

Cueva destacó que el simplificado modelo de satélites y metrópolis omite las diferencias entre economías tan disimiles como Chile y Brasil. Cuestionó también la atención excluyente a l comercio en desmedro de la producción, como principal determinante del subdesarrollo (Cueva, 1986) . Varios autores de la época tipificaron ese defecto con el término de “circulacionismo”.

El crítico andino también cuestionó las conclusiones de su colega alemán. Estimó que la conocida fórmula para describir el retraso latinoamericano (“desarrollo del subdesarrollo”) sugería un erróneo escenario de estancamiento.

Cueva objetó la identificación de una situación dependiente con bloqueos a cualquier expansión y propuso indagar a Latinoamérica como un eslabón débil del desarrollo desigual del capitalismo. Resaltó que la competencia y la inversión son incompatibles con el estancamiento, en un sistema sujeto a espirales de contradicciones (Cueva, 1977: 98-113, 437-442).

El teórico ecuatoriano criticó, además, la desconsideración por los antagonismos entre opresores y oprimidos. Cuestionó la sustitución analítica de las luchas y las sublevaciones por meras clasificaciones de satélites.

Frank no respondió. Se limitó a registrar esos señalamientos como un indicio del impacto generado por su propia obra. Esta actitud fue congruente con el abandono de la Teoría de la Dependencia que consumó al poco tiempo de haberla formulado (Frank, 1970: 305-327).

Posteriormente retomó el tema afirmando que su enfoque nunca privilegió el comercio, ni desconoció las dimensiones endógenas. Pero no aportó argumentos para justificar esa opinión (Frank, 2005).

Las observaciones de Cueva sintonizaron con objeciones de otros analistas, que remarcaron “unilateralidades” del enfoque metrópoli-satélite (Vitale, 1981), su “exagerado dependentismo” (Martins, 2009) o su “pesimismo apocalíptico” (Boron, 2008).

Problemas del pan-capitalismo

La crítica de Cueva se extendió al diagnóstico del capitalismo comercial instaurado en América Latina desde el siglo XVI. Frank afirmaba que desde esa época predominó en la región un sistema de producción orientado por el mercado. Expuso esa tesis en polémica con las teorías del pasado feudal, señalando que nunca rigió una economía cerrada o meramente rural (Frank, 1970: 31-39, 167-168).

Cueva remontó también el origen del subdesarrollo a la colonia, pero no atribuyó ese problema al comercio. Recordó la devastación sufrida durante la “des-acumulación originaria” impuesta por la conquista y señaló que esa depredación no instauró modalidades capitalistas (Cueva, 1973: 65-78).

El pensador andino criticó la identificación del capitalismo con el intercambio comercial. Contrapuso la asociación de ese sistema con la economía monetaria (Adam Smith), a su presentación como un modo de producción basado en la explotación del trabajo asalariado (Marx). Subrayó que el capitalismo presupone procesos industriales de extracción de plusvalía, inexistentes en esa época no sólo en América Latina, sino también en Europa.pancapitalismo

Cueva remarcó la preeminencia inicial en América Latina de regímenes pre-capitalistas estrechamente conectados con el naciente mercado mundial. Objetó el simplificado contrapunto entre los intérpretes de la colonización feudal y capitalista, destacando la imposibilidad de corroborar ambas caracterizaciones. Propuso incorporar la noción de formaciones económico-sociales para resolver ese problema (Cueva, 1988).

Señaló que las articulaciones de variados modos de producción rigieron desde la conquista hasta el siglo XIX (Cueva, 1979a: 60-68). D istinguió especialmente tres modalidades: la servidumbre en la hacienda, la esclavitud en las plantaciones y el trabajo asalariado en los latifundios. Entendió que esta atención por la forma de explotación imperante era más congruente con el marxismo, que la jerarquización analítica del comercio exterior. Rechazó el pan-capitalismo de Frank por reducir cuatro siglos de historia a la primacía de un modo de producción contemporáneo (Cueva, 1978).

El pensador ecuatoriano también destacó que el concepto de formaciones económico-sociales era indispensable para comprender el subdesarrollo desigual de América Latina. Estimó que lo ocurrido en cada proceso nacional se explicaba por la disolución de las bases pre-capitalistas, que precedieron al afianzamiento de los modelos oligárquicos predominantes desde el siglo XIX (Cueva, 1982).

El teórico andino ubicó el origen contemporáneo del subdesarrollo en la consolidación de la gran propiedad rural y describió cómo las repúblicas balcanizadas impidieron el surgimiento de losfarmers. Situó la causa central del atraso latinoamericano en la carencia (Ecuador, Brasil) o insuficiencia de transformaciones agrarias (México, Bolivia).

Esta relevancia asignada a los determinantes internos del subdesarrollo sintonizó con otras miradas igualmente inspiradas en el enfoque althusseriano (Howard; King, 1989: 205-215). Todas rechazaban las contraposiciones tradicionales entre feudalismo y capitalismo, subrayando el predominio de mixturas condicionadas por la penetración desigual e insuficiente del capitalismo.

Estas visiones empalmaron con las objeciones dentro de la propia teoría marxista de la dependencia a la omisión de las estructuras internas y con la crítica a la falsa equiparación de situaciones coloniales y contemporáneas (Dos Santos, 1978: 303-304, 336-337; Marini, 1973:19). Estos cuestionamientos resaltaron el olvido de las raíces de la dependencia en el plano productivo (Chilcote, 1983) y convergieron con otros críticos de la tesis del capitalismo vigente en América Latina desde 1492 (Salama, 1976:13). 

Cueva también objetó el desconocimiento del protagonismo que tuvieron las clases populares en la historia latinoamericana . Señaló que Frank ignoró esa incidencia en las luchas por la Independencia y en las revoluciones agrarias, nacionales o antiimperialistas de la centuria posterior (Cueva, 1979a: 69-93).

El teórico ecuatoriano abordó el estudio del pasado desde una óptica de los oprimidos (“historia por abajo”), para subrayar cómo ese legado nutrió la cultura de la izquierda. Propició un enfoque que despuntaba también en teóricos marxistas de otras regiones. Los historiadores ingleses, por ejemplo, exploraban en esa época una nueva síntesis entre el papel de estructuras económicas y el rol definitorio de la lucha social (Kaye, 1989).

¿Singularidad metodológica?dependencia

Cueva también criticó el status teórico del concepto dependencia. Objetó la enunciación de leyes específicas del capitalismo subordinado, señalando que esos principios sólo se corresponden con la universalidad de los modos de producción, sin aludir al centro o a la periferia. Precisó que las formaciones sociales específicas no están sujetas a ningún tipo de legalidad (Cueva, 1976).

El pensador ecuatoriano formuló estas observaciones en términos genéricos, pero reprochó la errónea búsqueda de leyes peculiares a “un autor tan riguroso” como Marini.

Cueva no cuestionó la existencia de una dinámica específica de la economía latinoamericana. Objetó su presentación como leyes, señalando que esas reglas explican el funcionamiento del feudalismo o el capitalismo, sin extenderse a los ámbitos peculiares de esos sistemas (Cueva, 1979b).

El pensador andino no profundizó en las consecuencias epistemológicas de su planteo. No pretendía iniciar una controversia filosófica, sino aportar argumentos al debate con los teóricos del singularismo regional. Por eso le cuestionó a Cardoso su búsqueda de originalidades latinoamericanas y rechazó la vehemencia identitaria de muchos auspiciantes de las ciencias sociales latinoamericanas.

Cueva tenía preocupaciones inversas a Marini. En vez de lamentar la ausencia de autores localizados en la región, resaltaba el exceso de provincialismo y la escasa absorción de ideas universalistas. Desechaba la existencia de “categorías nuestras” y confrontaba con las mitologías regionalistas (Cueva, 1979a: 83-93).  

En este debate Cueva prolongaba la batalla que había librado en Ecuador contra la ideología del mestizaje. Denunciaba el retrato imaginario de una armónica convivencia entre pueblos, que difundían los pensadores de las clases dominantes. Estimaba que ese idílico universo encubría la opresión ejercida por las elites adineradas y cuestionaba esa demagogia nacionalista desde una postura socialista (Tinajero, 2012: 9-35).

Esta oposición al nacionalismo populista explica la hostilidad de Cueva a la pretensión de elevar el status conceptual de la teoría de la dependencia. Rechazó esa aspiración afirmando que América Latina estaba regida por principios generales del capitalismo.

Para el teórico ecuatoriano las sociedades latinoamericanas era particulares, pero no originales y la indagación de sus dinámicas no implicaba descubrir leyes propias de la región.

Pero sus críticas sólo eran pertinentes para los pensadores que recurrían a explicaciones espiritualistas de la identidad latinoamericana o para los constructores de forzados de destinos nacionales. Ninguno de esos defectos se verificaba en los teóricos marxistas de la dependencia. Las acusaciones de nostalgia nacionalista contra varios integrantes de esa corriente carecían de justificación.

No sólo Dos Santos, Marini y Bambirra postulaban enfoques socialistas con miradas universalistas. Cardoso mantenía afinidades con el cosmopolitismo liberal y Gunder Frank con variantes libertarias de ese mismo ideario. El equívoco de Cueva estuvo muy influido por el tenso clima político de los años 70.

El balance de la unidad popular

Todos los participantes del debate de la dependencia estuvieron personalmente involucrados en la experiencia de la Unidad Popular chilena. Al igual que sus colegas, Cueva tuvo enormes expectativas en un desemboque socialista de ese proceso. Describió esa oportunidad en un país con excepcionales tradiciones de continuidad institucional. Señaló que ese legado facilitó el triunfo electoral de la izquierda, pero fue también utilizado por el pinochetismo para preparar el golpe .

Ruy Mauro Marini
Ruy Mauro Marini

Cueva estimó que la derecha demostró una voluntad de poder ausente en la UP. Esa coalición buscó acuerdos con la oposición y no supo utilizar el respaldo popular para desbaratar la asonada.

El pensador ecuatoriano retrató el papel arbitral de Allende y la confianza socialdemócrata en el legalismo. Pero también criticó la conducta “aventurera” del MIR por su promoción de acciones directas “utilizadas por la derecha” (Cueva, 1979a: 97-140).

Marini extrajo un balance totalmente opuesto. Identificó el triunfo de la UP con la apertura de un proceso revolucionario y responsabilizó al Partido Comunista por la frustración de ese curso. Criticó especialmente la hostilidad de esa organización a cualquier desborde del marco político burgués.

El economista brasileño estimó que Allende quedó entrampado en una tolerancia suicida del golpe. Señaló que el MIR nunca realizó acciones adversas a la UP. Al contrario colaboró con ese gobierno, promovió comités para sostenerlo, alentó la reforma agraria y la continuidad de la producción saboteada por los capitalistas (Marini, 1976a). Reivindicó al mismo tiempo el intento de gestar formas de poder alternativo para contener a Pinochet (Marini, 1976b).

Dos Santos coincidió con Marini. Integraba el Partido Socialista y proponía la unión de toda la izquierda para radicalizar el proceso abierto con el gobierno de Allende (Dos Santos, 2009:11-26).

En una mirada retrospectiva la balanza de la discusión se inclina a favor de Marini. El teórico de la dependencia captó la disyuntiva imperante en 1970-73 entre el debut del socialismo y el triunfo de la reacción. Cueva eludió ese dilema con enunciados contradictorios.

El escritor ecuatoriano objetó tanto la miopía institucionalista como la acción directa, sin aclarar cuál de los dos problemas fue determinante del trágico desenlace. Mientras que la izquierda de la UP fomentaba el poder popular, el sector conservador de ese frente buscaba una alianza con la Democracia Cristiana, para gestar una etapa de capitalismo nacional.

Cueva sugirió una tercera opción sin explicar cómo podría implementarse. Criticó la supresión de etapas intermedias y el desconocimiento de la correlación de fuerzas (Cueva, 1979a: 7-11). Pero Marini tomaba en cuenta ambos problemas al apoyar las iniciativas desde abajo en los cordones industriales y las comunas agrarias.

Tanto Cueva como Marini promovían la conversión de los triunfos electorales de la izquierda en dinámicas radicales de conquista del poder. Pero confrontaron duramente en la definición de las estrategias para alcanzar ese objetivo. Esta divergencia se proyectó a otros planos y generó drásticas críticas (Cueva, 1988) y virulentas defensas de la Teoría de la Dependencia (Marini, 1993; Dos Santos, 1978: 351, 359, 361; Bambirra, 1978: 40-73).

Endogenismo tradicional y transformado

Theotonio dos Santos y Vania Bambirra vuelven del exilio (1979)
Theotonio dos Santos y Vania Bambirra vuelven del exilio (1979)

Aunque Cueva compartió la estrategia de muchos partidos comunistas, no cuestionó la Teoría de la Dependencia desde ese alineamiento. Su enfoque contrastó con las objeciones formuladas por esa corriente.

Los exponentes del comunismo oficial criticaban el rechazo de Frank, Marini y Dos Santos a la política de alianzas con la burguesía nacional. Señalaban que con esa oposición se negaba la primacía de la lucha antiimperialista, se desconocía la necesidad de los frentes poli-clasistas, se desvalorizaba al campesinado y se omitía la centralidad de la lucha democrática (Fernández; Ocampo, 1974).

Pero en los hechos las alianzas con las “burguesías progresistas” conducían a esos desaciertos. Esos grupos dominantes adoptaban posturas regresivas de atropello a los trabajadores y de sostén de la represión. El oficialismo comunista no registraba, además, las potencialidades socialistas abiertas con la revolución cubana, que dos teóricos de la dependencia expusieron en un elaborado texto ( Dos Santos; Bambirra, 1980).

Cueva no participó en esas discusiones, ni repitió las acusaciones que recibía el dependentismo por su parentesco con la “ideología burguesa”. Ese cuestionamiento resaltaba el contenido filosófico “idealista” de esa concepción, subrayando su desatención por las problemáticas materialistas de la relación del capital con el trabajo (Angotti, 1981). También alertaba contra la existencia de una confusa variedad de conceptos de la dependencia, que eran aprovechados por los autores pro-imperialistas.

La inconsistencia de estas observaciones salta a la vista en cualquier lectura contemporánea. Pero los disparos verbales sin contenido eran muy frecuentes en una época de razonamientos orquestados en torno a fidelidades o herejías hacia el partido. Cueva se ubicó en un ámbito político próximo al comunismo sin compartir esos códigos. Nunca sustituyó la reflexión por la demolición de los disidentes.

Tampoco crucificó a los teóricos de la dependencia por su resistencia a endiosar a la Unión Soviética, ni estimó que le “hacían el juego al imperialismo” por soslayar panegíricos del “campo socialista”.

El pensador ecuatoriano desenvolvió, en cambio, los argumentos endogenistas sugeridos por varios críticos comunistas de la teoría de la dependencia. Transformó vagas observaciones en sólidos planteos, objetando especialmente la atención unilateral por los procesos de circulación comercial, en desmedro de la dinámica productiva del capitalismo.

Cueva resaltó también la importancia de priorizar el atraso agrario como explicación del subdesarrollo subrayando el peso del latifundio, la gravitación de la renta y la incidencia del campesinado. Postuló que la asfixia endógena generada por el estancamiento agrario era más gravitante que la exacción exógeno-imperial.

Pero a diferencia del endogenismo tradicional, Cueva nunca atribuyó el retraso de la región a la persistencia de resabios feudales, ni planteó la necesidad de una alianza con la burguesía para superar esa rémora.

El teórico andino desenvoldependencia1vió la crítica al exogenismo de Frank sin compartir los preceptos del endogenismo tradicional. Rechazó el mecánico esquema de etapas históricas sucesivas y razonó con criterios de desarrollo desigual y combinado.

En su madurez Cueva ponderó la atención de la Teoría de la Dependencia al lugar internacional de América Latina, pero continuó señalando la carencia de nítidas conexiones analíticas con los parámetros locales. Resaltó la génesis nacional del capitalismo y subrayó los determinantes internos de la acumulación. Buscó por esa vía aportar fundamentos endógenos al dependentismo.

Coincidencias contra el pos-marxismo

Con el afianzamiento de las dictaduras la Teoría de la Dependencia perdió gravitación. En los años 80 algunos autores diagnosticaron la disolución de esa escuela, junto al declive de los proyectos emancipación (Blomstrom; Hettne, 1990: 105, 250-253).

Ese retroceso no obedeció a miradas erróneas de la realidad latinoamericana, sino a las derrotas sufridas por los movimientos revolucionarios. Los conceptos de la dependencia no sucumbieron. F ueron silenciados por la contra-reforma neoliberal (López Hernández, 2005). La teoría que dominó el escenario precedente quedó relegada por motivos políticos y perdió interés entre nuevas generaciones distanciadas de la radicalidad anticapitalista.

La derrota electoral del Sandinismo en 1989 inauguró un repliegue de los proyectos socialistas, que se profundizó con la implosión de la Unión Soviética. La Teoría de la Dependencia decayó como consecuencia de ese retroceso.

Cueva y Marini receptaron de inmediato el golpe e iniciaron un proceso de aproximación en numerosos terrenos, aunque disintieron en la caracterización de las dictaduras.

El pensador ecuatoriano definió a esas tiranías como regímenes fascistas, equiparables a la barbarie de entre-guerra (Cueva, 1979a: 7-11). El teórico brasileño resaltó, en cambio, las diferencias con lo ocurrido en el Viejo Continente. Destacó la debilidad de las burguesías latinoamericanas, que aceptaban el rol sustituto de los militares sin forjar bases propias de sustentación política (Marini, 1976b).

Más allá de estos matices, ambos pensadores convergieron de inmediato en la prioridad de la resistencia democrática. Cuando decayeron las tiranías denunciaron los pactos concertados por los partidos tradicionales con los militares para perpetuar la cirugía neoliberal.

Cueva desplegó una intensa polémica con los autores que justificaban esas negociaciones. Señaló que esos acuerdos socorrían a los gendarmes, consagraban su impunidad y garantizaban las transformaciones regresivas del neoliberalismo (Cueva, 2012). Marini expuso la misma denuncia, mediante categóricos rechazos de la tutela militar de las transiciones pos-dictatoriales.

Pero la principal batalla convergente de Cueva y Marini fue la crítica a los intelectuales pos-marxistas (Laclau). Estos autores abandonaron el análisis de clase, desecharon la centralidad de la opresión imperial y consideraron perimida la acción de la izquierda. También redescubrieron la socialdemocracia y se reencontraron con los viejos partidos dominantes (Chilcote, 1990).

En este escenario Cueva y Marini concentraron todos sus dardos en la defensa del antiimperialismo y el socialismo y polemizaron con la presentación mistificada del capitalismo como un régimen inmodificable.

El escritor ecuatoriano también modificó en ese período su valoración del populismo. En vez de resaltar la funcionalidad de esa vertiente para la ideología burguesa, subrayó el fermento que aportaba a las concepciones jacobinas, que en América Latina enlazaban al nacionalismo radical con el socialismo (Cueva, 2012: 183-192).

En el mismo período Marini retornó a Brasil después de 20 años de exilio y enfrentó la hostilidad de los ex dependentistas acomodados en el universo académico. Denunció ese amoldamiento y retomó sus debates con Cardoso ( Marini, 1991) . La confluencia con Cueva fue un resultado natural de esa batalla contra adversarios comunes.marxismo2

Reencuentro con la dependencia

Cueva y Marini encararon una discusión también convergente con los teóricos neo-gramscianos (Aricó, Portantiero). Esa corriente reformulaba el pensamiento del comunista italiano, para derivar de ese enfoque una visión laudatoria de la democracia. Ignoraba el perfil distintivo de ese sistema político en los diversos regímenes sociales y estimaba que el antiimperialismo y la dependencia eran conceptos obsoletos.

Cueva rechazó esa visión presentado nuevos datos de la subordinación económica y el sometimiento político de América Latina . Ilustró cómo la dependencia se había acentuado con el agravamiento del endeudamiento externo (Cueva, 1986).

El teórico ecuatoriano señaló que el subdesarrollo persistía junto a los procesos de modernización. Resaltó la combinación de pobreza y opulencia vigente en Brasil (“Belindia”) y demostró la inexistencia de una aproximación de la economía latinoamericana con los países centrales (Cueva, 1979a: 7-11).

Con esta exposición Cueva precisó sus caracterizaciones anteriores. Afirmó que en los años 70 había criticado a la Teoría de la Dependencia desde posturas de izquierda, antagónicas con los cuestionamientos derechistas que observaba veinte años después. Declaró su total oposición a estas miradas y revalorizó los aciertos de la concepción que había cuestionado.

Cueva ratificó su proximidad con la Teoría de la Dependencia, aclarando que nunca negó la sumisión latinoamericana al orden imperial. Ratificó su pertenencia al mismo ámbito antiimperialista de los autores que objetó en el pasado. Señaló que sólo pretendió completar el enfoque dependentista, para superar su desconsideración de los determinantes internos del subdesarrollo (Cueva: 1988).

El pensador ecuatoriano expuso esta reconsideración con elogios al trabajo de Marini (Cueva, 2007:139-158) y a las posturas adoptadas por Dos Santos durante su retorno a Brasil (Cueva, 1986). A su vez, Marini reivindicó las críticas de Cueva a los intelectuales pos-marxistas y ponderó sus diferencias con otros autores endogenistas (Marini, 1993).

El camino inverso

ec agustin cueva1Cueva fue el último exponente del endogenismo marxista y el precursor de una síntesis con la Teoría de la Dependencia. Buscó soluciones en el marxismo latinoamericano a los cuestionamientos que afrontaba esa última concepción. Siguió un rumbo contrario a otros pensadores de su tradición, que optaron por el rechazo del esquema centro-periferia y adoptaron una teoría comparativa de los capitalismos nacionales.

En ese curso se embarcó, por ejemplo, el inspirador francés de la Teoría de la Regulación, Alain Lipietz. Este pensador no trabajó específicamente la problemática latinoamericana, pero asimiló en sus inicios el mismo marxismo althusseriano de Cueva.

Con ese fundamento conceptual estudió la dinámica de los modos de producción articulados buscando comprender la singularidad de los modelos nacionales. Desde esa óptica expuso también fuertes objeciones a la Teoría de la Dependencia por su desconsideración de las condiciones internas (Lipietz, 1992: 20, 34-39, 62).

Pero a medidos de los 80 declaró su “cansancio” con el antiimperialismo y las interpretaciones marxistas del subdesarrollo . Objetó el principio de la polarización mundial, señalando que no existe un lugar predeterminado para cada economía en la división internacional del trabajo. Subrayó la existencia de muchos sitios disponibles para situaciones de dependencia o autonomía (Lipietz, 1992: 12-14, 25-30, 38-41).

El teórico francés concluyó este razonamiento ponderando la existencia de una gran variedad de capitalismos nacionales, cuyo rumbo es definido por las elites gobernantes, en función de escenarios sociales e institucionales cambiantes.

Esta tesis nutrió la Teoría de la Regulación -que mixturaba marxismo con heterodoxia keynesiana- y derivó posteriormente en las concepciones social-desarrollistas, que promueven esquemas de capitalismo redistributivo.

En este enfoque se verifican dos problemas que Cueva logró evitar. Por un lado, el abandono del horizonte socialista condujo a Lipietz, a concebir márgenes ilimitados del capitalismo para lidiar con sus propios desequilibrios.

Esa mirada supone que el mercado puede ser mejorado perfeccionando las instituciones, que la rentabilidad puede ser acotada con regulaciones estatales, que la explotación puede neutralizarse y que las crisis son manejables con dispositivos macro-económicos.

Con esos presupuestos de capitalismo auto-correctivo se promueve el régimen de acumulación más conveniente, para un sistema que siempre encontraría soluciones a sus contradicciones. De la descripción inicial de formas variadas del capitalismo se pasa a un diagnóstico de auto-superación de ese sistema, mediante tránsitos de un régimen de acumulación a otro (Husson, 2001:171-182).

El segundo problema de esta modalidad de endogenismo burgués es la omisión de los condicionamientos objetivos que impone la mundialización. Se supone que el capitalismo vigente en cada país constituye una elección soberana de sus ciudadanos.

Al resaltar la determinación puramente interna del curso imperante en cada nación se olvida cómo el capitalismo mundializado modela esas dinámicas nacionales.

La hostilidad a la teoría de la dependencia termina resucitando creencias de libre elección e imaginarios de capitalismo electivo. Cueva sorteó esos desaciertos al intuir las nuevas modalidades de subdesarrollo que genera la mundialización.

La síntesis teóricaec cueva entre la ira y la esperanza

El camino de convergencia con Marini seguido por Cueva abrió el rumbo para una síntesis teórica. Ese empalme quedó planteado por el alineamiento de Cueva en el campo del dependentismo, no sólo como reacción frente a las críticas derechistas. El escritor andino reconoció la validez general de la vertiente marxista de esa concepción y distinguió ese enfoque de las simplificaciones de Frank y las inconsistencias de Cardoso.

Esta reconsideración permitió entender que la interpretación endogenista no era incompatible con la caracterización dependentista del subdesarrollo latinoamericano. Convergían de la misma forma que sintonizaron los marxistas de posguerra en la evaluación de la relación centro-periferia. Las mismas afinidades que conectaron a Sweezy-Baran, Amin y Mandel aunaron a los teóricos sudamericanos.

El encuentro de Cueva con Marini permitió decantar la teoría de la dependencia, depurar sus conceptos e incorporar aportes de otros pensadores. Esa síntesis fue un proceso de maduración simultánea. Al mismo tiempo que Cueva revalorizó la obra de sus viejos contendientes, Marini, Dos Santos y Bambirra afianzaron su distanciamiento de Frank y Cardoso.

La aproximación de endogenistas y exogenistas no implicó unanimidad, ni coincidencia plena. Cueva reafirmó su desacuerdo con varios conceptos de Marini. Resaltó el interés de los diagnósticos del ciclo productivo dependiente, pero remarcó la supremacía de la dimensión financiera .

El pensador ecuatoriano tampoco consideró satisfactorio el concepto de superexplotación, que siguió observando como una variante de la pauperización absoluta. Pero defendió enfáticamente a Marini de las acusaciones de “estancacionismo”, recordando que ese defecto signó la obra de Furtado (Cueva, 2012: 199-200) .

En la síntesis de Marini con Cueva se encuentran los pilares de una caracterización integral del status de América Latina. Partiendo de la condición subordinada y retrasada de la zona, esa visión permite distinguir tres niveles de análisis.

En el plano económico la región es subdesarrollada en comparación a los países avanzados. En la división internacional del trabajo Latinoamérica ocupa un lugar periférico, contrapuesto a la inserción privilegiada que detentan las potencias centrales. En el aspecto político padece dependencia, es decir márgenes de autonomía estrechos y contrapuestos al rol dominante que ejercen los imperios.

Subdesarrollo, periferia y dependencia constituyen, por lo tanto, conceptos conectados a una misma condición. Estas tres nociones no aparecen claramente diferenciadas en Cueva y en Marini, pero han sido precisadas por autores posteriores (Domingues, 2012) .

El marxista ecuatoriano y sus pares brasileños sugirieron una nítida interrelación entre los tres conceptos. Señalaron que la subordinación periférica al mercado mundial define distintos niveles de subdesarrollo, que son acentuados por la dependencia política.

Cueva y Marini resaltaron los márgenes reducidos que tiene América Latina -bajo el capitalismo- para modificar su status. Esta óptica difiere del camino abierto al desarrollo que imaginó Cardoso a partir de los años 80. También discrepa del sendero complemente cerrado a cualquier alteración que supuso Frank en la década del 70.

Los teóricos marxistas realizaron, además, exploraciones muy originales de las diferencias existentes al interior de la región. Cueva presentó un esquema de subdesarrollo desigual determinado por el grado de penetración capitalista vigente en cada país. Bambirra expuso una detallada clasificación de esas variedades y Marini investigó las singularidades de la economía más industrializada de la región.

En este abordaje cada autor jerarquizó distintas localizaciones. Cueva centró su atención en los países con resabios pre-capitalistas y Marini en las estructuras de mayor desenvolvimiento fabril.

Por esa razón el primer autor utilizó criterios endógenos aptos para el estudio del subdesarrollo agrario. El segundo privilegió en cambio parámetros de conexión con el mercado mundial, que son más útiles para comprender los desequilibrios de las economías semiindustrializadas.

Convergencia metodológica

Una síntesis de Cueva con Marini permite superar la contraposición entre primacía del abordaje interno o externo en la interpretación del subdesarrollo.

Cueva criticó el externalismo simplificador, indagando cómo rigió en América Latina una articulación variable de los modos de producción, como consecuencia del insuficiente desarrollo capitalista. Analizó la cadena de determinaciones recíprocas que se estableció entre elementos internos retrasados y componentes externos avanzados . Por su parte Marini indagó de qué forma el capitalismo internacional condiciona todas las relaciones internas de la región .

br marino subdesarrollo y revolucionLa maduración de ambas miradas contribuyó a dejar atrás posiciones binarias igualmente reduccionistas. El énfasis en la subordinación externa o en la carencia del desarrollo interno -como causa del retraso- debe modificarse según la etapa histórica analizada o la zona específicamente estudiada.

Es evidente que la devastación externa fue el dato central en las primeras décadas de la conquista de América, mientras que la regresión interna prevaleció durante la fase posterior de consolidación del latifundio. A su vez la depredación externo-colonial padecida por los enclaves mineros difirió del estancamiento endógeno-agrario, generado por el afianzamiento de las haciendas.

La Teoría de la Dependencia provee un acertado esquema de explicación de la subordinación sufrida por América Latina. Pero necesita el complemento analítico del endogenismo, para analizar el bloqueo interno generado por la prolongada preeminencia de modalidades pre-capitalistas.

Osorio remarca cómo esa integración combina un abordaje totalizador del capitalismo dependiente, con un estudio peculiar de las formaciones históricas de la región. Destaca que estas modalidades sólo pueden ser esclarecidas evaluando su inserción en el mercado mundial. La teoría marxista de la dependencia define un marco analítico enriquecido por el endogenismo (Osorio, 2009: 94-98) .

La profundización de esta síntesis exige dejar atrás tres equívocos. En primer lugar la visión sin historicidad del esquema metrópoli-satélite, que confunde la situación colonial con la dependencia posterior, suponiendo que una misma contradicción se repite a lo largo del tiempo en estructuras invariables (Osorio, 2009: 86-89) .

En segundo término, corresponde abandonar el diálogo de sordos que se entabló entre las tesis de la colonización feudal y capitalista, desconociendo que la inserción de América Latina en el mercado mundial exigió recurrir a formas pre-capitalistas de producción (Osorio, 2009: 44-47) .

En tercer lugar hay que superar la falsa disyuntiva entre exogenistas puros, que ignoran cómo el capitalismo dependiente internaliza los condicionamientos externos y endogenistas puros, que desconocen la forma en que América Latina quedó inscripta en el mercado internacional (Osorio, 2009: 82-85) .

El empalme de Cueva con Marini, Dos Santos y Bambirra resuelve esos escollos a partir de un abordaje integrado, que asigna alta significación a la lucha de clases en el devenir de la historia. En los cuatro autores lo interno y lo externo no alude exclusivamente a desarrollos económicos, conquistas militares o hegemonías políticas. Se refiere a incidencias y desenlaces de la confrontación clasista.

Estos enfoques se alejan del funcionalismo de Cardoso y del distanciamiento de la acción política de Frank. Razonan en una tradición de atención simultánea al desenvolvimiento de las fuerzas productivas y a los resultados de la batalla social.

La convergencia de endogenistas y exogenistas contribuye a esclarecer también el controvertido status metodológico de la teoría marxista de la dependencia. Al principio Cueva planteó la inexistencia de leyes del capitalismo dependiente, estimando que esas normas sólo rigen para los modos de producción (capitalismo) y no para las modalidades específicas de esos sistemas (dependencia). Marini y Dos Santos definieron, en cambio, leyes de funcionamiento particulares de las regiones subdesarrolladas.

Al exigir una categorización tan restrictiva del objeto estudiado, la visión inicial de Cueva cerraba el camino para estudiar el funcionamiento específico de la periferia. Varios autores propusieron resolver esa encerrona, liberando la concepción de las fuertes exigencias que supone una teoría.

Sugirieron estudiar la dependencia como un paradigma, es decir un modelo aceptado por la comunidad de las ciencias sociales, a partir de las innovaciones radicales en las miradas prevalecientes (Blomstrom; Hettne, 1990) . En la misma línea de pensamiento otros autores postularon caracterizar a la dependencia como una perspectiva, un enfoque o un punto de vista ( Johnson, 1981).

En todas esas visiones se observa a la dependencia con un programa de investigación positivo. Su estudio permite esclarecer las relaciones centro-periferia, más allá del status epistemológico de esa indagación (Henfrey, 1981).

El paradigma de la dependencia y del subdesarrollo estudia, por lo tanto, la dinámica de la acumulación que distingue a la periferia e indaga las modalidades de funcionamiento específico del capitalismo dependiente.

En este abordaje tienen cabida las distintas variedades históricas de modos de producción y formaciones económico-sociales que rigieron en América Latina. Este enfoque incorpora, además, nuevos conceptos como el patrón de reproducción, para estudiar los modelos peculiares del capitalismo dependiente, en los períodos contemporáneos (Osorio, 2012:37-86) . Las investigaciones iniciadas por Marini y Cueva inspiraron este fructífero desarrollo reciente .

Balances y declives

br marino dialectica de la dependenciaLa importancia de la convergencia de Cueva con Marini fue percibida por varios analistas. Registraron cómo las divergencias entre ambos autores se redujeron al compás de sus coincidencias políticas. Ese empalme esclareció las desinteligencias precedentes y permitió superarlas a fines de los 80. Los dos teóricos se reencontraron en el escenario neoliberal, desenvolviendo una batalla común en defensa del socialismo ( Gandásegui, 2009.

En esta convergencia definieron un abordaje similar para caracterizar la lógica del subdesarrollo y para desentrañar las causas de las brechas que separan a las economías avanzadas y retrasadas (Chilcote, 1981). En el nuevo marco político se decantaron las viejas posiciones ( Moreano, 2007) y se verificó que expresaban variantes de una misma matriz conceptual (Bugarelli, 2011).

Este empalme puede ser visto como otro ejemplo de la revisión más general de las interpretaciones que contraponían las lecturas “productivista” y “circulacionista” de Marx (Munck, 1981). La síntesis consumada ilustró la maduración del pensamiento social latinoamericano, que comparte ópticas antiimperialistas para el estudio de la región.

El contrapunto entre dependentismo y endogenismo perdió sentido a fin del siglo XX. Pero la maduración de Cueva también expresó el declive de un enfoque afectado por la definitiva extinción de los estadios pre-capitalistas.

El endogenismo ilustró la dinámica latinoamericana de la época colonial y clarificó la gravitación del atraso agrario en la era del imperialismo clásico. Pero tuvo escasa gravitación para indagar lo ocurrido durante de posguerra y no tiene relevancia para comprender el actual período de dominio pleno del capitalismo.

En esta etapa se han disuelto todos los resabios de los modos de producción articulados en formaciones económicas diferenciadas. En el siglo XXI sólo pueden distinguirse modelos, variedades o patrones de acumulación del capitalismo vigente en cada país. Ninguno de esos esquemas mantiene resabios pre-capitalistas.

El endogenismo se debilitó con la extinción de esas rémoras en el sector agrario. E l caso mexicano -tan observado por esa corriente -ilustra la reorganización radical de la vida rural bajo el patrón del agro-business, el fin de la auto-suficiencia, la sustitución de la vieja alimentación por las importaciones y la especialización en nuevos productos rentables.

Lo mismo se verifica en todas las economías andinas. El tipo de conflictos que genera esta transformación -desigualdad, éxodo rural, desposesión, lumpenización, narco-tráfico, informalidad laboral- es típico del capitalismo contemporáneo.

La propia definición endogenista del crecimiento como expansión del capitalismo explica su pérdida de significación. La consolidación de ese sistema quita utilidad a todas las observaciones precedentes sobre el desenvolvimiento insuficiente de ese modo de producción.

El declive endogenista también obedece a la pérdida de centralidad de las economías nacionales como consecuencia de la mundialización. Esa expansión recorta drásticamente todas las explicaciones del subdesarrollo en clave nacional (Chinchilla; Dietz, 1981).

Esa referencia era primordial para explicar cómo se articulaban varios modos de producción en cierto espacio regional bajo la custodia del estado. Pero la gravitación de la economía global redujo primero y anuló después la autonomía de esos procesos (Barkin, 1981). El avance de la internacionalización acrecienta drásticamente la primacía de los factores exógenos y explica la pérdida de interés en el endogenismo.

Pero ese declive colocó todos los interrogantes en el polo opuesto. ¿Qué ocurrió con los enfoques que enfatizan el condicionamiento externo como causa del atraso latinoamericano? ¿Cómo se relacionó la escuela del Sistema Mundial con la Teoría de la Dependencia? Abordaremos este tema en nuestro próximo artículo.

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*Economista, investigador del CONICET, profesor de la UBA, miem

Katz| Qué es el neodesarrollismo: una visión crítica

Claudio Katz |

El neo-desarrollismo propone mayor intervención estatal, políticas económicas heterodoxas, retomar la industrialización, reducir la brecha tecnológica e imitar al Sudeste Asiático. A diferencia del desarrollismo clásico promueve alianzas con el agro-negocio, relativiza el deterioro de los términos de intercambio, se aleja del enfoque centro-periferia y prioriza el manejo del tipo de cambio.

Disimula con pragmatismo su favoritismo hacia los capitalistas. Su modelo exportador afecta al salario y la convergencia que propone con empresas transnacionales no atenúa las brechas tecnológicas. La expectativa de igualar el avance asiático olvida la existencia de adaptaciones diferenciadas en la mundialización. La explotación de los trabajadores es más rentable en el Extremo Oriente y la imitación de ese esquema es poco factible.
Es un artificio suponer que la globalización entraña beneficios comerciales y peligros financieros o que todos pueden mejorar su lugar en ese escenario.

La teoría del catch up no explica la existencia de situaciones internacionales disímiles. Desconoce que continúa imperando una inserción dependiente, que no se corrige con la disponibilidad tecnológica. El desarrollo desigual y combinado agrava las contradicciones de los retrasados.

La mirada endogenista que atribuye el subdesarrollo a causas internas desconsidera el marco objetivo y magnifica las voluntades nacionales. No hay trayectorias despejadas para la acumulación. El neo-desarrollismo es más afín a la CEPAL tecnocrática que al pensamiento crítico y presenta más continuidades que rupturas con el neoliberalismo.

En los últimos años aumentó la influencia del neo-desarrollismo. El término se volvió usual en numerosos ámbitos de América Latina y se multiplicaron los encuentros para discutir su contenido.

Dos conocidas figuras de Brasil y Argentina reivindican esta concepción (Luiz Carlos Bresser Pereira y Aldo Ferrer). Pero un amplío grupo de economistas trabaja en la misma dirección (Robert Boyer, Osvaldo Sunkel, Gabriel Palma, Cristóbal Kay, Alejandro Portes, Joao Sicsu, Luiz De Paula, Michel Renaut, José Luis da Costa Oreiro). Estos pensadores actúan en importantes organismos (Fundación Getulio Vargas, Plan Fénix), han ganado terreno en las universidades y difunden planteos recogidos por los medios de comunicación .
¿Cuáles son las principales tesis económicas del nuevo desarrollismo? ¿En qué se diferencian de sus antecesores? ¿Qué indica la aplicación reciente de sus propuestas? ¿Cuál es el correlato político de sus caracterizaciones?

Cinco planteos

Dada la variedad de enfoques que reúne el neo-desarrollismo no es sencillo precisar sus tesis centrales. Remarcan el carácter singular e imprevisible del crecimiento sostenido y la consiguiente dificultad para conceptualizarlo. Pero también estiman que el éxito de esos procesos transita por cinco carriles .

En primer lugar postulan la necesidad de intensificar la intervención estatal para emerger del subdesarrollo. Adscriben a las teorías que rehabilitan esta incidencia, señalando que no hay mercados fuertes sin estados fuertes .

Esta revalorización del intervencionismo no implica retomar el viejo keynesianismo, ni promover la reconstrucción del estado de bienestar. Alientan un nuevo equilibrio entre matrices “estado-céntricas” y “mercado-céntricas”, para superar las viejas dicotomías y encontrar modelos capitalistas adecuados para cada país. Subrayan que la presencia estatal no debe obstruir la inversión privada y consideran que la gestión pública debe reproducir la eficiencia del gerenciamiento privado .

El segundo pilar del enfoque neo-desarrollista es la política económica no sólo para actuar en la coyuntura, sino como instrumento central del crecimiento. Analizan detenidamente las distintas opciones monetarias, fiscales y cambiarias que permitirían reducir la dependencia financiera de los bruscos ciclos de ingreso y salida de capital.

Su prioridad es mantener acotado el déficit fiscal, para alentar la competitividad con tasas de interés decrecientes y elevados tipos de cambio. Enfatizan la importancia de evitar el “mal holandés”, es decir la sobrevaluación cambiaria que genera la afluencia de divisas receptadas por los países exportadores de materias primas .

El tercer objetivo del neo-desarrollismo es retomar la industrialización para multiplicar el empleo urbano. Cuestionan la regresión fabril generada por la apertura comercial de los años 90 y estiman que la expansión industrial debe ser la prioridad de las economías intermedias. Piensan que los países avanzados ya agotaron esa etapa y que las naciones pobres no cuentan aún, con el acervo requerido para encarar esta tarea .

Reducir la brecha tecnológica es la cuarta meta del proyecto. El neo-desarrollismo propicia incrementar la innovación local, mediante acuerdos con las empresas transnacionales para lograr una fuerte absorción de conocimientos. Alientan un camino schumpeteriano de intensa modernización productiva, para superar las insuficiencias de la vieja industrialización. Remarcan la existencia de varias trayectorias tecnológicas posibles y promueven su amoldamiento al formato de cada economía .

Imitar el avance exportador del Sudeste Asiático es la quinta propuesta neo-desarrollista. Proponen subsidiar a los industriales que faciliten la expansión de las ventas manufactureras, mediante estrategias estatales que “enseñen a competir”. Por esa vía esperan emular la lucidez de los dirigentes asiáticos y dejar atrás el conformismo latinoamericano. Advierten que un modelo de este tipo exigirá moderación salarial, estabilidad social y fuerte compromiso de los trabajadores con la productividad .

Diferencias con el desarrollismo cIásico

Con estas cinco ideas el neo-desarrollismo retoma ciertos principios de sus antecesores y reivindica la misma denominación, con un aditamento (neo) que sugiere actualizaciones. Revisan más los conceptos de esa tradición que sus expresiones puntuales .

El enfoque desarrollista tradicional postulaba superar las consecuencias de la heterogeneidad estructural, en economías afectadas por el modelo agro-exportador y el deterioro de los términos de intercambio. Prebisch, Pinto y Furtado proponían corregir esas deficiencias mediante procesos de industrialización, a fin de contrarrestar la baja productividad del agro y la estrechez general del poder adquisitivo. Confiaban en la eficacia de las políticas económicas y en la fuerza del estado para mejorar la posición de la región en el capitalismo mundial. Esperaban inducir un salto desde el estadio periférico hacia algún escalón más avanzado.

Bresser y Ferrer mantienen la misma expectativa pero promueven el remedio industrialista en otros términos, como consecuencia de las grandes transformaciones registradas en el agro. Un acelerado proceso de capitalización en este sector ha tornado obsoleta la vieja crítica al latifundio y al estancamiento de la actividad primaria.

También ha perdido actualidad la propuesta de utilizar los recursos inmovilizados en el agro para la inversión fabril.

En el nuevo escenario los neo-desarrollistas auspician procesos de crecimiento en coalición con el agro-negocio. El viejo conflicto con la oligarquía exportadora se ha diluido y los antiguos adversarios son convocados a forjar un bloque común. La conversión de los terratenientes en nuevos empresarios ha recreado la solidaridad capitalista entre los adinerados del campo y la ciudad.La tradicional contraposición entre el liberalismo agrario y el proteccionismo urbano ha disminuido y el neo-desarrollismo visualiza a la agro-exportación como una potencial proveedora de divisas para la reindustrialización.

Pero este cambio implica aceptar la remodelación neoliberal del agro y la consiguiente concentración de tierras, especialización en exportaciones básicas, pérdida de cultivos diversificados y acentuado deterioro del medio ambiente.

Al igual que sus antecesores los nuevos desarrollistas estiman que el crecimiento industrial aumentará el empleo, expandirá el mercado interno y mejorará el consumo. Pero a diferencia del pasado se han generalizado tecnologías que reducen la utilización de la mano de obra y la creación de trabajo ya no acompaña el ritmo de inversión. Que la expansión de la economía sea incentivada por el mercado o la regulación estatal no modifica esta carencia de empleo. En ambos casos el capitalismo latinoamericano genera insuficientes puestos de trabajo y estabiliza la precarización en labores informales, descalificadas y mal remuneradas. El neo-desarrollismo no ofrece respuestas a esta seria adversidad.

Esa concepción estima que el deterioro de los términos de intercambio y la relación centro-periferia, ya no constituyen obstáculos significativos para el despegue regional. Considera que la reversión del primer parámetro registrada en la última década es perdurable y que la segunda polaridad tiende a diluirse con el crecimiento de las economías emergentes. En este terreno se verifica otra diferencia sustancial con la vieja CEPAL.

También asignan menor gravedad y periodicidad a las crisis económicas latinoamericanas. Con esta evaluación apuestan a superar los desajustes actuales mediante un buen manejo de las políticas macroeconómicas. Le quitan dramatismo a las tensiones estructurales que preocupaban a Prebisch y Furtado.

El neo-desarrollismo reconoce formalmente la continuidad de las viejas contradicciones expuestas por la heterodoxia, pero espera atenuarlas mediante un acertado manejo de las variables cambiarias, financieras y presupuestarias. Concentra el grueso de su artillería en la administración del tipo de cambio .

Sus teóricos advierten contra las desventuras que entraña para la industria cualquier apreciación cambiaria. Pero no analizan el efecto opuesto que genera la depreciación de esa variable sobre el salario. Ese impacto se ha verificado tradicionalmente en ciclos devaluatorios que incrementan los precios internos y empobrecen a los trabajadores. El viejo desarrollismo era más cauto en este terreno y sólo postulaba un manejo cuidadoso de la cotización de las divisas parar acotar las ganancias de los exportadores.

Indefiniciones e inconsistencias

Los teóricos neo-desarrollistas esperan liderar un intenso proceso de crecimiento, pero no definen como alcanzarlo. La regulación estatal que promueven tiene incontables modalidades y efectos. La contraposición entre neo-desarrollistas proclives a la intervención del estado y neoliberales adversos a esa injerencia es una simplificación. Todos recurren a una fuerte presencia del sector público cuando les toca administrar la economía.

Ese comportamiento es consecuencia de la gravitación alcanzada por los grandes bancos y empresas en el capitalismo contemporáneo. Resulta imposible gestionar este sistema, sin protagonismo de la burocracia estatal y los gerentes del sector privado. Lo que está siempre en juego es el tipo de intervención estatal predominante en cada período y no la existencia o intensidad de esa presencia.

El neo-desarrollismo sugiere que su acción serviría para eliminar las distorsiones que genera el mercado. Contrapone este objetivo con la actitud ortodoxa de esperar espontáneas correcciones de la oferta y la demanda.

Pero también aquí la diferencia pierde contenido cuando se comanda la marcha cotidiana de la economía, en situaciones de alta tensión. La crisis global reciente, brindó una contundente evidencia de la forma en que ortodoxos y heterodoxos actúan en común, cuando se impone el socorro a los bancos. En esos momentos las divergencias sólo giran en torno a la modalidad de esos auxilios.

Los neo-desarrollistas propician una adaptación pragmática a las exigencias de la coyuntura y por eso incorporan fórmulas que contienen múltiples elementos, sin definir nítidas primacías. Suelen convocar a fortalecer el mercado y el estado, a reforzar la centralización y la descentralización, a potenciar lo público y lo privado y a desenvolver políticas austeras y activas .

Pero esta variedad de orientaciones no abandona nunca el principio de favorecer a los grandes grupos capitalistas. La prioridad asignada al tipo de cambio competitivo con baja inflación y reducido déficit fiscal ilustra el sostén a los poderosos. En ese modelo los costos del impulso exportador son solventados por los trabajadores a través de devaluaciones, restricciones al gasto social o un corset a los salarios.

Muchos neo-desarrollistas sugieren que estos esfuerzos constituyen el precio a pagar por la reindustrialización. Pero no registran la contradicción existente entre esa meta y la convalidación de la primacía agro-exportadora. Mientras los recursos que requiere la expansión fabril continúen localizados prioritariamente en el agro-negocio, una industria latinoamericana de cierto valor agregado continuará languideciendo.

Los neo-desarrollistas suponen que la recuperación manufacturera será impulsada significativamente por las empresas transnacionales. Consideran que estas firmas garantizan la expansión continuada del producto, si el estado evita una apertura indiscriminada al capital extranjero y orienta las inversiones hacia los sectores estratégicos.

Pero la experiencia indica que las grandes compañías extranjeras definen su colocación de fondos en función de planes globales, que rara vez coinciden con las prioridades de las naciones receptoras de esos capitales. Esta discordancia dio lugar a la denominada “industrialización trunca” de América Latina .

Esa deformación incluye un déficit comercial crónico del sector manufacturero, provocado por la baja integración nacional de partes y una alta dependencia de insumos importados. Este desequilibrio determina ciclos de acumulación afectados por desbalances externos, que no desaparecen con ingenierías cambiarias, fiscales o monetarias.

Frente a este crítico escenario el neo-desarrollismo navega en un mar de contradicciones. Por un lado despotrica contra la “destrucción de los tejidos fabriles nacionales” perpetrada por la competencia importadora durante las últimas décadas. Y por otra parte cuestiona el “proteccionismo excesivo” del pasado y la improductividad legada por el encierro arancelario.

Aunque buscan un punto intermedio entre ambos extremos, en los hechos se amoldan a las demandas actuales de las empresas transnacionales, que exigen libre movilidad de capitales y mercancías entre sus filiales. Con esta actitud convalidan los desajustes que pretenden corregir.

Los mismos contrasentidos se verifican en el plano tecnológico. El neo-desarrollismo apuesta a reducir la enorme brecha que separa a Latinoamérica de las economías centrales. Pero supone que esa disminución surgirá de una mayor presencia económica de las firmas que generan esa fractura. Por eso convoca a absorber las tecnologías disponibles en el mundo, mediante la intermediación de compañías transnacionales.

Esas empresas no derraman conocimientos hacia la periferia. Transfieren a sus filiales un manejo estrictamente acotado de las prácticas requeridas para asegurar sus líneas de fabricación. Mantienen localizados los laboratorios de investigación y desarrollo en los países de origen.

El neo-desarrollismo considera que esos obstáculos pueden remontarse, forjando “sistemas nacionales de innovación” patrocinados por el estado y las empresas transnacionales. Pero la experiencia indica que esa iniciativa choca en la práctica con el dilema de privilegiar la inversión pública o subsidiar a las compañías extranjeras. Esas subvenciones obstruyen el ansiado despliegue de las innovaciones.

La visión neo-desarrollista realza las convergencias del estado con el sector privado. Pondera especialmente el rol de la empresa como un ámbito de cooperación y selección de las nuevas tecnologías, siguiendo los parámetros de productividad, competitividad y rentabilidad.

Pero esta idílica mirada desconoce que esos patrones se asientan en la explotación laboral y sólo definen las porciones de plusvalía extraída a los trabajadores, que captura por cada concurrente. Entre tantos elogios al talento, la creatividad y la disposición al riesgo del capitalista, no queda espacio para recordar su rol cotidiano en la apropiación de trabajo ajeno.

¿Copisr al Sudeste asiático?

El neo-desarrollismo enfrenta todos estos problemas con el ejemplo práctico del Sudeste Asiático. Si ellos lo han logrado: ¿qué impide a Latinoamérica repetir la misma trayectoria?

Esta imitación es postulada como la gran solución por los autores que ubican a ambas zonas, en un estadio semejante de desarrollo intermedio. Estiman que un buen aprendizaje del sendero transitado por las economías orientales permitirá desenvolver un camino semejante. Sólo se requiere aplicar las mismas políticas de déficit público, tipo de cambio competitivo y promoción del superávit comercial .

Pero el presupuesto de este razonamiento es la convergencia potencial de todas las economías emergentes en un escalón superior que las aproximará a los países centrales. Aquí retoman la vieja idea neoclásica de un ascenso general hacia situaciones de prosperidad, a medida que la modernización se expande por todo el planeta. Sólo este imaginario liberal permite suponer que la copia del Sudeste Asiático asegura el desarrollo de América Latina.

Si se rechaza ese presupuesto del capitalismo -como un sistema abierto a sucesivas incorporaciones de las regiones relegadas- la idea de emular el camino oriental se torna más conflictiva. La propia afirmación de que “Asia lo está logrando y América Latina no”, implica reconocer la existencia de inserciones diferenciadas en el mercado mundial.
Todo el razonamiento falla al ponderar al Sudeste asiático por su expansión, culpando a Latinoamérica por su retroceso.

En los hechos ambas regiones quedaron situadas en distintas trayectorias en la nueva etapa de la mundialización y soportan desequilibrios de distinto tipo. La primera región no creció sostenidamente por sus méritos frente a los desaciertos del resto, sino que reiteró la pauta de desenvolvimiento desigual que ha predominado en toda la historia del capitalismo.

Este sistema se rige por principios de competencia despiadada y no suele dar cabida a progresos colectivos. Siempre induce situaciones de gran desigualdad. Lo que cambia en cada etapa son los protagonistas de la prosperidad y la regresión, como resultado de las asimetrías que generan las ganancias diferenciales de las distintas economías. Si todos pudieran desenvolverse siguiendo la misma norma de aproximación al bienestar, desaparecerían las brechas de competitividad en que se asienta el sistema. Nunca irrumpe un escenario virtuoso al alcance de todos.

Reconociendo esta dinámica se puede entender por qué razón América Latina se retrasó frente al Sudeste Asiático. En la estructura jerarquizada del capitalismo global, los países del Extremo Oriente presentaron gran adaptabilidad a un esquema de mundialización que premia la disciplina, el adiestramiento y la baratura de la fuerza de trabajo.

Los autores neo-desarrollistas suelen omitir que el secreto de esa región radica en la superexplotación de los trabajadores. Ese tormento ha sido la condición del milagro exportador. Es cierto que América Latina también cuenta con una gran reserva laboral, pero no reúne las condiciones que optimizan la extracción de plusvalía. En esta región el proceso de industrialización fue previo a los requerimientos de la mundialización actual.
Existen, por ejemplo, numerosas maquilas en Centroamérica que se desenvuelven con patrones semejantes al Sudeste Asiático. Pero nunca alcanzaron el nivel de productividad impuesto por los regímenes autoritarios de Oriente.

La propia dinámica acumulativa del capital consolidó las brechas entre ambas regiones. Una vez iniciado el vuelco de la industria mundial hacia el continente asiático ha resultado difícil contrarrestar esa tendencia con ofrecimientos de mayor baratura salarial. Un modelo de producción globalizada -basado en rivalidades por reducir los costos laborales- no deja mucho margen para la imitación. Todos deben descargar sus productos en un mismo mercado mundial, que no crece a la misma velocidad que el ritmo de fabricación.

Algunos autores neo-desarrollistas eluden estos problemas postulando que la imitación del Sudeste Asiático debe incluir mejoras en los salarios. Pero el contrasentido de esta propuesta salta a la vista. El despunte capitalista de Oriente no se consumó incorporando a esa zona el estado de bienestar europeo, los servicios sociales de Escandinavia o el mercado de consumo de Estados Unidos. Las empresas transnacionales se afincaron con estrategias de explotación extrema de los trabajadores.

Otros pensadores consideran que en el Sudeste Asiático siempre existió una conciencia industrialista que facilitó su expansión fabril. Estiman que esa convicción permitió optar por un modelo exportador que evitó las fragilidades del mercado interno .

Pero lo cierto es que Asia Oriental se industrializó más tarde que América Latina y empalmó con una etapa de mundialización afín a la “producción hacia afuera”. Por esta razón existieron programas disímiles en ambas zonas, que se adaptaron a momentos diferenciados del capitalismo. En las condiciones precedentes de los años 60 nadie hablaba de Corea o Taiwán y las economías intermedias de Latinoamérica eran vistas como la gran promesa del desarrollo.

Suponer que el secreto del crecimiento oriental ha radicado en una inteligente elección de políticas exportadoras que América Latina desconoció, implica confundir las causas con los efectos. El nuevo escenario de la mundialización favoreció a un grupo de países y penalizó a otros, tornando más efectivos los instrumentos crediticios y cambiarios utilizados en Asia para apuntalar el esquema exportador. La existencia de tasas de inversión privadas que duplican en esa región los porcentuales de América Latina es también una consecuencia y no una causa de las diferencias existentes entre ambas zonas.

También se suele atribuir la expansión asiática a la vigencia de niveles inferiores de desigualdad. Mientras que el 10% más rico de la población latinoamericana acapara el 45% del ingreso, en Corea o Taiwán ese porcentaje se reduce al 22-23% .

Pero en África la brecha social ha sido tradicionalmente inferior al promedio latinoamericano y esta diferencia no favoreció su desarrollo. La desigualdad es un rasgo intrínseco del capitalismo que no mantiene relaciones unívocas con las tasas de crecimiento. En algunas economías centrales (como el Norte del Europa) las brechas sociales fueron tradicionalmente bajas y en otros países (Inglaterra, Estados Unidos) fueron elevadas. Esas fracturas no definen las normas de la acumulación capitalista.

La globalización electiva

El neo-desarrollismo vislumbra a la globalización como una gran oportunidad para los países medianos. Estima que ese proceso apuntalará el desenvolvimiento latinoamericano, si se aprovechan las ventajas comerciales evitando los peligros financieros .

Pero nunca aclaran cómo se podría usufructuar de esas conveniencias soslayando sus efectos nocivos. Es evidente que las modalidades comerciales y financieras de la internacionalización están íntimamente conectadas entre sí. Los bancos intermedian en todas las transacciones manejadas por las empresas transnacionales.

La gran “oportunidad comercial” que se realza es la convalidación de la inserción dependiente de América Latina como proveedora de productos básicos. Y lo que se cuestiona como un “peligro financiero” es el endeudamiento descontrolado. Sin embargo, la experiencia histórica indica que a largo plazo esa primarización exportadora recrea la hipoteca de la deuda.

La mirada condescendiente hacia la globalización presupone que esa transformación genera crecientes beneficios para múltiples ganadores. Pero con ese enfoque se olvida a las víctimas del mismo proceso. En el caso latinoamericano, por ejemplo, se reconoce que sólo las economías medianas parcialmente industrializadas podrían participar del cambio en curso. El resto de la región quedaría marginada hasta concluir un camino previo de maduración. De esta forma, la oportunidad de la globalización queda reducida a un grupo de economías y no ofrece mejoras para los demás .

Toda la caracterización es formulada con razonamientos semejantes al viejo liberalismo. Al igual que Rostow se imagina un proceso futuro de creciente aproximación, entre países contagiados por la expansión capitalista. Los participantes elevan paulatinamente su status saltando de la pobreza a escalones intermedios, para converger posteriormente en la modernización. En ese momento todas las naciones alcanzan un nivel satisfactorio de bienestar.

Contra este tipo de fantasías reaccionaba la vieja CEPAL de los años 50-60. Objetaba esa ilusión de convergencias, destacando las polaridades entre el centro y la periferia que genera el propio proceso de acumulación mundial.

Los teóricos neo-desarrollistas mantienen una diplomática adhesión a esa concepción, pero en los hechos estiman que las fracturas tienden a desaparecer en el capitalismo global. Por esta razón diluyen el análisis estructural de las relaciones centro-periferia en miradas benévolas de la mundialización. Suelen postular que “cada país tiene la globalización que quiere y se merece” .

El mercado mundial es visto como un amplio espacio de libertad para lograr las metas ambicionadas por cada integrante. Ya no representa el obstáculo para el desarrollo que subrayaba la CEPAL. Con lenguaje heterodoxo se disimula esta aproximación a la tesis neoclásica.

Los misterios del catch-up

El neo-desarrollismo retoma la idea de crecer a través de un proceso de catch up, que permita copiar tecnologías elaboradas por los países desarrollados. Proponen realizar esa absorción a través del estado nacional, para acortar el proceso de maduración de las economías ascendentes.

Esta visión fue inicialmente planteada por Gerschenkron en su estudio de la industrialización, como un proceso de asimilación de tecnologías por parte de los países que se aproximan al capitalismo. Señaló que Inglaterra comenzó esa evolución con la revolución del vapor (1780). Francia utilizó posteriormente ese legado para financiar su expansión fabril con el auxilio de los bancos (1830) y Alemania repitió ese desenvolvimiento mediante una fuerte intervención del estado (1870). Finalmente Rusia aprovechó esta secuencia para apuntalar su crecimiento industrial con gastos militares (1880).

Este proceso era visto como una concatenación de distintas modalidades de industrialización según el origen, las prioridades, el contexto y las motivaciones de sus artífices. Pero en todos los casos se estimaba que las economías retrasadas podían apropiarse de la herencia de sus antecesores. Ninguna fórmula previa aseguraba esta absorción, pero las condiciones institucionales favorables a la acción del empresario y a la integración de los trabajadores facilitaban esa asimilación. Gerschenkron coincidió en 1940-50 con muchos autores impactados por la industrialización soviética y polemizó con los economistas liberales, que promovían la adaptación pasiva de los países subdesarrollados al mercado mundial .

El pensamiento neo-desarrollista retoma esa concepción para postular la utilización de las tecnologías disponibles. Distingue a las economías retrasadas por su capacidad o impotencia para concretar esa captura. Comparte, además, la crítica al pensamiento neoclásico y al espejismo de un avance espontáneo de las economías relegadas siguiendo el faro del mercado.

Pero también supone que basta con elegir una estrategia correcta para ingresar en el círculo virtuoso de la acumulación. Con esta genérica fórmula no explica cuáles son los caminos concretos para concretar ese crecimiento.

El planteo de Gerschenkron es muy contradictorio. Por un lado exalta las enormes posibilidades de copia que tienen los recién llegados, pero al mismo tiempo señala la inexistencia de una norma para usufructuar de esa ventaja. Es una gran oportunidad carente de senderos nítidos para su aprovechamiento .

Afirma que ciertas políticas permiten capturar las tecnologías disponibles, pero no se sabe cuáles son esas orientaciones. Su cronología histórica demuestra que el camino seguido por Francia fue muy distinto al transitado por Alemania o por Rusia. Si cada uno hizo su catch up con una fórmula propia: ¿cuál es la lógica general del acelerado avance de las economías que llegaron tarde?

Los propios ejemplos de esta concepción sugieren que pocos países pueden absorber las técnicas más avanzadas. Hay que estar en carrera para alcanzar al que se ubicó en la punta. Sólo una minoría de potencias coloniales durante el surgimiento del capitalismo y un puñado posterior de ascendentes semiperiferias participaron de ese certamen. El grueso de la periferia no tuvo cabida en el catch up. Cualquiera sea la política asumida por el estado de los países marginados, no se entiende cómo podrían instrumentar esa copia de tecnologías.

Esta misma restricción aparece en el enfoque actual de Bresser, cuando afirma que la globalización es una “oportunidad” para las economías medianas, que ya consumaron su “revolución capitalista”. Señala que el éxito industrial no se alcanza imitando un modelo precedente, sino buscando un camino particular. El catch up parecería brotar de ciertas singularidades que nadie logra explicar de antemano.

Pero con ese razonamiento sólo se sabe lo obvio, es decir que hubo países exitosos y fracasados en el intento de rápida industrialización. Que la tecnología se encuentre disponible no modifica mucho ese contraste, ni aporta explicaciones de lo sucedido. La existencia de esos recursos técnicos no define esos resultados.

La teoría del catch up reconoce la existencia de muchos casos fallidos, que demuestran la insuficiencia de cierta política industrial para garantizar el crecimiento sostenido. Gerschenkron estudió los ejemplos de Dinamarca (que se mantuvo como proveedor pasivo de exportaciones agrícolas), México (que no logró el financiamiento bancario para su industrialización) o Bulgaria (que sólo introdujo cambios en ciertas ramas, sin generar una expansión auto-sostenida). Atribuye el fracaso italiano del siglo XIX a la aplicación de políticas arancelarias desacertadas .

Pero esta evaluación comparada no esclarece si la norma ha sido la preeminencia de economías consagradas o frustradas. Simplemente señala que en un gran pelotón de concurrentes tuvieron posibilidades de llegar a la meta. Aunque la causa del fracaso es situada a veces en el predominio de circunstancias adversas, en general se postula la responsabilidad primaria de políticas económica erróneas.

Desarrollo desigual y combinado

Las comparaciones basadas el catch up pueden esclarecer obstáculos particulares al crecimiento, pero no clarifican la dinámica de la acumulación a escala global. Tampoco ilustran cuáles son las restricciones objetivas que afrontan las economías subdesarrolladas. Como se ignora estas limitaciones parecería que todos pueden aproximarse a una meta, que en los hechos alcanzan muy pocos.

Es el mismo problema que rodea al contraste de América Latina con el Sudeste Asiático. Se supone que la primera región no reproduce por sus propios errores lo que obtuvo la segunda, como si este horizonte estuviera siempre al alcance de los frustrados. La teoría del catch up realza potencialidades que ofrece la tecnología, pero no registra los obstáculos para materializar esa posibilidad. Relativiza, por ejemplo, las restricciones que imponen las patentes o las empresas transnacionales a la utilización de esos recursos.

Ese enfoque divorcia, además, la disponibilidad de las tecnologías de los principios de rentabilidad y explotación que rigen su difusión. Olvida que bajo el capitalismo el “aventajado por llegar tarde” es un competidor que sólo usufructuará de ese atributo, si logra instalarse en el mercado mundial extrayendo una alta tasa de plusvalía a los trabajadores .

La “oportunidad” de esa economía constituye por lo tanto una posibilidad, para las clases dominantes con mayores aptitudes para someter a los asalariados. Como la tradición heterodoxa elude este problema, concentra toda su atención en los estudios comparativos.

El neo-desarrollismo comparte estos problemas al desconocer la vigencia de un orden global estratificado, que obstruye el desenvolvimiento de las economías subdesarrolladas. Omite que las ventajas derivadas de la disponibilidad tecnológica suelen ser inferiores, a las desventajas generadas por la inserción dependiente en la división internacional del trabajo. Aunque la periferia pueda acceder con más facilidad a los nuevos inventos, carece de recursos para utilizarlos provechosamente.

Al razonar desconociendo la subordinación comercial, financiera o productiva de las economías periféricas, se termina imaginando al desarrollo como un proceso resultante de la voluntad exhibida por cada país. El mundo queda dividido entre quienes detentan y carecen de esa facultad, cualquiera sea su ubicación objetiva en la estructura mundial.

Es cierto que en varios momentos de la historia, el ascenso de un grupo de la semiperiferia se registró siguiendo la dinámica del que llegó tarde. Arribaron al mercado mundial con renovadas capacidades para desplazar a las viejas potencias en declive. Trotsky analizó ese ascenso de Alemania frente a Inglaterra a principios del siglo XX, así como el despegue posterior de Estados Unidos frente a Europa .

Pero su enfoque se basaba en una teoría marxista del desarrollo desigual y combinado muy diferente al catch up. Señalaba la imposibilidad de una aproximación de todos los concurrentes a la primacía de las grandes potencias. En contraposición al imaginario liberal (de un progreso al alcance de todos) y de la mirada heterodoxa (de sucesivas ventajas para los retrasados), destacaba que el capitalismo impide el bienestar colectivo por uno otro camino. Consideraba que las desigualdades generadas por la acumulación mundial agravaban las contradicciones de todo el sistema, provocando situaciones más adversas que al inicio del proceso .

Trotsky reconocía las bruscas desarmonías que estudia el catch up. Pero resaltaba los costos padecidos por los retrasados para forzar la expansión de sus economías. Estimaba que los desequilibrios creados por esa aceleración salían a flote en las fases siguientes de la concurrencia global. Este límite -que enfrentaron Alemania y Japón a mitad del siglo XX- podría reaparecer entre los “emergentes” que prosperan al comienzo del siglo XXI.

El deslumbramiento neo-desarrollista con los países asiáticos desconoce estos antecedentes. En el pasado muchas economías no pudieron sostener su salto inicial, cuando debieron confrontar con potencias más afirmadas en la órbita mundial. La fascinación actual con la globalización impide comprender esta contradicción, que habitualmente aflora en las grandes crisis.

De la misma forma que la conformación inicial del capitalismo a favor de las grandes potencias coloniales se consumó a costa de la periferia, el avance industrial contemporáneo de ciertas economías exige el retroceso de su competidor. El país que llegó tarde puede desplazar al que estaba primero, pero alguien debe costear los logros de los exitosos.

El mito liberal de un avance contagiado es tan inconsistente como la creencia heterodoxa de sucesivas imitaciones. Al suponer que el camino abierto por una economía puede ser transitado por todos sus pares se recrea la falacia de la composición.

El curso real del capitalismo está regido por un patrón de desigualdad muy distante de las fantasías de expansión ilimitada. La analogía biológica que se utiliza para graficar esa prosperidad -con imágenes de pasaje de la adolescencia a la madurez económica- omite que también existe la senilidad. No es cierto que el catch up tiende a renovarse una y otra vez con la apertura de nuevas fronteras. El propio capitalismo impone serias restricciones económicas, sociales y ambientales a ese ensanchamiento .

El viraje endogenista

El neo-desarrollismo es afín a las concepciones endogenistas que sitúan todos los obstáculos al desenvolvimiento en el plano interno. También aquí se distancia de Prebisch, que atribuía el subdesarrollo al deterioro secular de los términos de intercambio.

Los sucesores del pensador heterodoxo son cautos en la reconsideración conceptual de este último problema. Simplemente se apoyan en la valorización reciente de las commoditties para justificar su creciente atención a la temática interna. Nadie se atreve a evaluar cuánto durará la apreciación actual de los productos primarios. Esta valorización no impide, además, la continuada transferencia de recursos hacia las economías centrales, a través de mecanismos situados en la órbita financiera o productiva.

El viraje hacia concepciones endogenistas se remonta a la evolución seguida por la CEPAL desde los años 80. Los economistas de ese organismo sintonizaron con los críticos de la teoría de la dependencia, que resaltaban la primacía de los factores internos en el retraso latinoamericano. Consideraban que esa falencia obedecía al manejo irracional de los recursos.

El giro endogenista se consumó en un clima de frustración con la industrialización. Posteriormente el neo-estructuralismo reforzó esa mirada centrada en las flaquezas internas. En los años 90 utilizaron múltiples adjetivos para caracterizar estas fallas y cuestionaron las caracterizaciones del subdesarrollo centradas en la salida de capital, la fragilidad comercial, la vulnerabilidad financiera o la sumisión tecnológica .

En este enfoque el status de cada país queda definido por elecciones internas de progreso o estancamiento. El marco objetivo es desconsiderado y se magnifica la incidencia de las voluntades nacionales. Parecería que África decidió ser esquilmada y América Latina optó el atraso, en contraposición al rumbo de prosperidad adoptado por Europa o Estados Unidos.

Esta simplificación desconoce que el mercado mundial es un ámbito de inequidad. La interdependencia formal entre todos países encubre relaciones de supremacía y sometimiento. Es evidente que Estados Unidos utiliza patrones muy diferentes en sus relaciones con Alemania y Haití.

El endogenismo diluye las diferencias que separan a los países periféricos y centrales. De un cuestionamiento inicial a las visiones que exageraban la transferencia de ingresos padecida por el primer grupo, pasó al desconocimiento de esas hemorragias. No sólo relativiza el impacto del endeudamiento, la remisión de utilidades o el drenaje de la renta. También ignora que la desigualdad es un dato intrínseco de la acumulación a escala mundial.

El capitalismo se desenvuelve recreando las brechas entre economías disímiles. Estas fracturas son proporcionales a la escala alcanzada por la reproducción del capital. Cuánto más elevada es la inversión y la productividad, mayor intensidad tienen la competencia y los desequilibrios que segmentan al mercado mundial.

En la última década la tradición endogenista empalmó con el neo-desarrollismo, en el nuevo marco sudamericano de revalorización de las materias primas, alivio de la deuda externa y ampliación de los márgenes de autonomía geopolítica. Este escenario induce a postular que la inserción internacional primaria ya no representa un obstáculo al desarrollo, si se implementan políticas adecuadas para afianzar el crecimiento.

¿Primacía mundial o local?

El giro endogenista ha sido también el principal cimiento de la esperanza neo-desarrollista en lograr una copia del avance asiático. Atribuye explícitamente el ascenso oriental a la oportuna selección de modelos industrializadores.

Pero no observa que este caso refuta la gravitación asignada a los determinantes internos. Sólo la vigencia de una nueva etapa de capitalismo internacionalizado permitió aprovechar la mano de obra barata asiática para fabricar a escala global. Y ese mismo condicionante externo impide la reproducción internacional del mismo modelo. Esa recreación generaría excedentes que no podrían colocarse en ningún mercado.

El neo-desarrollismo no registra este límite porque supone que el capitalismo regenera inagotables espacios de crecimiento ulterior. Esta complaciente mirada determina un punto de encuentro con sus adversarios neoliberales. Ambos comparten la misma confianza en la existencia de trayectorias despejadas para la acumulación, si se aplican acertadas estrategias de crecimiento. Esta expectativa también supone la vigencia de un tablero internacional de alta movilidad, mutación de hegemonías y multipolaridad .

Pero no existe ningún indicio que estas modificaciones geopolíticas favorezcan en bloque a la periferia. Podrían mejorar en forma acotada la situación internacional de algunas semiperiferias a costa de otras y en desmedro general de los oprimidos. Conviene recordar que todos los participantes en el escenario de la mundialización neoliberal, aceptan los cimientos sociales de un estadio basado en el atropello del capital al trabajo.

Las miradas neo-desarrollistas actuales refuerzan su proximidad con los pensadores endogenistas -que siguiendo las tesis de la sociología histórico-comparativa- realzan la gravitación conceptual del estado nacional. Este enfoque se contrapone con la teoría del sistema-mundo que remarca la primacía analítica del orden global, incorporando parte del enfoque centro-periferia.

Las visiones del sistema-mundo y las miradas de la sociología histórico-comparativa confrontaron tradicionalmente en los debates historiográficos sobre el origen del capitalismo. Mientras que la primera vertiente estimó que la inserción de cada economía en el orden internacional definió el curso de su economía, la segunda concepción atribuyó mayor incidencia a las condiciones internas. Con abordajes metodológicos centrados en el capitalismo global o en el estado nacional, esas controversias buscaron dilucidar enigmas sobre el origen del capitalismo .

Pero los debates actuales indagan fenómenos derivados de la madurez de ese sistema que exigen fundamentos de otro tipo. Las explicaciones sobre los mecanismos que facilitaron el surgimiento del capitalismo, no resuelven las incógnitas contemporáneas sobre el devenir de este sistema. La influencia predominante del mercado mundial o de las estructuras pre-capitalistas locales en el ocaso del feudalismo plantean problemas muy diferentes, a la primacía de la mundialización económica frente a la multipolaridad política en el comienzo del siglo XXI.

El legado conservador

El neo-desarrollismo se ha distanciado del espíritu crítico que signó a la heterodoxia de los años 60 y 70. También abjura del espíritu radical creado por la revolución cubana, que indujo a esta corriente a incorporar propuestas de distribución del ingreso.

Esa apertura de la CEPAL al pensamiento progresista quedó abruptamente anulada con el predominio posterior de concepciones neo-estructuralistas. En los años 80 archivaron las alusiones a la desigualdad centro-periferia y sepultaron las propuestas de reforma social. Propagaron, además, sus propias recetas de privatización, apertura comercial y flexibilidad laboral, con actitudes de resignación y cuestionamientos al desarrollismo tradicional .

Ese giro incluyó la participación directa de los discípulos de la CEPAL, en la implementación de programas de ajuste adornados con retórica heterodoxa, como el Plan Austral en Argentina o el Plan Cruzado en Brasil.

El neo-desarrollismo actual es un ahijado de esa trayectoria conservadora. Por eso refuerza la extinción de la CEPAL como referencia del pensamiento crítico. Esa institución se ha transformado en un organismo técnico de seguimiento de la coyuntura, que evita cualquier comentario molesto para el establishment.

Los teóricos neo-desarrollistas exhiben ambiciones más acotadas que sus antecesores, convalidan la especialización primario-exportadora y abandonan el léxico antiimperialista. Es cierto que intentan recomponer la alicaída gravitación de la industria, pero sólo introduciendo leves ajustes al interior del mismo bloque dominante.

Promueven subsidios a los capitalistas manufactureros, en desmedro de la enorme porción apropiada por los sectores financieros y buscan un nuevo equilibrio con el agro-negocio.
El neo-desarrollismo estima que su moderado industrialismo puede prosperar en el marco geopolítico actual de cierto distanciamiento sudamericano de Washington. Pero sobrevalora el alcance de ese alejamiento y parece desconocer la enorme incidencia que tiene la continuidad del patrón económico agro-exportador.

Sus teóricos alientan políticas económicas distintas a la ortodoxia neoclásica. Pero no aceptan rupturas significativas con el neoliberalismo y comparten más terrenos con esta vertiente que con su precedente desarrollista .

El neo-desarrollismo converge con las propuestas de incorporar mayor regulación estatal al capitalismo neoliberal para estabilizar su funcionamiento. Al cabo de varias décadas de privatizaciones, desorden financiero y descontrol de los negocios, el sistema imperante necesita reintroducir mayor control público, para acotar los desequilibrios que genera el reinado de la ganancia.

Las teorías neo-desarrollistas suelen describir futuros promisorios para América Latina, si se adoptan modelos de competitividad cambiaria, fiscalidad responsable y moderación salarial. Pero conviene analizar estas propuestas a la luz de experiencias ya ensayadas en la región. La economía argentina de la última década ofrece el principal ejemplo para esa evaluación.
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II.- QUÉ ES EL NEODESARROLLISMO. UNA VISIÓN CRÍTICA.

ARGENTINA Y BRASIL

Argentina volvió a encabezar un viraje económico con políticas neo-desarrollistas, que complementaron la valorización internacional de sus exportaciones y la recuperación de la rentabilidad pos- 2001. Pero el ensayo duró poco y ha declinado por el efecto de la inflación, el déficit fiscal y las devaluaciones.

La crisis global no explica los desequilibrios actuales. Se apostó al virtuosismo de la demanda eludiendo la centralidad de la ganancia. La renuncia a una apropiación mayor de la renta sojera socavó el modelo. Se confió en capitalistas que utilizaron los subsidios para fugar capital sin aportar inversiones.

El control de cambios fue tardío e ineficaz, no hubo reforma impositiva progresiva y se retoma el endeudamiento externo. El modelo mantuvo el perfil extractivo, la estructura industrial dependiente y un sistema financiero adverso a la inversión. Los críticos neoliberales propician la perpetuación de esas falencias.

En Brasil se discute la existencia de una variante conservadora de neo-desarrollismo, una versión más regulada del neoliberalismo o la vigencia de un tenue giro industrialista. Allí no se afrontó la crisis y la rebelión popular que convulsionaron a la Argentina. Pero la economía se ha estancado y se sobredimensiona la expansión de la clase media con falacias estadísticas y espejismos de consumo.

El neo-desarrollismo es un proyecto diferenciado dentro del patrón de exportaciones básicas las últimas décadas. Es poco fructífero cuestionar su denominación y corresponde distinguir las miradas elogiosas y críticas. Es un programa de economías medianas afectadas por rentas agro-exportadoras que disuaden la inversión fabril. Intenta canalizar el excedente hacia la actividad industrial, pero retrocede frente a los conflictos que suscita y recrea el círculo vicioso de los ensayos fallidos.

En Argentina se implementó el principal ensayo del neo-desarrollista de la última década. El país volvió a encabezar los virajes económicos de la región, como ya ocurrió en los años 50-60 con la sustitución de importaciones y en los 90 con el neoliberalismo extremo.

Reafirmó su papel de experimentador de mutaciones significativas en América Latina. Este rol de adelantado es reivindicado por los autores que ponderan el modelo, en comparación a los esquemas ortodoxos de otras economías [2].

Un corto ensayo

El esquema intentado en Argentina logró cierta efectividad en la fase inicial del gobierno kirchnerista. Durante ese período (2003-2007) se reunieron las condiciones para lograr alto crecimiento, con baja inflación y recuperación del empleo.

Las políticas neo-desarrollistas aportaron un tercer ingrediente a los fundamentos objetivos de este ciclo. El primer determinante fue la depreciación de los salarios y la consiguiente recomposición de la rentabilidad que legó el derrumbe del 2001. El segundo motor de la expansión fue la valorización internacional de las agro-exportaciones.

Las iniciativas neo-desarrollistas introdujeron cambios en la administración del estado y un nuevo arbitraje entre los grupos dominantes. Pero este curso mantuvo muchos vasos comunicantes con el esquema precedente. Subordinó la meta de reindustrializar a la continuidad de exportaciones primarizadas y apuntaló a los sectores empresarios más internacionalizados.

El modelo limitó inicialmente la valorización financiera y adaptó el rumbo de la economía a la nueva relación social de fuerzas impuesta por la rebelión del 2001. Hubo contemporización con las demandas populares y se recurrió a una mayor escala de asistencialismo.

Durante cuatro años se pudo gestionar la economía con los parámetros del modelo Bresser-Ferrer. Hubo superávit fiscal primario, alto tipo de cambio, bajas tasas de interés y expansión del consumo. Pero la acelerada disipación de esta coyuntura anticipó el escaso margen existente para mantener ese curso.

En el 2007-2010 comenzó la inflación y se frenó el crecimiento. El modelo persistió con los nuevos impulsos aportados por la introducción de un ingreso universal asistencial y la estatización de los fondos de pensión. Con esas medidas se intentó sostener un esquema ya amenazado por el deterioro de sus principales variables.

Esos desequilibrios emergieron con fuerza a partir del 2011. La inflación se intensificó, la producción se estancó, el déficit fiscal reapareció y fallaron todas las iniciativas implementadas para revertir el declive. El control de cambios, la pesificación y la expansión de la emisión no atenuaron el resquebrajamiento del modelo.

A comienzo del 2014 resurgieron finalmente las tensiones clásicas de la economía argentina que condujeron a las repetidas debacles del pasado. La reiteración de esos colapsos se encuentra actualmente contrarrestada por el limitado nivel de endeudamiento público y privado, la solvencia de los bancos y la continuada valorización de las exportaciones. Por esta razón el PBI se contrae, pero con apuestas a un rebote ulterior. Numerosos capitales internacionales ya preparan su arribo para adquirir empresas [3].

Sin embargo, la continuidad del proceso neo-desarrollista ha quedado severamente afectada por el debilitamiento político-electoral del kirchnerismo . Es muy probable que en los próximos años, Argentina atraviese un giro político semejante al observado al final de los grandes ciclos de las últimas décadas. Ya ocurrió a mitad de los 70, durante los 80 y en el 2001-03. En los tres casos el peronismo registró una convulsión mayúscula y pudo reconstituirse, pero sin recuperar la fidelidad popular que rodeó a su gestación. Ha sobrevivido más que otras fuerzas semejantes de América Latina transitando por una amplia gama de variantes, que incluyeron el nacionalismo inicial, la radicalidad popular, el giro represivo y el neoliberalismo.

A diferencia de sus antecesores el kirchnerismo encabezó una administración con fisonomía centro-izquierdista y retórica progresista. Restauró el sistema político, otorgó importantes concesiones democráticas y sociales e improvisó un proyecto diferenciado del peronismo tradicional. Pero no logró generar una identidad política sustituta [4].

Este período concluye con un giro conservador de adaptación a las demandas del establishment. Este viraje incluye una gran devaluación y achatamientos de los salarios. A la luz de los enormes desequilibrios acumulados durante los últimos años es muy dudosa la persistencia del curso económico actual.

Múltiples desajustes

La elevada tasa de inflación es la principal manifestación de las tensiones generadas por el modelo. Ese incremento de los precios supera en los últimos seis años la media global o latinoamericana y se ha estabilizado en torno al 25-30% anual. No decae en las coyunturas recesivas y su porcentaje real fue desconocido durante largo tiempo por la manipulación oficial de las estadísticas. La gestión cotidiana de la economía quedó afectada por esta distorsión de un indicador clave.

El incremento de los precios obedeció inicialmente al reducido nivel de inversión frente a una demanda recompuesta. Ese cuello de botella se reforzó posteriormente por el manejo concentrado de numerosos sectores. La remarcación permitió mantener el nivel general de las ganancias una vez disipada la capacidad ociosa [5].

Algunos economistas cuestionan este diagnóstico de “inflación por oligopolio”, estimando que la carestía deriva de una “puja distributiva” entre empresarios y trabajadores. Argumentan que en otros países la misma concentración de los negocios no se traduce en inflación [6].

Pero tampoco la disputa social por el ingreso genera allí el mismo incremento de los precios. En esos países los mismos desequilibrios desembocan en otro tipo de tensiones, puesto que el recurso inflacionario no está incorporado al manejo corriente de la actividad. Por simple experiencia, los capitalistas argentinos apelan más a la remarcación que sus pares de otros países. Es una conducta muy asociada con la elevada expatriación de capitales y el manejo de inversiones dolarizadas.

Los rebrotes inflacionarios obedecen, además, a la preeminencia de una estructura exportadora de alimentos que encarece todos los costos agrarios, al compás de la valorización internacional de esos productos. Finalmente, en los últimos años la inflación se intensificó por la decisión oficial de sostener el consumo a través de una intensa emisión. Este ritmo de creación de moneda quedó divorciado del respaldo en divisas y de los montos requeridos para la producción. Por esta razón se acentuó la depreciación del peso.

El déficit fiscal constituye el segundo punto crítico del modelo. Ya se aproxima al 3% del PBI y afecta duramente a las provincias, que destinan la mitad de sus presupuestos al pago de salarios. Ante la ausencia de financiación el gobierno promueve recortes a los subsidios del transporte y la energía para calmar las presiones del establishment.

El tercer campo de turbulencia ha sido la caldera cambiaria que estalló a fin del 2013. El gobierno implementó la devaluación que pretendía evitar. Intentó contener la estampida cambiaria vendiendo reservas, pero terminó generando una hemorragia que redujo peligrosamente el respaldo de los pesos en circulación.

También se introdujeron formas de control cambiario que l os neoliberales cuestionaron a viva voz, culpando al intervencionismo estatal por la “inestabilidad de los mercados” [7]. Pero esa injerencia fue muy acotada y sólo buscó detener las presiones devaluatorias. Como Argentina no fabrica los dólares que utiliza para solventar sus compras externas, necesita algún tipo de regulación estatal cuando las divisas comienzan a escasear.

El gobierno intentó contrapesar el “mercado libre” que manejan los bancos y los exportadores. No violó ninguna ley de la naturaleza, ni tampoco los principios de una economía sana. El control de cambios fue introducido en forma tardía y se manejó con total arbitrariedad. En lugar de penalizar a los especuladores, los funcionarios toleraron la apropiación bancaria de los menguantes dólares.

Después de transitar por todos los rumbos posibles, el gobierno se embarcó en un ajuste que cuestiona todos los principios neo-desarrollistas. Elevó drásticamente las tasas de interés y forzó un encarecimiento del crédito que asfixia el consumo. De un estancamiento en la creación de puestos de trabajo se pasó a una coyuntura de menor empleo, en un marco de alta informalidad laboral. Este contexto se ubica muy lejos de la depresión del 2001, pero el modelo se ha quedado sin combustible.

Lo más traumático son las medidas de restricción salarial que convierten a los ingresos populares en la variable de ajuste. La inflación licúa los salarios, las jubilaciones y los programas de gasto social. El gobierno oculta las cifras de pobreza e indigencia para no transparentar que su promedio actual se asemeja a los decenios anteriores. Nadie puede exhibir como un logro de la “década ganada”, que la pobreza afecte hoy al trabajador y no al desocupado, o que el asistencialismo evite las situaciones de extrema hambruna.

Argentina ha vivido muchas veces estas coyunturas críticas. Pero las condiciones actuales difieren significativamente en el plano político y económico de los antecedentes traumáticos legados por el “rodrigazo” (1975), la hiperinflación (1989) o el colapso general (2001). La tensión actual no tiene el alcance del pasado, pero ilustra la impotencia de la receta neo-desarrollista para evitar los temblores que atormentan a la economía.

Crisis global y demanda

Los problemas del esquema ensayado en Argentina son reconocidos por sus propios promotores. Suelen atribuir esas fallas al impacto de la crisis global que irrumpió en el 2008. Afirman que el modelo permitió contrarrestar las consecuencias más dramáticas de esa convulsión, pero sin neutralizar todos sus efectos. Establecen comparaciones con Europa y remarcan las virtudes del crecimiento nacional frente al resto de Sudamérica [8].

Pero la crisis mundial afecta en forma muy diferente a cada región o país. Basta comparar la prosperidad de China con el derrumbe de Grecia para notar esas disparidades. El contraste que se establece entre Argentina y Europa del Sur olvida que la primera economía soportó en el 2001, el vendaval que actualmente sacude al Viejo Continente. Los ciclos de prosperidad y depresión global no están sincronizados.

Ciertamente el divorcio del mercado financiero internacional y la prioridad asignada al consumo, diferencian al modelo argentino de la apertura neoliberal, imperante en otros países de Sudamérica. Pero el impacto de la crisis mundial ha sido limitado y semejante en ambos casos, dada la afluencia común de divisas que generó la apreciación de las exportaciones. Los precios récord de la soja y los ingresos aportados por la agro-exportación durante la última década, superaron en cinco veces el promedio de los 90 y en diez veces la media de los 80.

Los principales desequilibrios del experimento neo-desarrollista radican en el propio modelo. Ese esquema supuso que bastaba con alentar la demanda para incentivar el despegue de un círculo virtuoso de inversión y crecimiento. Inspirados en la heterodoxia keynesiana, sus promotores imaginaron que el simple aliento al consumo impulsaría a toda la economía hacia un sendero de crecimiento auto-sostenido. Pero lo que funcionó en el 2003-07 perdió consistencia en el 2008-2010 y se tornó inviable desde el 2011.

Bajo el capitalismo los empresarios no sólo se interesan por el comportamiento de las ventas. Priorizan las ganancias y evalúan los costos. El empuje del consumo es reactivador en ciertas coyunturas, pero obstruye la rentabilidad en otras circunstancias.

Los heterodoxos suelen cometer una ingenuidad simétrica al ideario neoclásico, al imaginar grandes expansiones de la oferta productiva por el mero repunte de la demanda. Esperan una reacción inviablemente positiva de los empresarios frente a esa mejora, olvidando la gravitación de otras variables como el riesgo o el beneficio. Su idealización del capitalismo les impide percibir las contradicciones de este sistema.

Con esas ilusiones apostaron una y otra vez a la auto-corrección del modelo, mediante sencillos empujes de la demanda que terminaron generando impulsos inflacionarios, solventados con elevado gasto público y alta emisión. Lo que funcionó durante la salida de la convertibilidad por la existencia de importantes recursos ociosos, perdió viabilidad en la coyuntura posterior.

Esas políticas permitieron incluso ciertos resultados de corto plazo frente a la recesión del 2009. Aprovecharon la subsistencia de un gran colchón de fondos públicos para reanimar la economía. Pero ese excedente se disipó posteriormente. Cuando en el 2013-2014 desapareció el margen para posponer ajustes, el gobierno recurrió a las políticas ortodoxas de contracción de la demanda, que el neo-desarrollismo suele objetar enfáticamente.

La renta convalidada

El ensayo neo-desarrollista ha fallado por la incapacidad del gobierno para incrementar la apropiación estatal de la renta de la soja. Esta medida es una condición insoslayable para estabilizar un modelo de expansión productiva y mejoras sociales. El kirchnerismo pretendió aumentar la captación pública de ese excedente subiendo los impuestos a las exportaciones de la soja (retenciones). Pero fue derrotado en la confrontación del 2008 con el agro-negocio y desde ese momento abandonó todo intento de retomar la iniciativa en este campo.

Ese desenlace marcó un punto de inflexión. No le impidió al gobierno preservar (y recrear) su hegemonía política, pero le quitó al estado los recursos necesarios para la reindustrialización. Persistió cierto crecimiento, pero con los motores del desarrollo totalmente apagados.

Argentina es una economía agro-exportadora asentada en la extraordinaria fertilidad de la tierra. Ese ventajoso acervo de recursos naturales constituye una maldición bajo el capitalismo, puesto que establece un alto piso de renta comparativa para cualquier otra inversión. Ninguna actividad ofrece un nivel de rendimiento semejante al agro. Esta asimetría históricamente determinó la preeminencia inicial de la ganadería y los cereales y su reemplazo actual por la soja.

La industria no pudo competir durante la centuria pasada con el latifundio terrateniente y no logra rivalizar en la actualidad con los Pools de Siembra. Un sector primario que ofrecía escasas ofertas de trabajo a los chacareros, ya no crea empleo en la era de la siembra directa. La aglomeración en villas miserias que generaba el éxodo rural del interior ha devenido en informalidad laboral masiva, a partir del deterioro de la industria.

Los distintos proyectos de industrialización que se implementaron desde la segunda mitad del siglo XX apuntaron a contrarrestar esta tendencia a la primarización estructural. Pero todos afrontaron el mismo límite que impone la elevada renta agroexportadora al estrecho beneficio fabril. Como la fertilidad natural de la tierra asegura costos muy inferiores al promedio mundial, la vieja tentación de privilegiar el agro (o a su extensión agro-industrial) invariablemente se renueva.

Esa primacía agroexportadora reapareció con fuerza en las últimas décadas de modernización de la producción agrícola (modificaciones genéticas, agroquímicos, maquinaria de última generación) y aumento de la demanda internacional (por especulación financiera, compras de China-India y agro-combustibles).

Este escenario volvió a disuadir el tibio intento oficial de sostener la actividad fabril, más allá de alguna sustitución de importaciones. Los capitalistas de la soja mantuvieron su renta y el estado se quedó sin los ingresos necesarios para desenvolver un modelo productivo. En estas condiciones el gobierno archivó su proyecto y se resignó a gestionar el status quo de una economía sin dinamismo industrial.

Algunos autores extraen otro balance del conflicto con los agro-sojeros. Estiman que ese choque derivó en una radicalización progresista del oficialismo e incentivó medidas favorables al modelo neo-desarrollista (como la estatización de los fondos de pensión y la asignación universal) [9].

Pero esta caracterización invierte lo ocurrido y no explica los desequilibrios que finalmente empujaron al kirchnerismo al ajuste. Ignora que al renunciar a un manejo mayor de la renta el gobierno perdió el rumbo y se diluyó su proyecto.

Existió otra posibilidad para retomar el control de la renta durante la crisis cambiaria de principios del 2014 que requería especial voluntad política. El gobierno podía intentar en ese momento la nacionalización del comercio exterior, para obligar a los exportadores y financistas a liquidar los dólares acaparados. Pero optó por el libreto convencional.

El control estatal sobre las divisas es imprescindible para superar el status de Argentina como agroexportador de productos básicos. Únicamente el monopolio estatal del comercio exterior asegura la comercialización centralizada de los enormes recursos que tiene el país. Otras instituciones que ya existieron en el pasado -como el IAPI- podrían complementar esta labor, negociando los precios y financiando la siembra o la cosecha. Esas entidades permitirían desvincular los precios locales de las cotizaciones internacionales y contribuirían a contrarrestar la inflación generada por la exportación de alimentos.

El ensayo neo-desarrollista socavó su propio despunte al renunciar al único instrumento eficaz para cortar la especulación cambiaria y la facturación fraudulenta de las exportaciones. Eludió comenzar la desprivatización de un ingreso que pertenece a todo el país y que permitiría remodelar la producción agropecuaria, frenar la expansión de la frontera sojera, recuperar la ganadería y recrear la vitalidad de los cereales y los cultivos regionales.

Burguesía e inoperancia

El neo-desarrollismo apostó por enésima vez al comportamiento productivo de la burguesía, olvidando los reflejos que ha perfeccionado este sector para fugar capitales, remarcar precios y desinvertir. Las expectativas que todos los gobiernos depositaron en esa franja siempre concluyeron en estruendosas decepciones.

Esa conducta de los capitalistas argentinos obedece a numerosas razones. Ha influido la formación histórica de un sector muy dependiente de la financiación estatal, tradicionalmente débil frente a la oligarquía y muy temeroso de la clase obrera. También incide la frustrada experiencia con la sustitución de importaciones y la pérdida de posiciones frente a Brasil.

Muchos autores suelen constatar periódicamente estos fenómenos, sin extraer ninguna conclusión. A los sumo sugieren que el estado debe ampliar su presencia económica para sustituir esa deserción. Pero ese reforzamiento también generaría tensiones y no podría atravesar ciertos límites, puesto que un modelo de “capitalismo estatal sin capitalistas” carecería de sentido [10].

La frustración actual es proporcional a las expectativas depositadas en la burguesía local. El kirchnerismo ponderó a ese sector y lo benefició con cuantiosos recursos del estado esperando mayores inversiones. Pero esos subsidios volvieron a engrosar el patrimonio de los amigos del poder, sin ningún rédito productivo para el conjunto de la economía. Cada vez que ese uso parasitario salió a la superficie, el gobierno reemplazó a un favorecido por otro. Todos los grupos privilegiados aumentaron su riqueza a costa del erario público y protegieron su dinero en el exterior.

La burguesía local participó en los negocios más rentables que le ofreció el kirchnerismo y se retiró cuando debía aportar capital propio. En lugar de “enterrar capital” en inversiones de largo plazo ha preferido embarcarse en operaciones de alta rentabilidad inmediata. Con esa conducta participó en las privatizaciones en los 90 y ahora observa con atención el posible regreso de los fondos de inversión para la reestructuración de las empresas.

El neo-desarrollismo no sólo falló por su expectativa en los capitalistas. La última década estuvo signada también por una impotencia mayúscula en el terreno cambiario, impositivo y financiero.

Con el manejo de dólar se experimentaron todas las alternativas de introducción y eliminación de controles. En lugar de forjar un sistema protección de las divisas para las actividades prioritarias, se terminó armando un barroco dispositivo de medidas inútiles.

En el plano impositivo quedó nuevamente congelada la reforma progresiva discutida en incontables oportunidades. Las propuestas para gravar la renta financiera, el juego y las actividades minero-extractivas han sido tan numerosas, como los proyectos para reintroducir los aportes patronales en la previsión social. Se habló hasta el cansancio de estos temas sin ningún correlato en definiciones prácticas.

El colmo de las contradicciones oficiales ha sido la orgullosa política de cancelar deuda externa utilizando reservas del Banco Central. Rifaron el principal resguardo que tiene la economía, para exhibir al gobierno como “pagador serial”, a la espera de una respuesta amigable del mercado. Supusieron que los banqueros reingresarían las divisas que les entregaban los funcionarios y se abonó puntualmente una deuda pública resultante de infinitos canjes, sin investigar su origen y legitimidad.

Esta sucesión de fracasos ha sido coronada en el 2014 con el giro hacia la recreación del endeudamiento externo. Con ese objetivo se pagan las sentencias que emitió el tribunal del Banco Mundial (CIADI), a favor de cinco empresas afectadas por la pesificación que sucedió a la convertibilidad. También se reabrió por tercera vez el canje de títulos externos en litigio, para ofrecer un nuevo acuerdo a los fondos buitres. Estos financistas adquirieron por moneditas las acreencias argentinas desvalorizadas y ahora aguardan su pago integro en los tribunales de Nueva York [11].

Por el simple arreglo de los litigios pendientes, la deuda externa volverá a crecer en forma muy significativa . La relación con el FMI es cada vez más cordial, desde que el gobierno aceptó la supervisión del organismo en la elaboración un nuevo índice de precios. Con el Club de Paris se llegó a un acuerdo de pago de las deudas contraídas durante la dictadura, se incrementaron sustancialmente los montos a cancelar y se reconocieron inadmisibles comisiones y punitorios.

El gobierno busca créditos externos luego de varios años de desembolsos que afectaron seriamente a las reservas. Presentó como un acto de “soberanía financiera” ese gran traspaso de fondos a los acreedores. Ahora intenta reiniciar un nuevo ciclo de endeudamiento de los entes estatales y provinciales. No sería la primera vez que con el lema de “financiar obras de infraestructura” se utilizan esos capitales para solventar los gastos corrientes.

Con el mismo objetivo de retomar el endeudamiento externo se ha indemnizado a REPSOL, desconociendo la promesa de auditar el saqueo que consumó esa compañía. Algunos economistas describen esa capitulación como un logro, argumentando que el país necesita inversiones para recuperar el faltante energético. Pero olvidan que hasta hace pocos años Argentina exportaba combustible, mientras las reservas de petróleo y gas se desplomaban, generando el actual bache de importaciones. Este déficit no obedece al crecimiento de la economía. Simplemente hubo permisividad oficial frente a todos los incumplimientos de las compañías petroleras.

Las fallas estructurales

En las áreas más estratégicas hubo muchos discursos a favor de la industrialización, pero el modelo mantuvo intacto la creciente gravitación del extractivismo minero-petrolero. Se impulsó especialmente un tipo de minería a cielo abierto que genera efectos devastadores sobre la Cordillera. Las empresas dinamitan montañas disolviendo rocas con materiales químicos contaminantes. Esta actividad destruye el medio ambiente sin crear empleo, ni generar desarrollo. Engrosa las ganancias de corporaciones internacionales que tributan bajos gravámenes.

Los defensores del modelo que reconocen estos problemas, pero argumentan que la reindustrialización ha sido el dato descollante. Remarcan no sólo esta recuperación frente a la liberalización financiera de los 90, sino también ante el resto de la región [12].

Pero esta caracterización se basa en una repetida comparación con la depresión del 2001. Como pocas economías padecieron un colapso tan agudo, resulta muy sencillo demostrar la inédita envergadura de la recomposición fabril que tuvo Argentina. Se olvida que una vez repuestos los niveles tradicionales de producción y empleo, quedó reinstalada la misma estructura industrial dependiente y vulnerable del pasado. Por eso reapareció la elevada importación de insumos y la escasez de divisas para solventarlos. El déficit comercial del sector se expandió, al compás de crecientes compras externas de bienes y equipos .

La recuperación cíclica de la última década reforzó, además, la concentración y extranjerización de la industria. Como se mantuvo una ley de inversiones extranjeras que otorga total libertad para remitir utilidades, el grueso de las ganancias fueron giradas a las casas matrices.

Las empresas trasnacionales controlan la mayor parte de la actividad industrial y no realizan transferencias de tecnologías. Como el mercado argentino es marginal a sus estrategias globales, el nivel de reinversión local es muy bajo. El gobierno no sólo convalidó este escenario, sino que promovió un innecesario boom automotriz. El contraste entre esa expansión y el desplome del sistema ferroviario retrata hasta qué punto estuvieron invertidas las prioridades del desarrollo.

La reindustrialización quedó adicionalmente bloqueada por la consolidación de un sistema financiero pro-consumo y anti-inversión. Las pocas regulaciones heterodoxas que se introdujeron para ordenar el mercado de capitales o actualizar la Carta Orgánica del BCRA, no alteraron la carencia de préstamos de largo plazo. Sólo multiplicaron la liquidez que manejan los bancos para motorizar la demanda.

El ocaso del ensayo neo-desarrollista está reavivando en Argentina las convocatorias neoliberales a imitar las políticas de apertura y privatización de los gobiernos conservadores. Como ya se les pasó la euforia con España o Irlanda, ahora elogian a Perú y Colombia, exhibiendo sesgados indicadores de crecimiento o inversión. Nunca hablan de la vulnerabilidad financiera, que afrontan todos los modelos abiertos al ingreso y salida de capitales especulativos. Tampoco mencionan las dramáticas consecuencias del extractivismo que sufren las economías minero-exportadoras.

Los neoliberales auguran una lluvia de dólares cuando se “recupere la confianza en un buen gobierno”, sin aclarar quién lucrará con esas divisas y cuánto costará su repago. También proponen extirpar el “populismo económico” y erradicar la perversa “intervención del estado” [13].

Pero suelen desconocer el intenso estatismo que caracterizó a todos los gobiernos pro-mercado. El gasto público nunca se redujo significativamente bajo esas administraciones. También ellos utilizaron los recursos del estado para subsidiar a los empresarios afines.

Al cabo de una década el neo-desarrollismo tambalea. El modelo se distanció inicialmente del neoliberalismo, pero sin incluir las medidas requeridas para llevar a cabo la redistribución real del ingreso y el cambio de la matriz productiva. No modificó los pilares de una economía dependiente con gran desigualdad social.

Tres interpretaciones en Brasil

En Brasil existe un intenso debate sobre el neo-desarrollismo y su grado de aplicabilidad al gobierno del PT. Esta controversia ilustra cuán discutible es la presencia de un modelo de ese tipo en la principal economía sudamericana.

Estas reservas provienen de la evidente continuidad que mantuvo el primer mandato de Lula con la política económica precedente. Allí estuvo totalmente ausente la ruptura que introdujo en Argentina el derrumbe de la convertibilidad.

La gestión inicial del sucesor de FH Cardoso sorprendió por la sintonía que mantuvo con su antecesor. La nueva gravitación social alcanzada por los trabajadores, no se plasmó en un proyecto diferenciado de las tradiciones dominantes. El PT llegó al gobierno con la explícita aprobación de los grandes grupos capitalistas. No irrumpió en forma imprevista como Kirchner y adoptó desde el inicio una postura extremadamente conformista [14].

Por esta razón muchos autores utilizaron denominaciones complementarias del neoliberalismo (social-liberalismo, neoliberalismo atenuado) para caracterizar el primer período de Lula. En ese debut no se avizoraron elementos de giro neo-desarrollista. Pero en el mandato posterior y en la administración de Dilma aparecieron ingredientes de un viraje que han suscitado tres caracterizaciones distintas.

Un primer enfoque considera que en estos períodos se consumó el pasaje hacia el neo-desarrollismo. Estima que el recetario ortodoxo fue desechado y que Lula debió otorgar concesiones al gran capital (altas tasas de interés, sistema impositivo regresivo, preeminencia del agro-negocio), para reintroducir la política industrial. Este curso es visto como una variante conservadora, que igualmente alentó la inversión pública y estimuló el consumo, mediante aumentos de la ayuda social y del salario mínimo [15].

La segunda caracterización remarca el continuismo y la ausencia de rupturas con el neoliberalismo. Estima que el PT se amoldó al “Consenso Pos-Washington” con políticas económicas que estabilizaron el mismo curso de las últimas décadas. Sólo se introdujeron ciertas regulaciones en las privatizaciones, algún control en la liberalización financiera y acotados límites a la apertura comercial

Esta visión rechaza cualquier identificación del modelo de Lula con el neo-desarrollismo, señalando que esta última tradición implica liderazgo de la burguesía industrial, sustitución de importaciones y posturas nacionalistas. Estima que ese legado contrasta con la primacía asignada a la exportación y a la liberalización comercial, en un marco de apertura al capital extranjero, desnacionalización y dependencia tecnológica [16]. Otras variantes de este enfoque resaltan la continuada vulnerabilidad de la economía y de políticas ortodoxas encubiertas [17].

Finalmente existe un tercer planteo intermedio. Señala que la experiencia gubernamental ha desmentido tanto a los aprobadores, como a los opositores del rumbo imperante. Estima que las corrientes neo-desarrollistas al interior del gobierno fueron ganando posiciones frente a las vertientes monetaristas, hasta imponer correctivos a la etapa inicial. Estos cambios se plasmaron en nuevas políticas fiscales de estímulo productivo, inversión pública y expansión de la Bolsa Familia.

Este giro es conceptualizado como una política híbrida, que permitió cierto crecimiento sin generar un programa coherente. La estrategia macroeconómica neoliberal del comienzo quedó entrelazada con iniciativas posteriores de cuño neo-desarrollista [18].

Esta caracterización destaca que en el segundo mandato Lula modificó la primacía inicial de los bancos a favor de la industria. Estima que consumó un viraje de altas tasas de interés y políticas de libre ingreso de capitales, a orientaciones que privilegian la actividad fabril, con subsidios financiados por la previsión social. Considera que el Lulismo tomó partido por las fracciones de la burguesía que disputan con el capital financiero, resisten la desnacionalización y propician la protección del estado frente a sus rivales extranjeros [19].

Comparación entre dos países

Las tres posturas en el debate brasileño divergen sobre el grado de incorporación de elementos neo-desarrollistas al modelo económico del PT. Pero todas las posturas reconocen la gran distancia existente con la experiencia argentina [20].

En ningún momento se insinuaron en Brasil medidas comparables a la nacionalización de los fondos de pensión o conflictos equivalentes al choque que opuso al gobierno argentino con el agro-negocio. En los dos países hubo impulso al consumo, asistencialismo, políticas contra-cíclicas y fomento parcial a la reindustrialización. Pero el lulismo nunca introdujo las iniciativas neo-desarrollistas que caracterizaron al kirchnersimo.

Esta diferencia obedece a la disparidad de escenarios político-sociales que han imperado en ambas naciones. El lulismo y el kirchnerismo constituyen dos variantes de las mismas administraciones de centro-izquierda. Pero se han desenvuelto en contextos muy distintos.

Mientras que el gobierno de Brasil acentuó durante su gestión la desmovilización social, el legado de la rebelión del 2001 obligó a sus pares del Cono Sur a gobernar con un ojo puesto en la reacción de los oprimidos. Recompusieron en Argentina el poder de los privilegiados, otorgando importantes concesiones democráticas y sociales al grueso de la población.

Lula no estuvo sometido a las presiones desde abajo que forzaron a los Kirchner a actuar en un tembladeral. El matrimonio K reconstruyó un estado colapsado por el desmoronamiento de la convertibilidad, frente a un PT que mantuvo casi intacta la estructura transferida por Cardoso.

Esta diferencia explica la divergente incidencia del neo-desarrollismo. En Argentina se ensayó un esquema con creciente regulación estatal, para recomponer un mercado interno devastado. En Brasil la continuidad socio-liberal inicial fue pausadamente sustituida por medidas de intervención, para contrarrestar la erosión generada por la ortodoxia monetarista. Condiciones políticas disímiles determinaron orientaciones económicas distintas.

Tal como ocurrió en Argentina desde el 2003, los indicadores económicos de Brasil comenzaron a mejorar a partir del 2006, provocando cierto desconcierto entre quiénes auguraban un rápido eclipse. El crecimiento de las reservas internacionales, la mejora de la posición externa de Brasil, la reducción de la pobreza absoluta y el aumento del crédito de consumo sorprendieron a muchos analistas.

Al igual que en Argentina este resultado obedeció a una combinación de condiciones externas favorables (bajas tasas de interés, afluencia de capital, mejora de los términos de intercambio) y políticas internas de apuntalamiento de la demanda. La escala de la recuperación económica fue inferior en Brasil, porque ese país no atravesó un desplome comparable al padecido por Argentina, ni contó con el rebote que generan esos colapsos.

Pero una vez concluido el ciclo ascendente, en ambos países afloran las mismas contradicciones de modelos que impulsan la demanda, sin remover las obstrucciones estructurales al desarrollo.

En el caso brasileño la tasa de crecimiento 2006-2013 ha sido muy baja en comparación a períodos precedentes y estuvo sostenida en esquemas de endeudamiento para expandir el consumo. La tasa de inversión (17-20% del PBI) fue inferior a la media histórica y el pago de intereses de la deuda (40-45% de la recaudación fiscal) continúa agobiando a la economía [21].

El ascenso geopolítico que registra Brasil no se traduce en una expansión económica equivalente. Encabeza el bloque sudamericano, auspiciando políticas autónomas de regionalismo capitalista y se ha consolidado como sub-potencia hemisférica. Pero su influencia es reducida en comparación a otras economías intermedias de Asia o Europa, que ganan espacio en el escenario global.

Un proyecto neo-desarrollista industrializador choca en Brasil con la prioridad asignada a la agro-exportación, en desmedro del desenvolvimiento manufacturero. El país depende cada vez más del agro-negocio y esta limitación es incluso reconocida por las visiones más afines al modelo actual [22].

El freno al desenvolvimiento industrial se verifica en la pérdida de competitividad y en la fuerte gravitación del denominado “costo Brasil”. Esa obstrucción se corrobora, además, en el estancamiento tecnológico y en la obsolescencia de la infraestructura. Si en la segunda etapa del PT ganó espacio el lobby industrial, esa incidencia no ha generado una recuperación fabril significativa. Una gran distancia separa los esbozos actuales de neo-desarrollismo de los viejos modelos centrados en la prioridad industrial [23] .

¿Se masifica la clase media?

Algunos pensadores estiman que los efectos benéficos del neo-desarrollismo no se verifican en la estructura económica de Brasil, pero ya se corroboran en la expansión de la clase media . Destacan la consolidación de un nuevo segmento intermedio que reconfigura la fisonomía social del país [24].

Pero esta caracterización sobre-dimensiona el ascenso del nuevo sector utilizando los mismos criterios que difunde el Banco Mundial. Este organismo postula que “la extensión de la clase media transforma a Latinoamérica”, a partir de un inédito aumento de ese sector (30%) entre el 2003 y el 2009.

Estos cálculos se basan en estimaciones inconsistentes que ubican en la clase media a cualquier trabajador que gane 10 dólares por día, más allá de las desigualdades imperantes en la sociedad. La pertenencia a una clase no se define en comparación a otros grupos, sino en función de la simple tenencia de cierto ingreso. Quiénes alcanzan ese piso quedan automáticamente ubicados fuera del universo de los humildes.

Con ese enfoque supone que la clase media se expande junto al aumento de la polarización social. La ampliación de ese segmento ya no atempera las brechas entre ricos y pobres, pero es igualmente retratada como un colchón intermedio [25].

El discurso de crecimiento de la clase media se generalizó en Brasil a partir de las mejoras registradas en el salario mínimo. Se incluyó dentro del nuevo estrato a todos los trabajadores que obtienen un ingreso per cápita entre 141 y 500 dólares mensuales. Con ese cálculo se afirma que el 54% de la población pertenece a la clase media. Pero esta conclusión es poco realista en un país que ocupa la posición 84 en el índice mundial de desarrollo humano [26].

Ciertamente hubo mejoras sociales reales en la última década. La recuperación de los salarios más postergados, los incrementos obtenidos en las negociaciones de las convenciones colectivas y el mayor financiamiento educativo retratan esos desahogos. Los beneficiarios de la Bolsa Familia obtuvieron una importante tajada de estos avances.

Pero el grueso de los campesinos quedó afectado por la concentración de la tierra y la disminución de la desigualdad fue muy limitada, en un país donde el 10% de la población posee el 75% de la riqueza del país. Además, la tasa de explotación se mantuvo invariable y se profundizó la precarización mediante distintas formas de sub-contratación. Un tercio de los nuevos empleos del período fueron absorbidos por los trabajadores terciarizados [27].

La expansión de la clase media es frecuentemente identificada con la simple modernización del consumo. No se toma en cuenta que ese incremento de los volúmenes de compra se concretó con formas de crédito y tasas de interés poco sustentables. La persistencia de 30 millones de pobres cuestiona seriamente la presentación de Brasil como un país de segmentos medios. Se ha creado un nuevo círculo de ese sector, pero en un escenario de continuada segmentación social y convalidación del asistencialismo.

Denominaciones y proyectos

La caracterización del neo-desarrollismo como un proyecto económico diferenciado del desarrollismo clásico y del neoliberalismo suscita fuertes controversias. Algunos autores cuestionan la especificidad de esta corriente, estimando que su nombre oculta meras intenciones y proyectos no realizados. Consideran que no existen logros acordes a los objetivos enunciados en el terreno de industrialización o el desenvolvimiento [28].

Pero es muy frecuente la aparición de términos que aluden a ciertas metas sin guardar sintonía con su concreción. Como esta situación se verifica actualmente con el neo-desarrollismo, conviene discutir el contenido del proyecto, evitando discusiones sobre la legitimidad de su nombre.

Si la validez del término asumido por cada enfoque estuviera determinada por el grado de cumplimiento del programa invocado, resultaría imposible cualquier clasificación. Nadie podría referenciarse en el socialismo (puesto que no existen sociedades igualitarias) o en el liberalismo (ante la ausencia de economías gobernadas por la pureza del mercado).

Al igual que cualquier otro concepto político o económico, el neo-desarrollismo pretende singularizar un proyecto representativo de ciertos sectores sociales. Es un error ignorarlo o descalificarlo por su distancia con el desarrollismo clásico. Sus propios promotores asumen esas diferencias, cuando utilizan el prefijo “neo” o el complemento “nuevo”.

La crítica a esta corriente no debe recaer en la veneración del viejo desarrollismo, olvidando que tampoco ese antecesor cumplió con sus metas. El frustrado proceso de reindustrialización actual prolonga las dificultades que enfrentó la versión fallida de los años 50-60. Las contradicciones con la primera experiencia anticiparon los problemas que vuelven a emerger en la actualidad.

El principal debate entre los intérpretes del neo-desarrollismo opone a quienes elogian y critican los propósitos (o resultados) de esa experiencia. En el caso de Argentina la postura favorable que asumen ciertos pensadores (Basualdo, Rinesi) contrasta con la mirada polémica que adoptan otros (Féliz). Nuestro enfoque se ubica en este segundo campo [29].

Esta última visión busca comprender y cuestionar los cambios de modelos y políticas económicas, que se han registrado en América Latina en los últimos años. Estas modificaciones se procesan al interior de un mismo patrón de reproducción de exportaciones básicas. La complejidad del fenómeno justamente radica en la multiplicidad de vertientes que actúan dentro de la misma etapa del capitalismo.

Maldiciones y repeticiones

Es importante distinguir al neo-desarrollismo del neoliberalismo, para notar cómo las diferencias en el plano económico se proyectan a la esfera política, en afinidades hacia gobiernos de centroizquierda o administraciones derechistas.

El neo-desarrollismo no es una simple bandera demagógica de presidentes con discursos progresistas. Constituye la modalidad actual de los proyectos que periódicamente adoptan las elites, las altas burocracias o los grupos capitalistas de los países semiperiféricos. No es un programa en debate dentro Estados Unidos u Honduras. Irrumpe cíclicamente en el escenario político de Brasil, México o Argentina.

Este tipo de economías medianas necesitan retomar la industrialización . Cuentan con importantes mercados internos y masas de asalariados, pero sin el pilar que sostiene a esas estructuras en las potencias centrales. Han concluido hace mucho tiempo sus procesos de acumulación primitiva, pero enfrentan severas trabas periódicas para la acumulación de capital.

La consolidación internacional de una nueva gama de economías intermedias acentúa esta necesidad de recuperar el peso fabril. Pero este mismo escenario afecta las posibilidades de concreción de esa meta. Los países latinoamericanos que desenvolvieron su industrialización con cierto nivel de salarios, no pueden emular a los modelos asiáticos que expandieron la exportación manufacturera, a partir de mercados internos estrechos y carencias de recursos naturales. Las economías de la región necesitan expandirse aceleradamente, pero enfrentan espacios internacionales reducidos para materializar ese crecimiento.

Esta contradicción es muy severa para las naciones sudamericanas más afectadas que beneficiadas por la abundancia de recursos naturales. Ese excedente genera una altísima renta para bienes producidos a un costo inferior al promedio internacional. Este lucro se acrecienta cuando repunta el precio mundial de las materias primas, incentivando un rendimiento superior a la ganancia industrial.

Todos los programas desarrollistas han debido lidiar con esta contradicción, que induce a los capitalistas a evitar una actividad fabril de mayor riesgo y menor retorno que el negocio primarizado. Intentan revertir esta tendencia, canalizando porciones significativas de la renta hacia los emprendimientos industriales rehuidos por las clases dominantes. Implementan esta política mediante impuestos a las agro-exportaciones y subsidios a los industriales .

Las iniciativas neo-desarrollistas resurgen periódicamente frente a las consecuencias de la perpetuación rentista. Si los grupos dominantes se resignan al status tradicional de sus países como exportadores de materias primas, la economía queda sujeta al vaivén internacional de los precios de esos productos, no genera empleo y sufre el ensanchamiento de las fracturas sociales. Es lo que ocurrió durante el neoliberalismo extremo de los años 90.

Pero cuando los propios sectores dirigentes reaccionan con intervenciones estatales para utilizar la renta en procesos de industrialización, deben afrontar serios conflictos con los propietarios de ese excedente. Si pierden esa disputa se generan grandes crisis, que inducen al establishment a exigir un retorno a la situación precedente. Es lo que sucedió en Argentina en última década.

Esta oscilación histórica se ha repetido en numerosas oportunidades y por esta razón el neo-desarrollismo actual reitera frustraciones ya conocidas. Pero como persiste el desequilibrio estructural que empuja a retomar el intento, ninguna decepción elimina la tendencia a volver una y otra vez sobre los mismos pasos.

La definición del desarrollismo como una “religión de la periferia capitalista” ilustra esta peculiar tendencia a la reiteración. Al concluir una experiencia fallida emerge la amnesia social que hace olvidar ese fracaso, pero al mismo tiempo se preparan las condiciones para repetir el experimento [30].

Sólo otro proyecto con metas igualitarias, liderado por clases populares, y encarado con dinámicas de lucha consecuente podría ofrecer una salida a esa encerrona.

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– Zaiat, Alfredo, (2012) “Plan Fénix para América del Sur”, Página 12, 12-11.

Notas:
[2] Bresser Pereira, Luiz Carlos, (2010) Globalización y competencia, Siglo XXI, Buenos Aires, (pag 129, 141-142)
[3] Nuestra visión general en: Katz Claudio, (2013), “La Economía desde la Izquierda I. Coyuntura y ciclo”, II. Modelo y propuestas”. Disponible en: http://www.geocities.com/economistas_de_izquierda/ 28-11.
[4] Nuestro enfoque en: Katz Claudio (2014), “Nuevo escenario, nuevas posibilidades”, 26/5. Disponible en: http://rebelion.org/noticia.php?id=185167
[5] Schorr Martín, Manzanelli Pablo, (2013) “Inflación oligopólica”, disponible en w ww. pagina12 .com.ar, 24-3.
[6] Crespo Eduardo, Fiorito Alejandro, (2013) “Es la puja distributiva”,   disponible en   www. pagina12 .com.ar, 17/03.
[7] Esta postura difunden economistas ortodoxos como: Melconian Carlos, (2013) “Faltan dólares, sobran pesos… Y seguiremos así”, disponible en www.lanación.com, 4-8. Ferreres Orlando, (2013) “Cómo salir del camino de la decadencia”, disponible en www.lanación.com, 5-7.
[8] Felleti Roberto, (2013), “La crisis global y el futuro de la región”, www.lanación.com, 30-6.
[9] Varesi Gastón, (2011), “Argentina 2002-2011: neo-desarrollismo y radicalización progresista”, Realidad Económica, n 264, noviembre-diciembre.
[10] Un reciente ejemplo de estos problemas en: Zaiat Alfredo (2013), “Mariachi, burguesía y el estado”, www.pagina12.com.ar/diario, 17/11.
[11] Nuestra visión en: Katz Claudio, (2014),“¿Cuántos buitres acosan a la Argentina?”, disponible en: www.lahaine.org/katz, 30/5.
[12] Keistelboim Mariano, (2013) “ Reindustrialización”, disponible en www.pagina12.com.ar/diario, 28/04.
[13] Cortés Conde Roberto, (2013), “Acumular desequilibrios: la causa de las crisis recurrentes del país”, disponible en: www.lanación, 15-9.
[14] Arcary Valerio, (2013) “Brasil dez anos de governos de coalizao”, disponible en: www.correiocidadania.com.br , 21/3.
[15] Pomar Valter, (2013), Notas sobre a política internacional do PT, Secretaria de Relaciones Internacionales do PT, Textos para debate 7, Sao Paulo, (pag 23, 60-62, 79-92).
[16] Goncalves Reinaldo, (2012), “Novo desenvolvimentismo e liberalismo enraizado”, Serviço Social e Sociedade, n 112, outubro-dezembre, Sao Paulo.
[17] Sampaio Arruda Plinio, (2012), “Brasil Hechos y mitos de los gobiernos”, disponible en: wordpress.com, 01/11.
[18] Saad Filho Alfredo, Morais Lecio, (2011), “Da economía política a política económica: o novo-desenvolvimentismo e o governo Lula”, Revista de Economía Política, vol 31, n 4, outubro-dezembro.
[19] Boito Armando, (2012) “A economia capitalista está em crise e as contradições tendem a se aguçar”, disponible en: www.jornalbrasildefato, 09/04.
[20] Una comparación en: Crespo Eduardo, (2013) “Es un mito”, disponible en  www.pagina12.com.ar, 20/01.
[21] Lessa Carlos, (2013), “Dilma precisa de coragem”, disponible en: www1.folha.uol.com.br, 14/01.
[22] Serrano Franklin, (2013),“Brasil debe ser locomotora”, disponible en  www.pagina12.com.ar, 26/04.
[23] Carneiro Ricardo de Medeiros, (2012) “ Velhos e novos desenvolvimentismos”, Economia e Sociedade, Campinas, vol 21 dezembro.
[24] García Marco Aurelio, (2010) “El nuevo desarrollismo”, disponible en: www.revistasocialista, 10/31.
[25] Ver: Adamovsky Ezequiel , (2012), “El mito del aumento de la clase media” disponible en: www.clarin.com, 26/12. Gandásegui Marco A, (2012), “La clase media del Banco Mundial”, Panamá 13-11, disponible en: alainet.org/active
[26] Berterretche Luis, (2013) “Los tramposos delirios de los tecnócratas del Banco Mundial”, www.argenpress.info, 10/04. Pasarinho Paulo, (2012) “ El milagro propagandístico de la explosión de la “clase media”, www.vientosur, 06/08.
[27] Sampaio Arruda Plinio, (2012) “Brasil; Hechos y mitos de los gobiernos”, wordpress.com, 01/1.
[28] Cantamutto Francisco, Costantino Agostina, (2013), “Neo-desarrollismo: ¿cuánto hay de nuevo?”, Herramienta web 14, Octubre, disponible en: www.herramienta.com.ar
[29] Basualdo, Eduardo, (2011), Sistema político y modelo de acumulación: tres ensayos sobre la Argentina actual, Atuel: Buenos Aires. Rinesi, Eduardo, (2011), “Notas para una caracterización del kirchnerismo”, Debates y Combates, disponible en. www.calameo.com/books, 29/10. Féliz Mariano, (2013), “El neo-desarrollismo y la trampa de la renta extraordinaria, El caso de Argentina 2002-2012”, Contrapunto, n 2, junio, Montevideo. Katz Claudio “Los nuevos desequilibrios de la economía argentina”, (2010) Batalla de Ideas, n 1, año 1, septiembre, Buenos Aires.
[30] Ouriques Nildo, “Desarrollismo y dependencia en Brasil”, (2012), Revista Pueblos, n 51, segundo trimestre.

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III.- QUÉ ES EL NEODESARROLLISMO. UNA VISIÓN CRÍTICA.
          TEORÍA  Y POLÍTICA

El neo-desarrollismo elogia a los empresarios con la misma naturalidad que reivindica al capitalismo. Observa contratos voluntarios donde impera la coerción y percibe conductas emprendedoras entre los demandantes de auxilio estatal. Se amolda a burguesías locales más internacionalizadas y prioriza el sometimiento de los oprimidos a la imposición de mayor disciplina estatal a los poderosos.

El subdesarrollo no deriva de la ausencia de un funcionariado eficaz, ni se corrige con burocracias eficientes. Esas capas actúan en consonancia con las clases dominantes y reflejan sus limitaciones. El neo-desarrollismo atenúa la ideología nacionalista, eliminando resabios antiimperialistas. La distinción entre identidad y densidad nacional no explica los resultados de cada economía. El nacionalismo burgués ha perdido funcionalidad y tiende a ser sustituido por el regionalismo capitalista.

Mientras las nuevas miradas institucionalistas aceptan ritmos más pausados de desenvolvimiento, la identificación del desarrollo con la modernidad elude el análisis del capitalismo y sintoniza con los planteos tradicionales del liberalismo.

Al atribuir el subdesarrollo a la ausencia de elites clarividentes se olvida el comportamiento de las clases dominantes. La evolución divergente de Latinoamérica y el Extremo Oriente no obedece a la conducta de esas minorías, ni tampoco al rol de la tecnocracia. Hasta ahora el neo-desarrollismo sólo despunta como un esbozo en un escenario con predominio neoliberal.

El neo-desarrollismo reivindica al empresariado industrial como sujeto protagónico del desenvolvimiento. Esta defensa sintoniza con su mirada elogiosa del capitalismo. Algunos consideran que este sistema optimiza la evolución de la sociedad y otros estiman que constituye un dato invariable de la realidad. Todos cuestionan las consecuencias nocivas de ciertos modelos, pero aceptan los criterios de eternidad capitalista que ha difundido el neoliberalismo.

Idealización y realidad

Los autores neo-desarrollistas repiten los mitos más corrientes sobre el funcionamiento armónico de las sociedades. Consideran que los individuos se organizan dentro de cierto territorio, en colectividades regidas por un destino que comparten todas las clases sociales.

Suponen que existe un convenio implícito para mejorar el bienestar general, incrementando la competitividad internacional de cada conglomerado nacional. Ese acuerdo entre burguesías, burocracias y trabajadores funciona como un contrato social que permite el progreso de todos los involucrados .

Pero no aclaran por qué razón este imaginario consagra tantas desigualdades y funciona sin la aprobación previa de todos los firmantes. Si los trabajadores pudieran actuar libremente en la fijación concertada de las reglas sociales, establecerían remuneraciones equivalentes a su actividad y vetarían todas las formas de explotación.

El capitalismo se reproduce generando beneficios surgidos de la extracción de plusvalía. Se asienta en esa confiscación y no en la imposición de un consenso sobre la forma de distribuir el excedente. Lejos de favorecer a todos los integrantes de la comunidad, apuntala las ganancias de los poderosos a costa de los oprimidos. Ese manejo del poder por parte de una minoría no está sujeto a consultas, ni aprobaciones.

Esta realidad es imperceptible para el neo-desarrollismo. Se encuentra fuera del campo visual de sus teóricos, que comparten los valores y razonamientos de los grupos dominantes. Por eso observan la coerción económica que sufren los asalariados por parte de los capitalistas, como un contrato voluntariamente suscripto por ambas partes.

Con esa misma mirada reivindican a las burguesías latinoamericanas. Elogian su papel histórico en la constitución de las naciones, remarcan su creación de industrias, exaltan su manejo de los negocios y ponderan su generación de empleo .

Esta defensa contrasta con las visiones críticas que destacaron el comportamiento político pusilánime y la actitud económica improductiva de la burguesía industrial. Esos planteos contraponían la pujanza inicial de los capitalistas de las economías avanzadas con la ineptitud de sus equivalentes en la periferia .

Bresser ensaya un revisionismo de esta visión, sin aportar pruebas del empuje que habría caracterizado a los industriales latinoamericanos. Olvida que las burguesías industriales no jugaron ningún papel significativo durante la formación de las naciones latinoamericanas. Tampoco fueron artífices de la limitada industrialización registrada durante el siglo XX. Los estados cargaron con la mayor parte de esa tarea, frente a empresarios que siempre fueron más activos en la recepción de subsidios que en la introducción de inversiones

El teórico del neo-desarrollismo resalta especialmente la progresividad de la burguesía brasileña. Subraya que el protagonismo de ese sector nunca se interrumpió y polemiza con los teóricos de la Dependencia que cuestionaron ese papel. Estos autores destacaron que la dictadura de 1964 representó un momento de viraje regresivo en la conducta de los capitalistas .

Bresser rechaza esas caracterizaciones argumentando que la burguesía industrial nunca perdió vitalidad. Pero desconoce la principal discusión de ese período que estuvo centrada en el cambio de comportamiento de los capitalistas locales, como resultado de su creciente asociación con las firmas extranjeras. En su enfática defensa del empresariado omite la sustancial alteración del patrón de acumulación que introdujo ese giro.

Otro tipo de capitalistas

Bresser confronta duramente con el marxismo y la revolución cubana por su rechazo del padrinazgo burgués. Sostiene que la esforzada tarea de los desarrollistas para apuntalar la conducta progresista del empresariado, siempre fue obstruida por la “izquierda burocrático-populista” .

Pero esta crítica reafirma su contradictoria caracterización de la burguesía nacional. Por un lado, realza la inclinación natural de este sector hacia la inversión productiva y por otra parte, señala que esa actitud exige auspicios externos por parte del estado. Si el espíritu emprendedor de los capitalistas fuera tan intenso, ese sostén estatal no sería indispensable. La pujanza del empresariado tampoco podría ser fácilmente neutralizada por las críticas de la izquierda.

Bresser convoca a los trabajadores a aceptar una alianza política conducida por la burguesía. Afirma que la constitución de un “frente poli-clasista” es decisiva para el desarrollo nacional. Nunca aclara cómo se distribuirían los réditos de ese acuerdo y oculta de qué forma han contribuido en el pasado a estabilizar la dominación de las clases opresoras.

Algunos analistas estiman que Bresser acentuó su hostilidad hacia la izquierda, al aproximarse al social-liberalismo de la Tercera Vía que encarnó Tony Blair. Pero su postura expresa también continuidades con la labor que desplegó durante los años 90, como mentor de las privatizaciones .

Bresser se desempeñó como alto funcionario de la gestión neoliberal de F. H. Cardoso. Aunque se considera heredero del nacional-desarrollismo de Furtado, participó de una experiencia gubernamental explícitamente opuesta a ese legado.

Esa tradición incluye posturas de resguardo del empresariado nacional frente a la competencia externa, que sólo algunos autores neo-desarrollistas preservan formalmente. Estos planteos constituyen la sombra del pasado, puesto que la nueva prioridad es la promoción de las exportaciones .

Bresser es más contundente. Considera que las economías intermedias ya no necesitan proteccionismo y sugiere erradicar el viejo pesimismo en el estancamiento manufacturero, la asfixia de la balanza de pagos o el agravamiento de la heterogeneidad estructural. Apuesta a la rápida conversión de las economías emergentes en potencias desarrolladas, rechaza las nacionalizaciones y propone acotar el gasto público .

Su postura refleja qué tipo de burguesías predominan en la actualidad. Los capitalistas reciben con gusto los subsidios del estado, pero objetan la propiedad pública. Se consideran más poderosos y menos necesitados de los auxilios que aportaban las compañías estatales. Usufructúan del gasto público pero desconfían del estado empresario.

Este cambio ilustra el pasaje de la vieja burguesía nacional a la nueva burguesía local. Los grupos que priorizaban el mercado interno, las barrearas arancelarias y la inversión pública han sido sucedidos por sectores más volcados hacia la exportación. Forjan empresas “multilatinas” con socios internacionales y promueven conductas políticas más conservadoras. Techint y Oberbrecht retratan esta nueva modalidad de intervención, enlazada con empresas transnacionales y también guiada por una gestión globalizada de los negocios .

La reivindicación de esta nueva burguesía exige argumentos más sofisticados. El desarrollismo clásico promovía la expansión de un empresariado industrial naciente en conflicto con la oligarquía exportadora. Esa tensión facilitaba la presentación de ese sector como un artífice del desarrollo nacional .

Pero los conflictos de los años 40-50 han quedado atrás. La burguesía local reforzó su ligazón con el agro-negocio y promueve la perpetuación del status quo. Ha estrechado vínculos con el capital extranjero y se ha regionalizado para capturar mercados de mayor envergadura. El neo-desarrollismo se amolda a esta nueva fisonomía del capitalismo zonal

Mistificación del Estado

El neo-desarrollismo realza el papel de los estados nacionales como instrumentos transformadores de la economía. Subraya la gravitación de esa institución, no sólo por las garantías que aporta a la propiedad y a los contratos. Considera que cumple un papel irreemplazable en la organización del crecimiento y en la concertación de pacto sociales.

Este enfoque es contrapuesto a la teoría neoliberal del “estado mínimo” y a todos los discursos sobre el “retiro del estado”. Demuestra que esa retórica encubre la continuada expansión de un organismo, que acentúa su incidencia junto a la expansión de la acumulación. Lo que se modifica con el paso del tiempo son las funciones que ejerce el estado, para privilegiar ciertas actividades en desmedro de otras.

Pero el neo-desarrollismo no se limita a reconocer este protagonismo. Presenta la intervención del estado como una forma de asegurar el bienestar general, ocultando que esa institución es controlada por las clases dominantes. Basta observar cómo se recaudan los impuestos y se distribuyen los subsidios, para notar quiénes son los principales favorecidos por la administración estatal.

Al suponer que el secreto del crecimiento sostenido se encuentra en la fortaleza del estado, el neo-desarrollismo olvida que el subdesarrollo padecido por América Latina nunca obedeció a la debilidad de ese organismo. El estado siempre estuvo muy presente al servicio de los grupos sociales más obstructores del desenvolvimiento regional. El sostén brindado a esos sectores determinó el atraso histórico de la zona.

Algunas miradas neo-desarrollistas suelen destacar que la pujanza de cada economía depende de la capacidad exhibida por su estado para lidiar con las clases dominantes.

Estiman que la diferencia entre América Latina y Asia, radica en la impotencia de la primera región para implementar las políticas, que disciplinaron a las elites de la segunda zona. Destacan que la intención latinoamericana de mantener satisfechos a los poderosos contrasta con la práctica asiática de someterlos al rigor de normas muy estrictas. Señalan que esta diferencia determinó resultados muy diferentes. El rentismo convalidado por los estados frágiles contrasta con la acumulación impulsada por los estados gravitantes .

Pero esta caracterización ofrece un retrato y no una explicación del problema. Contrapone estados con autoridad que aseguraron el crecimiento, con instituciones débiles que se dejaron manejar por los poderosos, como si la primera fuerza emergiera de alguna voluntad supra-natural de ordenamiento de la sociedad.

Este enfoque olvida que históricamente el estado se fortaleció junto a los grupos dominantes. No cayó del cielo para que lo utilicen libremente todos los ciudadanos. El estado fue forjado por las clases capitalistas para apuntalar su propia consolidación como sector hegemónico de la sociedad.

Es cierto que en prolongados procesos de transformación emergieron distintas variedades de estados del mismo pasado pre-capitalista. Pero en todos los casos la principal función disciplinaria de ese organismo fue ejercida contra los desposeídos, con explícitas formas de brutalidad policial-militar o con implícitos mecanismos de coerción económica.

Los neo-desarrollistas olvidan esta sujeción social o la ubican en un mismo plano que la gestión de tensiones entre los grupos dominantes. De esta forma el “estado fuerte” es presentado como un rival o contendiente de los industriales con los latifundistas o los banqueros. Pero en los hechos ha operado como una estructura burocrática asociada con esos sectores, en la prioritaria opresión de las mayorías explotadas.

Si los estados de los países asiáticos son más sólidos que sus pares de América Latina, es porque lograron imponer un mayor sometimiento de los trabajadores. Es evidente que gran parte del milagro oriental obedece a la sujeción laboral que se instauró en los talleres mundializados de la región. El neo-desarrollismo silencia este dato o lo describe como una circunstancia menor.

También olvida que los conflictos entre estados y clases dominantes no han sido patrimonio exclusivo del Extremo Oriente. Constituyen una norma en todos los países que cuentan con burocracias consolidadas en el sector público y entidades representativas en el sector privado. El primer segmento debe arbitrar el cúmulo de intereses presentes en el segundo grupo y no puede dirigir al estado sin favorecer a ciertos sectores contra otros.

Conviene recordar que las burocracias estatales de los primeros tigres asiáticos eran más autónomas de sus burguesías, pero también más dependientes del imperialismo estadounidense y del capital extranjero. Por razones geopolíticas (guerra fría) y económicas (etapa de internacionalización del capital), ese status no obstruyó su conversión en exportadores industriales. Cualquier comparación con Latinoamérica debe considerar estas diferencias.

La existencia de procesos sostenidos de acumulación no depende primordialmente de los conflictos entre burocracias, elites y capitalistas. Sólo cuando esas tensiones convergen con ciertas condiciones objetivas favorables para el crecimiento capitalista, hay expansión económica. En otras circunstancias los mismos choques sólo recrean el estancamiento.

Rivalidades y burocracias

El neo-desarrollismo identifica el crecimiento sustentable con una gestión adecuada del estado. Por esta razón propone crear un funcionariado eficaz, mediante la selección “meritocrática” de las capas dirigentes .

Pero la relación causal entre burocracias eficientes y elevados ritmos de acumulación que establece este enfoque weberiano es muy discutible. La eficacia en el manejo del estado surgió para consolidar crecimientos capitalistas ya preexistentes. Es un error invertir esa secuencia, suponiendo que el funcionariado óptimo ha sido la condición de la expansión burguesa.

Lejos de preceder y determinar el rumbo de los capitalistas, las burocracias se han reconfigurado junto a las clases dominantes. Por esta razón son espejos de las limitaciones que singularizan a cada segmento nacional de propietarios de los medios de producción.

El lugar de cada economía en la división internacional del trabajo ha condicionado por igual el comportamiento de ambos grupos. Pero la conducta de las clases dominantes define el patrón de evolución de las burocracias asociadas y no a la inversa. Esta primacía deriva de la naturaleza de una sociedad comandada por los capitalistas. Los estados son gestionados por capas reclutadas entre sectores afines a las clases opresoras.

Registrar esta jerarquía analítica de las relaciones entre los dominadores y sus burocracias es vital para comprender la dinámica contemporánea del estado. Con este enfoque se puede indagar el sustento de clase de esa institución (enfoque instrumentalista), sus mecanismos de reproducción (estructuralismo), las ligazones entre funcionarios y empresarios (visión asociativa) y las mistificaciones ideológicas que rodean a su desenvolvimiento (teorías de la comunidad imaginaria) .

Como el neo-desarrollismo rechaza este abordaje de clase, ignora de qué forma las burocracias actuales se amoldan a las prioridades de los capitalistas. Esa adaptación explica por qué razón ya no promueven en América Latina las formas estatales populistas, que en los años 50-60 facilitaban la alianza de la burguesía industrial con las elites modernizadoras. Esos pactos apuntalaban la sustitución de importaciones con un imaginario de mejoras sociales, que el esquema desarrollista posterior complementó fortaleciendo a las empresas públicas. El objetivo era potenciar el mercado interno y expandir el poder adquisitivo .

El modelo estatal predominante en la actualidad es muy diferente. Al cabo de varias décadas de privatizaciones, se amolda al giro exportador y a la primacía agro-minera. Prioriza los intereses de grupos concentrados e internacionalizados, que sólo aceptan coberturas asistenciales para administrar la pobreza.

Algunos neo-desarrollistas retoman los estudios recientes sobre la persistencia del estado nacional en la mundialización. Esos enfoques cuestionan acertadamente todas las teorías que postulan la inminente disolución de esa entidad en las redes transnacionales de la globalización .

Pero no alcanza con repetir que el estado nacional continúa cumpliendo funciones básicas para el funcionamiento del capitalismo, si no se explica cuáles son esas tareas. Los neo-desarrollistas suelen reiterar generalidades sobre la primacía de la regulación sobre el mercado, sin registrar que la principal razón de perdurabilidad del estado nacional radica en su papel en la explotación de los asalariados.

Sólo esa entidad cuenta con la autoridad histórico-política requerida para gestionar el manejo de la fuerza de trabajo. En las actuales condiciones de creciente internacionalización se necesita la mediación estatal, para lucrar con las diferencias salariales existentes entre los trabajadores de distintos países.

El neo-desarrollismo prioriza el estudio del rol jugado por el estado nacional en la competencia geopolítica mundial. Retoma especialmente las investigaciones que convocan a indagar esa función en el duro escenario de confrontaciones contemporáneas .

Pero también aquí olvidan que el fundamento de esa rivalidad son conveniencias de los capitalistas contrapuestas a los intereses populares. En las batallas por la “competitividad”, el éxito de un empresario sobre otro no se traduce en beneficios equivalentes para los trabajadores. La propia competencia refuerza los mecanismos de dominación y socava tendencias potenciales a la cooperación, que permitirían procesos de desarrollo al servicio de las mayorías populares.

Nacionalismo atenuado

El viejo desarrollismo sintonizaba con el nacionalismo clásico y compartía su principio ideológico de plena identidad de intereses de los ciudadanos de cada país. Observaba a la nación como la entidad primordial de la sociedad y ponderaba la pertenencia a esa colectividad.

Esta concepción repudiaba las conductas antinacionales de las oligarquías subordinadas al capital extranjero. Recogía el fuerte rechazo de los oprimidos hacia esas minorías aristocráticas y logró una amplia adhesión popular prometiendo el desarrollo que surgiría de la derrota de esas elites.

En esta visión se asentó el nacionalismo burgués. Presentó su proyecto de industrialización, como una meta compartida por todos los excluidos de la dominación terrateniente. Con ese discurso facilitó el ascenso de los sectores modernizadores, que desplazaron del poder a las oligarquías agro-exportadoras. Esta mirada identificaba al libre-comercio con los intereses foráneos y al desarrollo fabril con las necesidades del pueblo.

Pero la lealtad a la nación fue colocada en los hechos al servicio de la burguesía industrial, ocultando que este sector se enriquece a costa de los asalariados. Las teorías nacionalistas nunca demostraron por qué razón los vínculos de un oprimido con el opresor del mismo territorio, deben prevalecer sobre la solidaridad internacional de los asalariados.

Las críticas de los marxistas resaltaron estas contradicciones. Postularon la progresividad histórica de los antagonismos entre clases sociales, frente a las rivalidades que oponen a las distintas naciones por el predominio regional o global. Cuestionaron además, los criterios románticos utilizados por las teorías nacionalistas para justificar la supremacía de la nación, como núcleo constitutivo de la sociedad y del estado. Des-mistificaron las narraciones y leyendas de las ideologías que enaltecían las trayectorias pasadas de las clases dominantes, ocultando los sufrimientos y resistencias de los oprimidos .

Pero el viejo nacionalismo también incluía aristas antiimperialistas que han desaparecido en las vertientes actuales. Ningún eco de las objeciones al colonialismo inglés y al intervencionismo estadounidense persiste en el neo-desarrollismo. El rechazo patriótico al imperialismo ha quedado diluido. Estos cambios reflejan la consolidación de nuevas burguesías locales conectadas con negocios transnacionales.

A medida que aumenta su amoldamiento a la globalización, el neo-desarrollismo atenúa el antiguo nacionalismo. Sólo mantiene una reivindicación formal de esa ideología, exaltando viejas disputas con el liberalismo .

Pero este tipo de reivindicación implica preservar los aspectos más conservadores del viejo nacionalismo, sin convergencias con programas sociales, ni con resistencias de los pueblos de la periferia. Para ganar espacios en el mercado mundial junto a los nuevos socios foráneos se remodelan las tradiciones conflictivas.

Identidad y densidad nacional

Otros teóricos neo-desarrollistas reivindican el nacionalismo como una modalidad soberana de adaptación al nuevo escenario mundial. Subrayan la existencia de “respuestas nacionales” a este contexto y postulan que “cada país tiene la globalización que se merece”. Distinguen la identidad de la densidad nacional. Mientras que el primer rasgo sólo determina la pertenencia a una misma nación, el segundo componente implica convicciones compartidas en torno a un proyecto productivo .

Este enfoque resalta la insuficiencia de las identidades culturales inspiradas en los valores universales que asumieron algunos países como Argentina. Consideran que el pilar identitario ha carecido de la densidad complementaria, requerida para asegurar la expansión productiva. Señalan que Japón forjó esta última cualidad en el pasado y Corea, China e India la construyen en la actualidad. Remarcan que la ausencia de ese atributo explica la desigualdad, concentración económica, inestabilidad política y subordinación ideológica que ha padecido Latinoamérica .

Con esta mirada retoman ciertos principios del viejo nacionalismo que resaltaba el nexo prioritario creado por el territorio, el idioma o el bagaje cultual común. Consideran que ese vínculo debe prevalecer por encima del posicionamiento social. La condición de acaudalado o empobrecido es vista como dato menor frente a la pertenencia a la nación. Pero el olvido de esas asimetrías oculta quiénes son los ganadores y perdedores de esa asociación.

Ferrer introduce su distinción entre la identidad y la densidad nacional, como factordeterminante de los éxitos y fracasos de cada proceso de desarrollo. Pero no aclara cuál es la concatenación lógica de su razonamiento. Se limita a constatar que algunos países logran objetivos que otros no alcanzan, sugiriendo que las idiosincrasias definen la posición final de cada concurrente.

Pero como ese resultado sólo se conoce a posteriori, parecería inferirse que si una economía avanzó contenía un espíritu nacional sólido y si retrocedió, arrastraba un cimiento frágil. De este contraste no emerge ninguna explicación.

Al igual que Bresser, el acento nacionalista ya no es ubicado en el resguardo a una industria naciente, sino en las estrategias de incorporación al capitalismo internacionalizado. Por un lado, Ferrer relativiza el alcance de la mundialización -resaltando la continuada centralidad del mercado interno- y por otra parte convoca a encontrar caminos de inserción, en la “globalización que cada país merece”.

En ambos diagnósticos se jerarquiza el margen de acción autónomo de las naciones, moderando las adversidades estructurales que subrayaba la vieja CEPAL. Ahora todo depende de la capacidad para forjar “densidades nacionales”, más allá de los términos de intercambio o de la ubicación periférica en la división internacional del trabajo.

Ferrer mantiene la distinción entre países centrales y economías subordinadas que planteó Prebisch, pero reduce la gravitación de esas diferencias. Resalta la incidencia de las políticas nacionales en la ubicación de cada economía, reafirmando la primacía de las voluntades internas.

Todos los teóricos neo-desarrollistas registran, igualmente, el efecto desestabilizante de la mundialización sobre las identidades nacionales. Ese proceso redistribuye niveles de soberanía, desplaza funciones de los estados hacia organismos supranacionales, y erosiona la idea de nación como resguardo último de la ciudadanía.

Pero asumen una actitud pragmática frente a esa mutación. Toman distancia del viejo nacionalismo autárquico sin adscribir al globalismo neoliberal. Ya no postulan teorías del resurgimiento nacional, pero tampoco aceptan los presagios de declive de esa entidad. Buscan un punto intermedio que probablemente refleja las peculiaridades de América Latina.

Esta región no afronta, por ejemplo, los dilemas de los países involucrados en la construcción europea. Allí el nacionalismo reaparece frente a la brutal pérdida de derechos soberanos, que impone la gestación de un estado continental al servicio del gran capital. En América Latina tampoco se vislumbra el repunte de los nacionalismos con ambiciones subimperiales, que se verifica en Rusia, Turquía o India.

En los principales países sudamericanos el viejo nacionalismo burgués ha quedado sustituido por banderas más regionalistas. Este nuevo estandarte es afín a las necesidades que enfrentan las grandes firmas para ampliar mercados, fabricar bienes en forma conjunta o gestar uniones aduaneras en el molde del MERCOSUR.

Este regionalismo capitalista sintoniza con las empresas multinacionales de base local que operan en la región. Incentiva una ideología de la integración que gana influencia frente al viejo patriotismo. Hay pocas convocatorias a forjar una “Argentina Potencia” o una “Civilización Brasileña” y muchos llamados a reforzar un polo sudamericano, con agenda propia en la globalización.

Ritmos institucionales

El neo-desarrollismo introduce una visión más pausada del desenvolvimiento. La esperanza en la industrialización acelerada que predominaba en los años 50 o 60 ha sido sustituida por una expectativa menos impetuosa del avance capitalista. Este cambio no obedece sólo a las decepciones acumuladas durante varias décadas. Expresa, además, la influencia de los regímenes constitucionales.

Los teóricos neo-desarrollistas ya no divorcian su visión del crecimiento del modelo político vigente. Con la desaparición de las dictaduras se extinguieron las antiguas ilusiones en el ejército como principal artífice de la industrialización. El alto número de funcionarios desarrollistas que participaba en los gobiernos militares es un recuerdo del pasado.

La actual mirada gradualista se adapta a la lentitud de los ritmos institucionales y se nutre de visiones heterodoxas de la economía contemporánea. Estas concepciones suponen la vigencia de un sistema económico-político que distribuye los excedentes, en proporción a la influencia alcanzada por las distintas fuerzas sociales. Considera que la sociedad armoniza los conflictos entre estos grupos, seleccionando a través del voto las alternativas más convenientes para la mayoría .

Pero con este enfoque se ignora la dominación que ejercen los capitalistas. Esa supremacía les permite acotar los márgenes de elección ciudadana, imponiendo límites muy estrictos a cualquier decisión que afecte sus intereses. Los acaudalados hacen valer siempre la “opinión de los mercados” para definir el curso de la producción y la finanzas .

Una confirmación contundente de esta supremacía se verificó en América Latina, durante las regresivas décadas de constitucionalismo que sucedieron a las dictaduras. En ese período el ámbito institucional fue utilizado por el neoliberalismo para perpetrar cirugías sociales a favor de los capitalistas.

En lugar de evaluar esa experiencia, el neo-desarrollismo repite la ingenua presentación de la institucionalidad burguesa, como un ámbito neutral de administración de las tensiones sociales. Propaga, además, el mito del desarrollo como un premio a la calidad de esos organismos, estableciendo rigurosos paralelos entre el crecimiento y la eficiencia de los sistemas de votación, el aumento de la transparencia o la reducción de la corrupción .

También aquí, parece olvidar que la erradicación del subdesarrollo siempre estuvo más obstruida en América Latina por los intereses e incapacidades de los grupos dominantes, que por el presidencialismo, el laberinto legislativo o el letargo judicial.

Pero lo más curioso del neo-desarrollismo son las contradicciones que rodean a su propio discurso de ensalzamiento de las instituciones. Mientras realza la gravitación de esas entidades elogia modelos asiáticos plagados de autoritarismo.

El apego a la moda constitucionalista conduce también a presentar la historia latinoamericana, como un proceso de desarrollo jalonado por logros institucionales. Los neo-desarrollistas suponen que esos hitos determinaron el curso de la región, desde la Independencia hasta las repúblicas conservadoras y los sistemas políticos actuales .

Pero esos parámetros institucionales se ajustaron en realidad a otros determinantes más significativos del sendero seguido por el capitalismo regional. Las condiciones favorables o desventajosas para la acumulación, siempre operaron como el principal condicionante de esos procesos. Las transformaciones institucionales sólo incidieron sobre ese curso a través de confrontaciones políticas, a su vez influidas por la intensidad y el resultado de las luchas populares. El razonamiento puramente institucional ignora la incidencia de estas fuerzas económico-sociales subyacentes, que han determinado la evolución latinoamericana.

Modernidad y capitalismo

El institucionalismo neo-desarrollista apuesta al afianzamiento de la modernidad para expandir el progreso. Considera que ese estadio aproxima a la civilización a un orden superior de convivencia humana, abriendo senderos de armonía y bienestar social.

¿Pero esta utopía positiva del porvenir es compatible con el capitalismo? Sus promotores presuponen que sí y rechazan el proyecto rival del comunismo que pregona el marxismo. Sin embargo no explican cómo podría alcanzarse la gran meta de la equidad, bajo un sistema asentado en la explotación y la desigualdad .

Los teóricos de la modernidad neo-desarrollista afirman que América Latina se encaminará hacia una sociedad promisoria, si consolida la heterogeneidad y el encuentro de culturas que ha singularizado su historia .

Pero con esta visión repite la presentación idílica de la región como un ámbito de convergencias. Evitan recordar el terrible pasado de dominación que inicio el colonialismo con la importación de esclavos y la imposición de la servidumbre entre los pueblos originarios. Sólo afirma que esos vestigios han quedado superados, desde la generalización de normas modernas de consideración y respeto.

Como eluden definir cuál es la relación de ese concepto con el capitalismo, no se sabe de qué forma la consolidación de la modernidad corregiría las desgracias actuales de la región. Simplemente esperan la extinción de esas desventuras, junto a la desaparición de las rémoras pre-modernas que arrastra América Latina.

Este razonamiento tiene muchas similitudes con las teorías liberales, que atribuían el subdesarrollo a la persistencia de sociedades tradicionales adversas a la modernización. Sustituir este último término por su análogo de modernidad no modifica mucho el mensaje final.

La modernidad no es un concepto sustitutivo del capitalismo para estudiar el desarrollo. Es una vaga noción que no aporta criterios de indagación superadores de los enfoques centrados en la dinámica de las fuerzas productivas y la lucha de clases. Mientras que estos dos últimos parámetros clarifican el curso de la evolución social, la mera búsqueda de valores altruistas modernos no brinda pistas para entender el rumbo de la sociedad.

Las categorías del marxismo privilegian los estudios basados en las transformaciones de los modos de producción y los antagonismos entre las clases sociales. La óptica de la modernidad contrapone a este enfoque todo tipo de indefiniciones. Nunca se sabe si sus criterios aluden a metáforas, a formas de concebir los relatos históricos, a sensibilidades artísticas o a lógicas culturales .

Estas ambigüedades son mucho mayores en el plano político. En este terreno la modernidad es habitualmente asociada con la consolidación de la ilustración, la primacía de la razón o la expansión de la secularidad. Pero también aquí el logro de esas metas es incompatible con la perpetuación del capitalismo. Aproximarse a la concreción de ese tipo de ideales exige erradicar el sistema social imperante.

Elites clarividentes

A pesar de su enfática reivindicación de la burguesía, el desarrollismo siempre intuyó la incapacidad de los capitalistas latinoamericanos para consumar el crecimiento auto-sostenido. Por esta razón sus alabanzas al empresariado fueron complementadas con la búsqueda de sustitutos para implementar ese proceso.

Desde los años 50 concibió el surgimiento de distinto tipo de elites como reemplazantes potenciales de la burguesía. Imaginó que ese grupo encabezaría el mismo proceso que condujo a la pujanza de Occidente

Algunos autores explicaron el despegue inicial de Inglaterra, el salto posterior de Estados Unidos y la expansión de Francia o Alemania por el liderazgo ejercido por ciertas minorías clarividentes. Atribuyeron esa capacidad a un legado de cultura europea urbana heredado del Renacimiento y la Reforma y estimaron que la ausencia de esos sectores esclarecidos frustró el desenvolvimiento de Rusia o China. Evaluaron que en América Latina las elites conservaron ideales aristocráticos, convalidaron la apropiación latifundista de la tierra y avalaron el bloqueo de la industrialización .

Esta interpretación weberiana supone que ciertas minorías transmiten al resto de la sociedad, los valores requeridos para el desarrollo. Introducen flexibilidad política, tesón comercial, austeridad de las costumbres, prédica humanista y movilidad social.

Pero esta visión acepta todos los mitos euro-céntricos que idealizaron el debut capitalista en Occidente. Ignora interpretaciones más consistentes, centradas las condiciones que facilitaron los rápidos saltos de la acumulación primitiva a la acumulación del capital, que registró Europa Occidental.

Estas teorías subrayan la celeridad de la revolución agraria que precedió a la industrialización, el papel central de los estados absolutistas o las ventajas obtenidas con el colonialismo. Aportan caracterizaciones más sólidas de ese inicio capitalista, que las visiones focalizadas en la existencia de grupos iluminadores del rumbo a seguir.

La mirada marxista permite comprender los caminos elegidos por las clases capitalistas triunfantes, en función de las condiciones político-sociales en que actuaron. Por el contrario, la sociología convencional reduce ese proceso a los atributos peculiares de las elites. Las viejas simplificaciones que realzaban el rol de los reyes, los sabios o los generales son extendidas a un segmento más amplio. Pero en ambos casos la clave de la historia es situada en la existencia de núcleos capacitados (o destinados) a liderar el desarrollo.

La lucidez de estos sectores queda transformada en el principal motor de la evolución social. Pero este factor sólo incidió en procesos condicionados por la estructura socio-económica, la inserción internacional de cada región y el tipo de conflictos predominantes entre clases dominantes y dominadas. La simple contraposición de elites clarividentes que permiten el progreso con minorías incapaces de repetir ese rumbo, no aporta explicaciones del subdesarrollo.

En América Latina la teoría de las “elites fallidas” subraya la existencia de fracturas entre este sector y las masas. Remarca la reiterada predilección de esos grupos por servir a los poderosos. Considera que por esa razón no logró autoridad para transmitir los valores de esfuerzo, productividad y responsabilidad, que necesitaba el conjunto de la población .

¿Pero las clases dominantes estuvieron exentas de esas falencias? Al eludir este análisis se omite indagar el anclaje social de las limitaciones observadas en las elites. Estas capas ejercen funciones estratégicas en la sociedad, sólo en consonancia con las clases dominantes. Ambos sectores actúan en forma autónoma, pero apuntalan los mismos intereses, refuerzan los mismos privilegios y defienden el mismo sistema social.

La tradicional expectativa desarrollista en las elites como sustitutos de los capitalistas ignora estas ligazones. Supone que si un grupo especializado evita las carencias de las clases dominantes el progreso estará asegurado.

Es cierto que en el caso latinoamericano las elites estuvieron más interesadas en servir a los poderosos, que en gestar procesos de desarrollo compartidos con las masas. Pero no se enemistaron con el pueblo por falta de lucidez, sino por su estrecho parentesco con procesos de acumulación manejados por la burguesía.

Contrastes y comparaciones

El neo-desarrollismo atribuye la bifurcación que actualmente se observa entre Asia y América Latina, al comportamiento de las elites de cada zona. Considera que las minorías orientales no están atadas al pasado europeo y actuaron con pautas de soberanía indígena, en lugar de repetir la actitud mestiza de subordinación que imperó en el Nuevo Mundo.

Por eso lograron impulsar potentes proyectos nacionales primero en Japón, luego en Corea, Taiwán, Hong Kong, Singapur, posteriormente en Malasia y Tailandia y actualmente en China, India y Vietnam .

De esta forma los países asiáticos son agrupados en un pelotón de exitosos, dotados de las mismas condiciones virtuosas que anteriormente se asignaba a Europa. El contraste con América Latina ya no se hace por la insuficiente asimilación de Occidente, sino por el exceso de esa influencia. Como la región estuvo más conectada que Asia al Viejo Continente, aquí se gestaron elites híbridas carentes de la autonomía que preservaron sus pares de Oriente.

Esta explicación sustituye los viejos prejuicios del Euro-centrismo por las nuevas arbitrariedades del Asia-centrismo. Todo lo que obstruía el desarrollo ahora es visto como un factor impulsor de ese progreso. El esquema es tan arbitrario que presenta a las sociedades orientales como paradigmas de soberanía, cuando la mayoría de sus grupos dirigentes mantuvo niveles de subordinación al capital extranjero muy superiores a Latinoamérica. En la misma época que esta región conquistaba su independencia formal, Asia iniciaba un largo proceso de sometimiento semicolonial, que perduró hasta mediados del siglo XX. Japón fue la excepción.

Este tipo de unilateralidades florece cuando se explica el crecimiento de una región frente a otra por ciertas cualidades de las elites, olvidando el comportamiento del mismo grupo en el período precedente. Como se busca enfatizar la continuidad de ciertos valores determinantes del desarrollo (tradiciones productivas, estabilidad institucional, consenso social) se supone que esos rasgos son de larga data. Este artificio exige ignorar todos los acontecimientos que desmienten ese presupuesto.

Las caracterizaciones del desarrollo basadas en la idiosincrasia de las elites fueron utilizadas en los años 80, para situar el secreto del auge japonés en una ética del trabajo recreada por la autoridad paternal. Pero se olvida que estos mismos rasgos eran considerados un lastre en el período precedente, cuando los teóricos de la modernización cuestionaban las barreras interpuestas por las tradiciones al despegue de cualquier economía. En esa época el localismo era sinónimo de provincialismo, la aversión a Europa era consideraba una rémora de pasados feudales y la continuidad de las costumbres era vista como un obstáculo a la iniciativa del empresario. Estos defectos se han transformado ahora en virtudes determinantes del milagro oriental.

El privilegio analítico asignado a las elites en desmedro de la dinámica objetiva de la acumulación y el comportamiento de las clases sociales obstruye el análisis. Sólo observando el comportamiento de las oligarquías, las burguesías nacionales y los capitalistas locales de América Latina resulta posible comprender conductas de las elites.

La ausencia de estas conexiones conduce a dos variantes simplificadas de interpretación del subdesarrollo latinoamericano. En un caso se afirma que las elites fallaron en el manejo del estado por su incapacidad para encauzar a la región en el “catch up”. En la otra vertiente se estima que las elites no lograron superar las carencias históricas de la sociedad civil (faltó Renacimiento, Ilustración y Revolución Industrial), de la estructura social (estrechez de la clase media) o del entramado institucional (legado de autoritarismo) .

En el primer caso se magnifica la autonomía del estado y en el segundo se idealiza la sociedad civil. Pero en las dos variantes se omite la complementariedad existente entre ambas esferas. La apropiación de trabajo ajeno que consuman los capitalistas en el ámbito privado es garantizada por los mecanismos legales de la estructura estatal.

La gran inestabilidad que ha padecido América Latina en los dos terrenos no obedece a la impotencia de las elites. Deriva de la inserción internacional periférica y la debilidad de las clases dominantes frente a la pujanza de los movimientos populares.

Otra modalidad de reivindicación de las elites exalta los segmentos más tecnocráticos de esos grupos. Considera que esas minorías detentan virtudes irreemplazables como organizadores del crecimiento. Estima, por ejemplo, que Chile ha logrado grandes éxitos en comparación a otros países por la eficiencia que demostraron esos sectores en la gestión del estado .

Pero la economía trasandina ha sido un gran laboratorio de políticas neoliberales que generaron desigualdad social, precarización laboral y concentración del ingreso. Se apuntaló una clase capitalista, que lucra con la inserción primarizada del país como exportador de productos básicos.

Algunos neo-desarrollistas soslayan estos problemas retomando la reivindicación del modelo político chileno de la Concertación, que previamente ponderó el neo-estructuralismo. Esa corriente consideró factible morigerar el esquema neoliberal legado por la Constitución Pinochetista, mediante políticas de atenuación de la pobreza y mejora de la educación .

Pero el resultado de esa experiencia está a la vista. En Chile se afianzaron los privilegios de los poderosos en un clima represivo, signado por el endeudamiento personal para acceder a la educación superior y un sistema de pensiones privadas que otorga jubilaciones ínfimas.

Conclusión

De todo lo expuesto se deduce que el neo-desarrollismo actual constituye apenas un esbozo de estrategias gubernamentales. Ha sido tomado por ciertos gobiernos, corrientes políticas y pensadores para inducir conductas industrializadoras de las burguesías locales. Buscan que ese sector emprenda procesos de inversión, para recomponer la gravitación manufacturera con nuevos perfiles exportadores.

Pero hasta ahora han obtenido pocos resultados en la ilustrativa experiencia de Argentina y en el tibio ensayo de Brasil. A la luz de estos intentos, el neo-desarrollismo emerge tan sólo como una tendencia del escenario regional.

Quienes le asignan gran futuro trazan comparaciones con el pre-desarrollismo de los años 30. Recuerdan que en esa época pocas voces intelectuales anticiparon el proyecto que se implementaría posteriormente. Pero las visiones más críticas también rememoran los numerosos proyectos de resurgimiento fallido, que sucedieron a la etapa clásica de los años 50-60.

En cualquier caso el neo-desarrollismo se encuentra en un estadio de inicio. No representa un proyecto significativo de las clases dominantes comparable a su clásico antecesor. El neoliberalismo persiste como el principal organizador de las concepciones y prácticas de los capitalistas. Por esta razón las vertientes neo-desarrollistas presentan tantos vasos comunicantes con la matriz neoliberal.

La caracterización de este fenómeno debe incorporar su dimensión política. No basta con observar cuál es el modelo macro-económico promovido o qué fracción del capital se beneficia con esa orientación. Hay que notar las afinidades de este proyecto con cierto tipo de gobiernos.

En el caso sudamericano ha sido muy visible su sintonía con los presidentes de centroizquierda, que buscan recuperar autonomía geopolítica a través del MERCOSUR o adoptan un perfil de conciliación de clases y pactos sociales. En este terreno se distancian de los gobiernos derechistas, alineados con Estados Unidos, que mantienen orientaciones explícitamente anti-desarrollistas. En los países donde esa hegemonía neoliberal ha sido más persistente (Colombia, México, Chile), los márgenes para el despunte neo-desarrollista han sido reducidos.

¿Pero qué ocurre en los gobiernos de Venezuela o Bolivia que presentan una fisonomía más radical? ¿Promueven también estrategias neo-desarrollistas? ¿Qué significado tienen los nuevos conceptos de social-desarrollismo y pos-desarrollismo?

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-Zaiat, Alfredo, (2012), “Plan Fénix para América del Sur”, Página 12, 12-11.

*Economista, Investigador, Profesor. Miembro del EDI (Economistas de Izquierda, Argentina)

Katz: Neoliberalismo, neodesarrollismo, socialismo

Durante la última década, se registró un intenso intercambio de ideas en América Latina. Los temas que siempre apasionaron a los pensadores de la región recuperaron centralidad. Se discutió sobre el subdesarrollo, la integración, la primacía de exportaciones agro-mineras, la intervención estadounidense y las resistencias sociales.

Estas reflexiones se desenvolvieron en un marco de mundialización, crisis financiera y ascenso de nuevas potencias que condicionaron todas las opiniones en juego.

El telón de fondo de estos debates fue el impacto de las rebeliones populares, que en varios países frenaron la ofensiva neo-liberal. Estos alzamientos modificaron el cuadro político y permitieron la obtención de importantes conquistas democráticas y sociales.

Los avances no fueron generalizados, pero influyeron sobre el conjunto de la región e impulsaron la renovación del pensamiento de izquierda. Este libro analiza las nuevas ideas que aparecieron durante este período y evalúa las polémicas que suscitaron, en función de los intereses sociales y los proyectos políticos en disputa.

El texto prioriza el estudio de tres corrientes teóricas: el neoliberalismo, el neodesarrollismo y el socialismo. Revisa los planteos de cada escuela, señalando las actualizaciones, continuidades y rupturas de cada enfoque con sus precedentes. Pero el libro no ofrece sólo un retrato de los cambios registrados en el paisaje intelectual. Toma posición frente a las controversias en curso y aporta argumentos a favor de la perspectiva socialista.

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Uruguay: El ajuste fiscal y el desajuste presupuestal lo paga el trabajo y no el capital

 

Antonio Elías|

En Uruguay, la Rendición de Cuentas correspondiente al ejercicio 2017 es una instancia fundamental teniendo en cuenta que: a) que el presupuesto quinquenal – hecho inédito – se transformó en bianual para 2016 y 2017, anual para 2018 y, nuevamente, bianual para 2019 y 2020 (aunque éste último año no tendrá ningún incremento, será igual al 2019,); b) que en 2018 rigen restricciones constitucionales (Art. 229) que impiden “crear cargos, determinar aumentos de sueldos y pasividades… en los doce meses anteriores a la fecha de las elecciones”.

Es claro, entonces, que la definición de la actual Rendición de Cuentas agudizará las contradicciones entre el capital – y sus representantes en el ámbito político, que sistemáticamente buscan reducir los egresos del Estado y la carga impositiva que los afecta – y el trabajo – donde los más directamente afectados son los funcionarios del Gobierno Central-. Todo ello enmarcado en las potencialidades y las restricciones que derivan de la estructura económica y las condiciones coyunturales.  Descripción: cid:image001.png@01D40E54.A20E60C0

El Poder Ejecutivo, al igual que el año pasado, solo pretende hacer modificaciones menores: no hay un reordenamiento programático presupuestal, ni tampoco hay modificaciones significativas en los recursos asignados. Lo que implica, en esencia, la continuidad de las políticas de ajuste fiscal y desajuste presupuestal.

El equipo económico ha prestado fundamental atención a la reducción del déficit fiscal por sus efectos negativos sobre las posibilidades de mantener el grado inversor; a la vez que ha dejado de lado, en buena medida, la incidencia positiva que puede tener el déficit en la reactivación económica a través del aumento de la demanda y sus  impactos en el nivel de actividad y la ocupación.

Dicha visión fetichista de la reducción del déficit fiscal como meta principal no considera, lo que es un error importante, que el resultado presupuestal no es un balance estrictu sensu, porque no describe las variaciones del patrimonio del Estado: solo refleja los recursos que se obtuvieron y los egresos que se realizaron independientemente de que sean inversiones o gasto corriente.

Es un principio aceptado que el binomio ingreso-gasto no debe considerarse en términos de la pérdida o la ganancia del Estado, sino más bien en función de los efectos positivos que los mismos tienen tener sobre el funcionamiento económico y la calidad de vida de la población. Lo cual difícilmente pueda lograrse cuando sistemáticamente se toman medidas de ajuste fiscal que general desajustes presupuestales tales como la no reposición de personal, los bajos salarios, así como, la reducción indiscriminada de insumos y de inversiones imprescindibles para prestar los servicios públicos en tiempo en forma.

 1.- El contexto de la pugna presupuestal  

La derrota electoral de los partidos políticos tradicionales no implicó una capitulación ideológica de la ortodoxia económica. Por lo contrario, el Frente Amplio (FA) desdibujó su programa histórico de cambios en el marco de una estrategia “realista” que incluyó una amplia política de alianzas para captar el voto del centro político.

El “país productivo” que impulsaba el FA como alternativa al llamado neoliberalismo, se transformó radicalmente cuando alcanzó el gobierno.  La potencial alternativa por izquierda se transformó en continuidad y  profundización del mismo modelo que se aplicaba desde hace varias décadas. Ahora con un énfasis mucho mayor en la inversión extranjera directa (IED), la que se concentra en los sectores productivos intensivos en el uso de recursos naturales (pasta de celulosa; industrias alimenticias –en especial cárnicas y farináceas- y arrocera).

Resultado de imagen para ajuste fiscal en uruguayTodo lo cual ha generado un fuerte proceso de extranjerización de los principales recursos y el predominio del proyecto del capital transnacional con un nuevo formato político. Como contrapartida se pierde el control nacional del proceso productivo y se cuestionan aquellas decisiones estratégicas que podrían repensar el desarrollo nacional sobre bases más autónomas. Una suerte de “neocolonización” que atenta contra la soberanía  y modifica radicalmente nuestro entorno.

El resultado estructural ha sido: primarización, extranjerización, mayor dependencia de la inversión extranjera y sustancial aumento de la vulnerabilidad del país a los cambios de los precios de la demanda internacional de materias primas.

Lo sucedido en la presente década puede observarse, en el cuadro siguiente.

Descripción: cid:image002.png@01D40E54.A20E60C0

Hay un cambio muy negativo, a partir de 2015 en los resultados económicos que pone límites a una política de conciliación de clases que se vio favorecida, durante una década, por el  aumento significativo de los recursos de que dispuso el Gobierno debido a que las materias primas que exporta el país tuvieron precios mucho más altos que en períodos anteriores. Las condiciones económicas para llevar adelante esa política se han modificado sustancialmente en los últimos años.

Se redujo la tasa de crecimiento del PBI a partir de 2013, y que el promedio de crecimiento entre 2010-2014 fue de 4,9%, y cae fuertemente para el trienio 2015-2017 (1,6%).

El déficit fiscal aumentó durante el período alcanzando su mayor valor, 3,9% en 2016, reduciéndose a 3,6% en 2017 pese al ajuste fiscal aplicado con el aumento de las tasas del IRPF al trabajo y la reducción de las deducciones, así como por la suspensión del incrementos de incrementos de egresos previstos en el presupuesto 2016-2017 por $ 2.964 millones de valores de enero de 2015 (equivalentes a U$S 120 millones), para educación y salud entre otros.

Las exportaciones se desaceleraron de 2010 a 2014, cayeron en 2015- 2016 y han aumentado recién en 2017.

La inflación llegó a su nivel mayor en 2015, 9,4% y luego se ha reducido en 2016 y en 2017 tuvo el menor valor de la década (6.5%).

El desempleo viene creciendo año con año desde 2012 (5,6%) y ha llegado en 2017 a 7,9%. A lo que se agrega la reducción de las fuentes de trabajo, la reducción de empleos en el país es de 46.800 puestos de trabajo entre 2014 y 2018.

El salario real total creció 26,7% de 2010 a 2017 mientras que el PBI 32,9%. En el caso de los funcionarios la tasa de crecimiento fue mucho menor (19,2%) que la del sector privado (31,2%) en el mismo período. Resultado de imagen para ajuste fiscal en uruguay

El informe del Ministerio de Economía y Finanzas para la Rendición de Cuentas, fechado el 7 de junio, analiza la coyuntura económica, al respecto señala que:

– “Las condiciones financieras internacionales se endurecieron en el último año”. Entre mayo de 2018 y mayo de 2017 aumentó 70 puntos básicos la tasa de interés del Bono del Tesoro de Estados Unidos a 10 años; creció 51% el precio del barril de petróleo de la variedad Brent, que es la relevante para nuestro país de mayo 2017 a mayo 2018).

– “Las economías de la región presentan importantes fragilidades fiscales y las expectativas de crecimiento se vienen corrigiendo a la baja”. A mayo las expectativas de crecimiento para Argentina son 1, 3% y para Brasil de 2,2%. En ambos casos los déficits fiscales son superiores al 6%. La deuda pública de Brasil supera el 80% del PBI y la de Argentina supera el 50%.

– Respecto a Uruguay sostiene que cayó fuertemente la inversión  privada de 2014  a la fecha cayó 24%, se perdieron 46.800 empleos entre 2014 y 2018 y las cuentas fiscales siguen tensionadas: el déficit fiscal del Sector Público fue 3,7% a abril de este año y la deuda neta del Sector Público consolidado fue de 41% en 2016 y 2017. En lo inmediato sostiene que “la sequía del primer trimestre está impactando negativamente en la actividad económica”.

A pesar del informe reseñado el Poder Ejecutivo proyecta un  crecimiento del PBI de 2,5% en 2018, 3,3% en 2019 y 3,0% en 2020.

Dichas estimaciones  positivas del gobierno se contraponen con algunos datos muy preocupantes tales como: el fortalecimiento del dólar y el proceso devaluatorio en la región y en el país que incidirán tanto en las cuentas pública, como en el nivel de inflación y su consiguiente impacto negativo en el poder adquisitivo de los sectores de ingresos fijos; el crecimiento del desempleo;  el reiterado cierre de empresas que se arrastra desde 2015.

En dicho contexto se redujeron los recursos disponibles para distribuir en el marco de la política de conciliación de clases y el gobierno decide que los costos los pague el trabajo y no el capital. Con ese objetivo aplica un ajuste fiscal gradual que afecta negativamente a los hogares de los trabajadores – sean estos ocupados, desocupados o pasivos – tanto en el ingreso monetario como en el acceso y calidad de los bienes y servicios que presta el Estado.

2.- Los lineamientos del Poder Ejecutivo para 2019 y 2020 

En primer lugar, se reafirma que “reducir el déficit fiscal es fundamental” y, por lo tanto, no habrá incrementos de gastos que no estén financiados con incrementos de ingresos   permanentes. En segundo término, ha resuelto “no crear nuevos impuestos, ni aumentar los existentes”. Por último, se plantea “avanzar en las áreas definidas como prioritarias”.

La propuesta de asignaciones incrementales a partir de 2019 (en millones de pesos a valores de 2018) se presenta en el siguiente cuadro.

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Fuente: Ministerio de Economía y Finanzas.

No se plantean incrementos del gasto en 2020. Lo cual significa que en los próximos dos años no están previstos aumentos en las remuneraciones de los trabajadores del Gobierno Central, salvo los  presentados en el cuadro, 80% de los cuales está destinados a la educación.

Nuevamente se prioriza reducir el déficit fiscal para no perder el grado inversor y se renuncia a incrementar la carga impositiva al capital. Como contrapartida se castiga a los trabajadores – que salvo contadas excepciones no tendrán aumentos de salarios – y a los usuarios de los servicios públicos, en particular la población más carenciada, porque  no se aumentan los egresos para mejorar la cantidad y calidad de los servicios básicos, tales como, enseñanza, salud, minoridad y vivienda.

Resultado de imagen para ajuste fiscal en uruguayEn la Rendición de Cuenta  del año pasado el Presidente de la República había afirmado que existía  margen para seguir acercándose a los compromisos asumidos en el programa de gobierno, tales como,  el emblemático 6% de PBI para educación, el 1% de PBI para Investigación y Desarrollo, igualar el gasto de ASSE por persona al de las mutualistas. Lo que, a la luz del presupuesto para 2019 y 2020, claramente no es así por falta de voluntad política.

En efecto, el gobierno ha rechazado prácticamente todas las propuestas que han realizado los trabajadores. El PIT-CNT, en 2017, propuso las siguientes medidas: redistribuir gastos; reducir el déficit fiscal en una menor proporción a la que proponía el equipo económico; el uso de las reservas para realizar inversiones; aumentar la carga impositiva al capital. Nada de lo planteado por fue aceptado por el gobierno.

En 2018  el PIT-CNT ha propuesto aumentar el gasto en U$S 100 millones, lo cual se financiarían: elevando la meta del déficit fiscal en relación al PBI  de 2,9%  a 3% en 2019, y de  2,5%  a 2,8% en 2020; reduciendo el reintegro del excedente de aportes al Seguro Nacional de Salud; incrementando el Impuesto a las Rentas de las Actividades Económicas y el Impuesto al Patrimonio; eliminando vacantes en las Fuerzas Armadas para pagar el incremento salarial al personal subalterno.  Salvo la reducción de vacantes, todo lo demás fue rechazado.

Los lineamientos expuestos por el Presidente de la República  y el Ministro de Economía no incluyen cumplir con los compromisos programáticos del gobierno en temas cardinales para los trabajadores como la educación, la salud, la vivienda, etcétera.

Lo señalado, con ser grave, es solo una parte de las diferencias, la brecha entre los recursos que asigna el gobierno en la actual Rendición de Cuentas y las necesidades de los trabajadores es muy grande. Lo que se expresa en las múltiples demandas  de las organizaciones sindicales, en particular las de los funcionarios del  Gobierno Central cuyos ingresos, condiciones de trabajo y relaciones laborales  dependen directamente de lo que se apruebe en la Rendición de Cuentas.

3.- A modo de conclusión

Los vientos de ajuste predominantes en los últimos años recaen sobre en el nivel de vida de los trabajadores, los pasivos y el amplio grupo de sectores carenciados, que solo cuentan para su atención con servicios públicos y políticas sociales insuficientes.

El gran capital, fundamentalmente transnacional, seguirá protegido por las zonas francas y la ley de promoción de inversiones; los empresarios locales, sobre todos los medianos y  pequeños, seguirán pagando la misma tasa de IRPF que los grandes empresarios porque no existe progresividad en las rentas personales del capital. Tampoco pagará el ajuste, la llamada caja militar que recibe transferencias enormes para mantener un sistema de beneficios especiales, tanto en edad de retiro como en tasas de remplazo.

La lucha de los trabajadores públicos y todo el movimiento sindical contra las medidas de ajuste fiscal y desajuste presupuestal de la Rendición de Cuentas se inscriben en una concepción de sociedad que jerarquiza la satisfacción de las necesidades básicas de la población y la mejora en la calidad de vida de los trabajadores. La cual se contrapone frontalmente con las visiones economicistas que hacen centro en el monto del déficit fiscal, su impacto en el grado inversor y la captación de inversión extranjera directa.

(*) Director de Instituto de Estudios Sindicales Universindo Rodríguez (INESUR). Publicado en el semanario Voces

 

 

 

Zona de los archivos adjuntos

Argentina: Los jinetes del apocalipsis

 

Horacio Rovelli|

El Nuevo Testamento nos habla de los cuatro jinetes del apocalipsis, que son la conquista, la guerra, el hambre y la muerte, éste último monta un corcel bayo, que es el color amarillo en los caballos.

Salvando la distancia, los podemos asemejar a la fuga de capitales, el giro de utilidades de las empresas extranjeras que operan en Argentina a sus casas matrices, el déficit en la Cuenta Corriente de la Balanza de Pagos, y la “dolarización” del déficit fiscal, quienes por impericia y maldad manifiesta del gobierno de Cambiemos fueron exacerbados a su paroxismo, sin ponerle límites ni restricción de ningún tipo. Y cuando los bancos, que son los mismos que propiciaron la eliminación de restricciones para ingresar y sacar plata de la Argentina, y lideraron la colocación de títulos de deuda en el exterior:

Ellos son JP Morgan, Merril Lynch, Deustche Bank, HSBC, Stanley Morgan, entre otros, decidieron que era momento de irse, fueron los principales compradores de los dólares del BCRA, que les vendió al tipo de cambio oficial, por ejemplo, el miércoles 25 de abril de 2018 el BCRA vendió U$s 1.472 millones a $ 20,20.- la unidad de la moneda norteamericana, con lo que, dichos bancos hicieron un gran negocio al transformar sus fuertes ganancias en pesos, vía compra de LEBAC (Letras del BCRA que pagaron tasas muy por encima del crecimiento del dólar durante dos años) y de acciones, y pasarse en bandada al dólar, haciéndole estallar la burbuja creada al gobierno de Cambiemos que aceptó y acepta toda sus imposiciones porque es un gran negocio para el capital financiero y ellos van con parte de ese negocio.

En ese marco de corrida cambiaria el gobierno de Macri acuerda con el FMI un durísimo plan de ajuste, fiscal, monetario e inflacionario, con “libertad” cambiaria, muy similar al que le impusieron a Eduardo Duhalde, no bien asumió la Presidencia de la República, el 2 de enero de 2002, cuando el plan de convertibilidad  y tipo de cambio fijo de un dólar un peso, había volado por el aire, junto al gobierno de De la Rúa.

Recordemos de paso que en abril de ese año 2002, el dólar valía en el mercado de Montevideo (uno de nuestros mercados paralelos) 4 –cuatro- pesos argentinos. Y también que la teoría económica nos dice que la devaluación (la brutal devaluación del 50% en lo que va del año 2018) hace descender el poder adquisitivo del salario; por el Teorema de Carlos Díaz Alejandro que dice que en nuestro país, existe una relación inversamente proporcional entre el valor del dólar y el valor del salario, si el dólar sube el salario real se cae. Como más del 70% de lo que se produce va al mercado interno (depende de la capacidad adquisitiva del salario) y se vende al exterior básicamente lo mismo que se consume (consumimos relativamente poca soja, pero la soja reemplaza a otros cultivos y a la cría de animales, incrementando su precio por dejarle menor hectáreas de tierras y no las mejores), con lo que por buscar que los salarios en dólares en la Argentina sean menor que en Brasil (objetivo explicitado por Paolo Rocca de Techin  y Cristiano Ratazzi de FIAT) entramos en una recesión que va a ser tan profunda como será la caída del poder adquisitivo de los que trabajamos

Dos traders en el BCRA

Federico Sturzenegger y Macri

En ese marco de corrida cambiaria, el gobierno decide directamente sacar al inútil de Federico Sturzenegger y todos los infradotados de los Directores que lo secundaban en el BCRA (incluido el hijo de Juan Llach, mano derecha de Domingo Cavallo en el Ministerio de Economía de Menem, y el nieto de Tomas Liendo, Ministro de Trabajo de Jorge Rafael Videla), quienes por absorber la cantidad de dinero que el BCRA creaba al ingresar los dólares de la deuda que, a su vez, tomaba el Tesoro de la Nación (en 30 meses unos U$s 85.000 millones), emitían LEBAC – Letras del BCRA, de manera tal que las mismas pasaron de ser $ 296.181 millones el 9 de diciembre de 2015, a $1.276.104 millones. el 19 de junio de 2018, que a su vez, se renuevan mayoritariamente en forma mensual.

En ese marco de corrida cambiaria, se le suma la “bomba” de tiempo de los LEBAC, en que ambos se retroalimentan, esto es, el gobierno para que los tenedores de LEBAC no sigan comprando divisas le concede tasas astronómicas (las más altas del mundo, ni la droga paga esa tasa), el 19 de junio del 47% mensual para 27 días de plazo. O sea que el problema se repite, el 18 de julio 2018, tenemos otros “súper martes”,  porque se suman a los $ 242.392 millones renovados por un mes (el 19 de junio), a los $ 266.295 millones de vencimiento de LEBAC de esa fecha (18 de julio de 2018), con lo que totalizan: $ 508.687 millones.

Entonces Macri recurre a su ex compañero del Colegio Cardenal Newman (y vecino del Country club Newman), y primo de su hermano del alma y socio empresarial (Nicolás Caputo, también vecino de dicho country), nombrando Presidente del BCRA a Luis Caputo.  Y como Vicepresidente a Gustavo Cañonero, el segundo era jefe del primero en el Deustche Bank, y ambos pergeñaron la acción por la cual el Fondo de Inversión (Financiera) Franklin Templeton, cuyo representante en la Argentina es Gustavo Cañonero como Director de SBS, ante el vencimiento del martes 15 de mayo de 2018 de las LEBAC, aparecieran vendiéndole al Tesoro de la Nación unos U$s 3.000 millones para comprar títulos de deuda en pesos a  3, 6 y 8 años.

Obviamente tenemos todas las razones para suponer que el Fondo Franklin Templeton, y el Black Rock y otros que ingresaron dólares (se supone que por encima de los $ 25.-) y que compraron BOTES (Bonos del Tesoro de la Nación) por $ 73.249 millones (unos U$S 3.000 millones) a una tasa en pesos del 20% anual pero a 3 – tres- años (vencimiento 2021), a 6 –seis- años (2023) y a 8 –ocho-.-años (2026), fueron de los que compraron dólares a $ 20,20 al cretino de Sturzenegger, unos días antes.

De otra forma no se explica la jugada de esos avezados traders, de vender dólares y comprar títulos en pesos.   Como si podemos explicarnos el freno y hasta la baja del precio del dólar (por debajo de los $ 28 en tipo de cambio comprador) de estos días, pero es un fenómeno temporal (de un par de meses a lo sumo), como es todo el gobierno de Macri.  Y decimos que es temporal porque por un lado el BCRA, en acuerdo con el FMI, creó un mecanismo que consiste en:Resultado de imagen para lebacs

Primero: El BCRA le compra LEBAC (Letras del BCRA) a los bancos, mediante emisión de pesos.

Segundo: Con esos pesos, los bancos compran LETES 2020 (Letras del Tesoro que vencen en el año 2020)  que emite el Tesoro de la Nación que son en pesos pero se ajustan por valor dólar.

Tercero: Los bancos compran LETES porque a su vez el BCRA le impuso que no pueden tener más del 5% de su RPC (Responsabilidad Patrimonial Computable) en divisas (hasta ahora era del 10%), pero si son LETES pueden llegar hasta el 30% de su patrimonio.

Cuarto: Con los pesos de esa colocación de LETES, el Gobierno cancelaría la deuda por Letras Intransferibles (FONDEA que eran títulos de deuda intransferibles del Tesoro de la Nación que colocó en la época de Los Kirchner en el BCRA para pagar deuda externa), lo que contrae la Base Monetaria.

Quinto y último paso, los Bancos a los que le subieron el encaje o efectivo mínimo que es la parte de los depósitos que captan y que deben dejar en el BCRA, pueden constituir los encajes en BOTES 2020, con lo que se pasa a remunerar los encajes

Sumado a ello la presión sobre los exportadores de granos de restablecer las retenciones (derechos de exportación) y/o frenar el proceso de reducción del 0,5% mensual de las retenciones a la soja,  lo que los hace comprometerse a liquidar exportaciones por unos U$s 400 millones por semana, con lo que aparece la punta vendedora de dólares en el mercado de cambio local, además de los U$s 15.000 millones ingresados del FMI, de los cuales subastaran diariamente hasta U$s 100 millones para controlar el valor del dólar y hasta la mitad de esa suma,  U$s 7.500 millones.

Pero la realidad no es tan sencilla ni tan lineal, en el acuerdo firmado con el FMI, el gobierno se ha comprometido a una flotación limpia del tipo de cambio. Tras el primer desembolso del orden de los u$s15.000 millones del 20 de junio, hay planeados desembolsos trimestrales  del orden de los U$s3.000 millones cada tres meses hasta junio de 2021, siempre y cuando se cumplan las férreas condiciones, entre ellas, que no se dispare la inflación.

Si se mantiene controlado el  tipo de cambio, se controla la inflación por lo que nos dice el Teorema de Díaz Alejandro, pero existe un factor en la Argentina que es su clase dominante cuyo objetivo es sacar dólares del país (Fuga de Capitales), por lo que independientemente de los vencimientos de capital y de intereses de la acrecentada deuda externa del macrismo, se debe contemplar y muy principalmente la demanda de dólares del 1% de la población Argentina que tiene afuera activos financieros (así se llama la cuenta: Activos Financieros de residentes argentinos en el exterior) el equivalente a nuestro producto bruto interno (Unos U$s 500.000 millones) y que en la gestión de Macri, desde el 1 de enero de 2016 al 31 de mayo de 2018 compraron dólares y sacaron del país (la cuenta de se llama  FAE- Formación  de activos externos del sector privado no financiero) por U$s 45.700 millones, según nos informa el balance Cambiario del BCRA.

Conclusión

El gobierno de Cambiemos nunca tuvo un plan ni un programa a seguir, ofreció pingues negocios de diversas índoles, dolarizó los principales precios (combustible, gas, electricidad, etc.) confiados en que iban a ingresar divisas,  llamaban “lluvia de inversiones·” y lo único que ingresó fue deuda por el déficit fiscal que ellos también dolarizaron al financiarlo con deuda externa.

Ahora vuelven, en su pensamiento mágico a creer en la buena voluntad de financistas (que ya se llevaron unos U$s 13.000 millones en lo que va de este año 2018) y sobre todo en los sectores más ricos del país (al que ellos pertenecen) que no se van a pasar a dólares y sacarlo de la Argentina, cuando en su gestión fue lo que más hicieron

Y no es por inocencia, sino que están convencidos que deben vivir como los ricos de este planeta y el pueblo argentino como si fueran las colonias africanas. Ni Mitre, ni Sarmiento se habían animado a tanto, es hora que las cosas se pongan en su lugar, el paro masivo del lunes 25 de junio de 2018 empieza a demostrar que ya no se les cree, y muchos, pero muchos de los que los votaron también perdieron la paciencia, los jinetes del apocalipsis cabalgan pero destruyen todo a su paso.

*Economista especializado en temas fiscales y monetarios. Profesor de Política Económica en la Universidad de Buenos Aires. Ex Director de Políticas Macroeconómicas del Ministerio de Economía. Miembro de EPA (Economía Política para la Argentina).

 

Argentina: El modelo económico insustentable sigue tocando Fondo

EPPA|

La fuerte revalorización del dólar en nuestra economía es parte de una histórica problemática estructural que, con las políticas actuales, se ve intensamente profundizada y más por el carácter bi-monetario de la economía argentina, una característica excepcional a nivel mundial, señala el segundo documento del 2018 del colectivo Economía Política para la Argentina (EPPA), firmado por 250 economistas.

La problemática se manifiesta, coyunturalmente, en forma de corridas cambiarias, inestabilidad financiera y pérdida de credibilidad; no obstante, un análisis más profundo de la situación revela las serias inconsistencias del programa económico vigente, que implican mayores riesgos a mediano y largo plazo, porque parte del deterioro es acumulativo y no siempre sintomático.

Como si la historia no dejara registros permanentes, la liberalización y desregulación de los mercados está menoscabando las variables fundamentales de la economía: el crecimiento no despega, la inflación mantiene un sendero creciente y el nivel alcanzado de endeudamiento enciende alarmas precautorias. Las secuelas de este modelo, sin lugar a dudas, serán pagadas por el grueso de la sociedad, por medio de licuación del poder adquisitivo de los ingresos populares, desocupación en ascenso o precarización laboral, generalizándose una peor calidad de vida.

Si bien este último tiempo se ha puesto el foco de atención en el accionar del BCRA, la causa central del problema es el conjunto de medidas que se tomaron desde el inicio de la gestión. A partir de un diagnóstico equivocado sobre la situación del país a fines de 2015, y sobre cuáles eran los principales desafíos que se debían afrontar, se comenzó a consolidar un modelo económico de corte conservador que ingresó en un círculo vicioso de ajuste y achicamiento de las capacidades del Estado. Resultado de imagen para argentina banco central sturzenegger

Estas políticas han llevado a profundizar los problemas estructurales de la Argentina y hacer de este modelo un camino inviable hacia el desarrollo socioeconómico, alimentando la fuga de capitales y la especulación financiera que, a través del endeudamiento externo, pretenden sostener en el tiempo (tal como sucede con el reciente acuerdo firmado con el FMI). Resulta imprescindible plantear además el estrecho vínculo existente entre quienes son los ejecutores y los beneficiarios de esta política económica, habiendo un nexo cercano entre quienes ejercen el gobierno e instituciones y bancos de las finanzas globales. Es decir, no sólo es un enfoque distinto sobre la macroeconomía lo que nos separa, sino la defensa de intereses contrapuestos, de un proyecto para mayorías y de otro para las minorías del poder concentrado.

Todos los agregados de la macroeconomía se vieron afectados por la oleada de medidas de corte neoliberal. Los mecanismos de vinculación y articulación de la economía real y nominal, en materia fiscal, monetaria y productiva fueron desmembrados en una maquinaria descoordinada y sin engranajes, que evidentemente no puede funcionar correctamente.

Por cuestiones ideológicas, las disposiciones y mecanismos de regulación que dispuso el gobierno saliente se eliminaron rápidamente. En el plano monetario, la disolución del sistema de administración del mercado de cambios dejó librada al mercado la compra y venta de divisas, permitiendo la libre entrada y salida de capitales financieros, que fueron invitados a la especulación, sin ninguna restricción temporal de permanencia. Al mismo tiempo, concretó una devaluación del cuarenta por ciento, preludiando la inflación más alta de los últimos años.

En el plano comercial se relajaron los controles cuantitativos, como las DJAI y las Licencias No Automáticas (LNA), lo que disparó las importaciones a tasas muy por arriba de las exportaciones. Las industrias locales y la balanza comercial se vieron notablemente afectadas. En paralelo, se permitió a los exportadores la no liquidación de las divisas obtenidas por sus ventas, con la posibilidad de que dejan los capitales en el extranjero. Mientras tanto, la quita de retenciones tuvo más efecto sobre la suba de precios internos que sobre un incremento de las cantidades exportadas.

En el mercado interno, se centró la política económica en la derogación de normativa regulatoria, flexibilización de acuerdos y supresión de controles, como lo sucedido con el sector petrolero y el programa precios cuidados, donde se quitaron bienes esenciales de la canasta de consumo. En materia salarial, las presiones por techos a las paritarias no se pudieron disimular, restando poder de consumo a la población y fuerza al mercado interno. La pérdida de poder adquisitivo de los salarios de los trabajadores formales deriva en una fuerte restricción en la compra de bienes y servicios de las familias. Esto atenta contra el mercado interno, lo cual perjudica a los trabajadores de amplios sectores de la economía popular y asociativa, haciendo inviables cada vez más actividades productivas, junto con sus puestos de trabajo vinculados.

En el plano fiscal, se eliminaron o redujeron las retenciones a las exportaciones de los grupos más concentrados de la economía, lo que ocasionó una importante pérdida de recursos fiscales para todas las jurisdicciones del Estado. A pesar de que el plano recaudatorio no constituía el objetivo primario de la política de retenciones, su impacto no es menor; se estima que en trienio 2016-2018 dejaron de ingresar a las arcas públicas unos 7.500 millones de dólares. Tal es así que, en la búsqueda de nuevas fuentes de ingreso, el mismo gobierno actual instaló recientemente la posibilidad de retomar el esquema de retenciones.

En la práctica, la merma en el erario público fue compensada con el perfeccionamiento de un blanqueo que no hizo más que favorecer la formalización de activos de grandes evasores, sin la obligación de repatriar sus capitales. En paralelo, se quitaron impuestos progresivos, como los patrimoniales y a los autos de alta gama, beneficiando a sectores de altos ingresos y se aprobó una reforma fiscal que profundiza la regresividad en materia tributaria. El presupuesto público es un fiel reflejo de cuáles son los sectores que se privilegian desde el gobierno: mientras se ceden recursos a favor de los grupos más concentrados, se dan de baja un número amplio de políticas públicas y se recortan subsidios a los sectores populares, que tienen que pagar montos exorbitantes por servicios esenciales. Aun así, el déficit fiscal lejos está de mostrar una reducción significativa, ya que el pago de los intereses de la deuda pública dispara el rojo del resultado financiero al tiempo que quita cada vez más fondos públicos a las políticas de inclusión para el desarrollo económico.

Con un sesgo ideológico marcado, a favor de las visiones ortodoxas, el oficialismo mantuvo que la monetización del déficit fiscal era el origen de gran parte los problemas económicos, y que su financiamiento vía deuda externa sería el mecanismo ideal para resolver las tenciones internas. El resultado implicó un crecimiento exponencial de la deuda pública sin una solución de fondo para las debilitadas arcas del Tesoro. En esa misma línea, se argumentaba que la quita de subsidios reduciría el déficit fiscal y ello pondría rápidamente un coto a la inflación. El resultado es historia conocida: un tercer año de continuidad de los aumentos, –que superaron el incremento del 1.500% en el caso de la energía eléctrica-, y que no hicieron más que echar nafta al fuego, arruinando la economía y el bienestar de muchas empresas y familias.

Volviendo al inicio, tal vez el rasgo más preocupante de este conjunto de medidas es la configuración de un escenario de fragilidad externa, que la entrada de capitales especulativos y la toma de deuda en los mercados internacionales ayudaron a disimular transitoriamente. Sin embargo, algunos acontecimientos sucedidos en los últimos días mostraron de cuerpo entero la vulnerabilidad que hoy caracteriza al país. La confirmación final del acuerdo con el FMI es el síntoma más evidente pero no el único. Por todo esto, consideramos que la Patria está en peligro, y desde nuestro lugar no podemos más que expresar nuestra preocupación sobre la sustentabilidad de la economía. Frente a este escenario complejo, desde el colectivo EPPA consideramos importante ofrecer nuestra visión relativa del contexto actual.

La política del BCRA

A partir de la asunción del presidente de la autoridad monetaria (de reciente renuncia), el Banco Central llevó adelante una agresiva política de captación de liquidez a través de emisión de letras (Lebacs). El objetivo era parar en seco el proceso inflacionario argentino, diagnosticado como producto de un excesivo nivel de circulante en la economía argentina.

A los pocos meses de haber asumido, se evidenció que la política impulsada por el presidente del Banco Central a fin de contener las cantidades de dinero no hacía mella en los niveles inflacionarios que se disparaban a niveles récord en la década. Por ello, la institución orientó su política hacia visiones ortodoxas más modernas: el control de la tasa de interés a fin de domesticar los precios, cuya variación tendría una meta (inflation targeting). Sin embargo, el stock de Lebacs siguió creciendo ya que, por su atractiva tasa, generó la afluencia de fondos de inversión foráneos o bien de grupos concentrados locales que buscaban jugosos rendimientos financieros. Así, se fue creando una “bola de nieve” donde en cada vencimiento, la inyección de pesos era cada vez más grande, obligándose a sí mismo a sostener una tasa alta para evitar una corrida de esos pesos sobre el dólar.

De esta forma, el stock de Lebacs sobre la base monetaria (billetes en poder del público) creció de forma exponencial, representando el 200% de ella y triplicando los niveles heredados del gobierno anterior. Ante esta situación, el Estado vio menguado sustancialmente su poder para controlar variables monetarias y cambiarias claves para manejar la economía, como la tasa de interés y la nominalidad del tipo de cambio, que junto al problema de la deuda fue socavando la independencia económica del país.

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No obstante, los niveles de inflación siguieron un sendero momentáneamente descendente, por el ancla cambiaria que transitoriamente pudieron establecer, además de que ya se había alcanzado una suba de precios de alrededor del 40% anual por el aumento de todos los servicios regulados y por la fuerte devaluación del 2016 que se fue trasladando a precios. Sobre el final de 2017 ya se percibía que el proceso de desinflación del que hablaba el PEN estaba trunco y se trataba de un espejismo. La política de tasas altas no parecía hacer efecto y los recientes saltos cambiarios de 2018, sumados a los nuevos tarifazos, dieron lugar para este año a un renovado ímpetu inflacionario. La mitad del año quedó signada por una alta conflictividad social, en un contexto de cierre de fábricas y comercios y deterioro extensivo del poder adquisitivo de los salarios combinados con la creación de empleo con menores derechos laborales, como es el caso de los monotributistas.

Riesgo de corrida cambiaria

La política monetaria de esterilización de pesos mediante Lebacs no sólo ha fracasado en sus objetivos antiinflacionarios, sino que lleva consigo un endeudamiento creciente que representa un riesgo latente. A diferencia de los países centrales, emisores de monedas duras, la Argentina tiene como talón de Aquiles la restricción externa. Es decir que la escasez de divisas que se va gestando limita la capacidad del país para continuar el proceso de crecimiento.

Esta restricción se acentúa violentamente en momentos de stress financiero, ya que los agentes privados tienden a dolarizar sus activos previendo y cubriéndose de las cíclicas devaluaciones. Los esquemas económicos que implican la liberalización del mercado del dólar, como el actual, no hacen más que incrementar la fragilidad de nuestro sector externo. Además, el riesgo se ve potenciado por la creación secundaria de una masa de activos nominados en dólares, como los plazos fijos del sistema bancario.

De esta forma un creciente stock de activos de corto plazo potencialmente dolarizable, cuelga cual espada de Damocles en la economía argentina. Cada vencimiento de Lebacs representa un potencial pase al dólar, con una consecuente depreciación del peso o pérdida formidable de reservas. A fin de ejemplificar, el 15 de mayo se produjo un vencimiento por $617.000 millones equivalente a USD 25.000 millones, aproximadamente mitad de las reservas internacionales actuales. Se logró una renovación de esas letras, pero para ello el BCRA tuvo que elevar la tasa de interés al 40%, con todo lo que implica para la economía real. Tentar a los inversores con mayores tasas en pesos es un arma de doble filo, ya que la amenaza se mantiene y de forma creciente, en tanto y en cuanto no se genera un ingreso genuino de divisas sustentable en el tiempo.

Así, la liberalización y desregulación del mercado cambiario permitió al sistema bancario argentino retornar a prácticas que parecían superadas con el gobierno anterior. La posibilidad de comprar dólares libremente, sumado al blanqueo de capitales con poco o nulo control estatal, implicaron nuevamente la creciente dolarización del sistema. Desde enero de 2016 los depósitos en dólares de los argentinos crecieron de forma permanente. Actualmente los mismos representan el 46% de las reservas internacionales del Banco Central. De producirse una corrida de depósitos, la institución monetaria argentina debe salir a respaldarlos perdiendo las reservas que sean necesarias. En este caso, el tipo de cambio deja de ser la variable de ajuste, ya que no evita el retiro de esos depósitos. La dolarización del sistema bancario ha sido, entre otras, causante de la mayor crisis económica argentina de todos los tiempos. Parece irresponsable la estimulación de estos mecanismos (propios de países donde no existían Bancos Centrales) en nuestro país.

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La fragilidad externa se hace visible

Estos riesgos se han evidenciado más que nunca las últimas semanas. La suba de tasas en EEUU. sumado a la tendencia proteccionista creciente ha generado un fortalecimiento del dólar que provocó el desarme posiciones financieras en pesos para situarse en activos de mayor calidad (nominados en monedas duras). Este puntapié inicial se trasladó a una fuerte corrida cambiaria. Ante esta presión de demanda sobre el dólar, la reacción del BCRA fue tratar de evitar una fuerte devaluación del peso para no desalinear aún más la inflación con su meta. Tanto la enorme venta de reservas (se vendieron 9.000 millones de dólares desde marzo y 6.500 dólares en tres semanas), como la suba de la tasa de interés, que llegó al 40% anual, fueron los instrumentos utilizados. A pesar de ello, el mercado le torció el brazo y el peso se devaluó un 20% en unas semanas y más del 43% si se toma su recorrido desde el 1 de diciembre de 2017 a la fecha.

Ante la incapacidad del BCRA de frenar la corrida, el ministerio de Hacienda respondió con un fuerte ajuste en la obra pública de alrededor de 3.200 millones de dólares, para dar una “señal de confianza” al mercado. Decisión que traerá más recesión y pobreza y menos empleo e infraestructura básica para el desarrollo. Tras esta batería de medidas, la presión compradora sobre el dólar continuó. Por lo que el gobierno abrió la última canilla verde que le quedaba y anunció una línea de crédito con el Fondo Monetario Internacional. En Argentina, es historia conocida: prestan plata a cambio de soberanía. Esto atará de manos al gobierno que se verá condicionado a profundizar el mismo ajuste que ha causado la crisis cambiaria.

Así, vemos cómo lo que en la superficie parece coyuntural, en verdad tiene cuestiones mucho más profundas y estructurales. Mientras tanto, el bienestar de la ciudadanía se reduce día tras día, el país navega por aguas agitadas y crece la angustia sobre el porvenir.

 

El acuerdo con el FMI.

Conocidos los detalles del anunciado acuerdo, se confirmaron las duras exigencias sobre la reducción del gasto público. El préstamo desde el plano económico no es más que un paliativo transitorio. Por su esquema de desembolsos y repago, tanto como por su carácter de “cobertura”, se trata de un artificio puramente financiero. Una carta blanca de los factores de poder internacional (FMI y los países centrales) para alivianar las tensiones sobre las fatigadas cuentas externas de nuestra economía, a partir de la desconfianza de los mercados sobre el manejo de las finanzas públicas, que se materializó en las corridas cambiarias de los últimos dos meses.

La contracara del crédito, según lo anunciado hasta el momento, es el compromiso de repago, tanto como la disposición de un manejo presupuestario enteramente configurado a tales fines. Un ajuste brutal de la inversión pública de 3,8 puntos del PBI en los próximos tres años es tal vez el número que mejor sintetiza el esfuerzo en “lágrimas, sudor y sangre”, como contrapartida de haber recurrido al fondo.

Como analizamos, el eufemismo utilizado por los funcionarios macristas de “turbulencia cambiaria” encuentra origen, entre otros, en un rojo comercial creciente en los últimos años. Por caso, en 2017, el déficit de cuenta corriente se posicionó en torno a los 31.000 millones de dólares. Es decir que las divisas que nuestro país “genera” de manera genuina a través de sus exportaciones, no alcanzan para cubrir las importaciones necesarias del actual nivel de actividad. A esto se le suma la remisión de utilidades y dividendos al exterior, el turismo emisivo hacia el resto del mundo, y los intereses de la deuda externa contraída por el Estado Nacional y los Estados provinciales.

¿Es el acuerdo con el FMI una solución a este problema? ¿Está destinado el préstamo a financiar un proceso de crecimiento sostenible que permita revertir el déficit externo? Considerando el énfasis del Ministro Dujovne en afirmar que el préstamo es el reaseguro para poder mantener el programa económico definido hasta el momento, las respuestas difícilmente sean afirmativas. En el acuerdo se hace hincapié en los “esfuerzos fiscales” que hará el Estado para reducir el déficit. De este modo, la baja del gasto público anunciada para los próximos años, redundará en menor crecimiento, menor nivel de actividad y menores salarios reales. En la misma presentación del Ministerio de Hacienda se prevé una reducción del 13% en términos en el rubro “salarios y bienes y servicios”.

Como marcan las nuevas proyecciones macro, este camino no puede llevar más que a un enfriamiento general de la actividad económica. En primer lugar, ya se evidencian los traslados a precios y la aceleración de la inflación, haciendo de la pérdida de poder adquisitivo una generalidad ampliamente difundida. En segundo lugar, la mayor tasa de interés presiona sobre la posibilidad de financiar inversiones en pequeñas y medianas empresas o convierte a la inversión en la economía real en una alternativa poco rentable.

Esto también presiona a la baja el nivel de actividad y genera pérdida de puestos de trabajo, a lo que se debe sumar el freno por el quiebre de la cadena de pagos y la tendencia a la dolarización de las listas de precios. En tercer lugar, las bajas en los salarios y en la obra pública profundizan este esquema que complican las propias metas fiscales del gobierno por la caída del producto y la menor recaudación. Así, esta obsesión con la baja del gasto público no asegura una reducción del déficit fiscal, pero sí redunda en una mayor recesión y desigualdad social.

Volviendo al frente externo, la Argentina contará temporalmente con los 50 mil millones de dólares disponibles por parte del FMI para hacer frente a sus obligaciones en moneda extranjera. Mientras tanto, la caída en los ingresos y el nivel de actividad será tal que cuando hayamos utilizado el préstamo, la dinámica de la economía argentina funcionará con menos importaciones, tendrá menos ahorros para dolarizar y el Estado habrá acumulado un mayor nivel de endeudamiento externo. Sin un cambio de rumbo, los problemas estructurales no se solucionarán y el único efecto del préstamo será extender la agonía. La diferencia de este préstamo con los endeudamientos anteriores es que como contrapartida se ofrece el compromiso de profundizar las políticas que nos llevaron a recurrir al acuerdo. Así, el gobierno se limita a sí mismo sobre las futuras decisiones de política económica y toma como rehén al pueblo argentino.

Otro camino es posible

Sin embargo, desde el colectivo EPPA no nos resignamos a que la situación actual constituya un callejón sin salida. Ningún camino está exento de dificultades, pero el agravamiento de la principal restricción al crecimiento en Argentina es sin dudas una elección equivocada. Una política con pretensiones de resolver la restricción externa de manera sustentable debiera tener como principios el estímulo al desarrollo de la industria nacional, de manera de generar más valor agregado y reducir las necesidades de endeudamiento externo para llenar los casilleros vacíos de nuestra matriz productiva.

Por otro lado, ocuparse de la restricción externa en la coyuntura requiere de la recuperación de los instrumentos de control y regulación de los flujos de capitales, del mercado de cambios y de la implementación de una institucionalidad que garantice la intervención del Estado en el comercio exterior. La restricción externa hoy suma al problema estructural de la producción la intensa fuga de capitales, que no debe leerse como reacciones preventivas frente a coyunturas sino como parte de la lógica de la globalización financiera y que necesita ser enfrentada una fuerte intervención estatal que la contenga. Además, debemos considerar que el problema de la restricción externa no es equivalente a suponer que la Argentina no cuenta con recursos suficientes para sostener niveles de consumo más altos y un mercado interno vigoroso.

Justamente, en paralelo a una economía traccionada por el mercado interno y el consumo popular se debe orientar paulatinamente el desarrollo industrial hacia las exportaciones, estimulando las ventas de bienes con mayor valor agregado para superar la preponderancia del sector primario como fuente principal de divisas. La defensa y el desarrollo de una industria nacional competitiva no traen efectos positivos únicamente en el frente externo, sino se asocia a empleos de mayor calidad e ingresos que ayudarían a dinamizar el mercado interno en su conjunto, en un círculo virtuoso.

Como políticas inmediatas, urge la necesidad de recomponer salarios y jubilaciones de manera de recuperar el poder de compra para las mayorías, y así recuperar el circuito de crecimiento virtuoso que se perdió a fines de 2015. Este camino es incluso más efectivo en pos del equilibrio fiscal tan apuntado por el gobierno. En la medida que aumente la producción y el empleo se dará una reducción del déficit primario vía una mayor recaudación. Está claro que el acuerdo con el FMI, y el ajuste implicado como condicionamiento, lejos está de enmarcarse en este rumbo. Obcecado, el Gobierno de Cambiemos está enmarcado en un círculo vicioso de ajuste, deuda y más ajuste.